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Tapioca: a boa pedida para uma vida saudável

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Nutricionista, Renata Guirau, dá dicas de consumo dessa versátil fonte de carboidrato isento de glúten

A tapioca se tornou a queridinha de quem busca uma vida saudável com alimentação balanceada. Fonte de carboidrato, o alimento é isento de glúten naturalmente e se torna uma boa opção para quem precisa evitar essa proteína. A nutricionista do Oba Hortifruti, Renata Guirau, explica que o prato é uma opção de carboidrato menos processado que os pães industrializados, por exemplo, por isso, é mais saudável. “Ela fornece energia, sendo interessante para incluir no café da manhã e para pessoas que praticam atividade física e precisam de opções de fácil digestão para serem consumidas antes do treino”, ressalta.

Além de prática para ser preparada no dia a dia, a tapioca combinada com diversos recheios, doces e salgados, permite várias possibilidades de composição de refeições. Versátil, pode ser acompanhada de geleia de frutas, manteiga, coco ralado, patês, queijos boursins, pasta de amendoim e de castanhas, frutas picadas, ovo mexido, frango ou carne bovina desfiados, além de carne seca. No entanto, Renata dá a dica: o ideal é priorizar seu consumo nos lanches ou café da manhã e evitar como substituição do almoço ou jantar.

Caso a opção seja para o jantar, a nutricionista indica um recheio proteico (ovo ou frango/carne desfiados) com uma boa quantidade de vegetais (cenoura e beterraba raladas, pepino fatiado, alface, tomate, rúcula, entre outros).

A farinha também pode ser usada como ingrediente para preparação de muffins e panquecas caseiras, ótimas opções para café da manhã e lanchinhos, inclusive para as crianças levarem para a escola.

Apesar das características saudáveis do alimento, a especialista faz um alerta. “Quem precisa seguir estratégias nutricionais com baixa quantidade de carboidrato, é importante ficar atento ao consumo da tapioca. A porção deve ser bem orientada por um nutricionista para que não ocorram excessos prejudiciais. Em casos de intestino preso, também é importante não exceder a quantidade recomendada, pois a farinha pode dificultar esse quadro”.

Renata ensina quatro receitas que levam farinha de tapioca no preparo:

Creme gelado de tapioca


400g de tapioca seca
1 litro de leite desnatado
½ xícara de chá de açúcar
2 xícaras de chá de coco ralado

Modo de preparo:
Misture todos os ingredientes. Mexa bem até formar uma pasta densa. Acomode em forminhas de cupcake e leve para gelar por pelo menos 6 horas antes de consumir.

Dadinho de tapioca assado
500g de tapioca seca
500g de queijo coalho ralado
1 litro de leite desnatado
Sal a gosto

Modo de preparo:
Aqueça o leite e, quando estiver começando a ferver, adicione o queijo coalho. Mexa bem e, em seguida, adicione a tapioca e o sal. Quando formar um creme uniforme, despeje a mistura em uma forma forrada com papel manteiga e leve à geladeira por 6 horas. Retire da geladeira e corte em cubinhos. Coloque os cubinhos em uma assadeira e leve para assar em forno pré-aquecido a 220º até que fiquem levemente dourados. Sirva acompanhado de geleia ou melado de cana.

Frozen com tapioca
1 xícara de chá de leite de coco
1 xícara de chá de frutas vermelhas congeladas
2 colheres de sopa de goma de tapioca
1 colher de sopa de suco de limão
2 colheres de sopa de açúcar

Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador. Em seguida, coloque em uma panela e, em fogo baixo, deixe cozinhar por cerca de 2 minutos após iniciar a fervura. Desligue o fogo, coloque a mistura em potinhos individuais e leve para gelar por pelo menos 2 horas antes de servir.

Pãozinho de tapioca
300ml de leite desnatado
½ xícara de chá de tapioca
½ xícara de chá de queijo parmesão ralado
½ xícara de chá de polvilho doce
1 ovo
Sal a gosto

Modo de preparo:
Misture o leite com a tapioca. Em seguida, adicione o ovo, o sal, o queijo ralado e o polvilho. Misture bem todos os ingredientes para formar uma massa firme. Faça bolinhas e leve para assar em forno pré-aquecido a 180º por cerca de 30 minutos.

Entenda propostas de reforma tributária paradas no Congresso

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Palácio do Congresso Nacional na Praça dos Três poderes em Brasília

Segundo Haddad, textos servirão de base para proposta do governo

A simplificação da tributação sobre o consumo está no centro da primeira fase da reforma tributária, que o governo pretende enviar ao Congresso ainda neste semestre. Segundo declarações recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o texto pretende se basear em duas propostas de emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso, e o governo poderá acrescentar ou retirar alguns pontos.

As duas propostas reúnem diversos tributos que hoje incidem sobre o consumo em menos tributos. A divergência está no número de tributos unificados e na forma como ocorrerá a fusão.

PEC 45/2019

De autoria do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), a PEC 45/2019 foi relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ambos reeleitos no ano passado. O relatório chegou a ser lido na comissão especial da Câmara dos Deputados para a reforma tributária, mas teve a tramitação suspensa após o presidente da Câmara, Arthur Lira, extinguir o colegiado, alegando que o prazo de funcionamento foi extrapolado por causa da pandemia de covid-19.

A PEC 45 prevê a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O tributo substituiria duas contribuições – o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – e três impostos – o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS). Atualmente, as contribuições ficam inteiramente com a União, o IPI é partilhado entre União e governos locais, o ICMS fica com os estados; e o ISS, com os municípios.

A alíquota do IBS seria composta por uma soma das alíquotas da União, dos estados e dos municípios. Cada esfera de poder poderia definir a alíquota por meio de lei ordinária. A base de cálculo (onde o tributo incide) seria regulamentada em lei complementar.

Também seria criado o Imposto Seletivo, que incidiria sobre o consumo de produtos que causam danos à saúde, como cigarros, álcool e derivados de açúcar. Esse imposto seria cobrado “por fora”, no início da cadeia produtiva, incorporando-se ao custo do produto e elevando a base de cálculo sobre a qual é aplicada a alíquota do IBS.

A PEC também prevê a cobrança do IBS no destino, no estado onde a mercadoria é consumida. Isso acabaria com a guerra fiscal entre as unidades da Federação. Haveria um prazo de transição de seis anos para a adoção do IBS, com a extinção do PIS e da Cofins nos dois primeiros anos e a redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS nos quatro anos restantes.

O relatório apresentado na época previa poucas mudanças na tributação sobre a riqueza, com “alterações pontuais” para reforçar a progressividade (cobrança sobre os mais ricos) do Imposto Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que incide sobre heranças e doações, e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). O texto também prevê a manutenção da Zona Franca de Manaus e do Simples Nacional, regime especial para micro e pequenas empresas.

PEC 110/2019

Apensada a uma proposta de reforma tributária paralisada no Senado desde 2004, a PEC 110/2019 foi apresentada na Casa em 2019, mas só teve o parecer lido dois anos mais tarde. Relatado pelo senador não reeleito Roberto Rocha (PTB-MA), o texto cria dois tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que ficaria com a União, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Pela proposta, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituiria a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o Programa de Integração Social (PIS) e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substituiria o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), arrecadado pelos estados, e o Imposto sobre Serviço (ISS), de responsabilidade dos municípios. A proposta não unificou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o salário-educação no novo tributo federal.

Em relação ao IBS, o texto propõe uma lei complementar única para os 26 estados, o Distrito Federal e os municípios, porém traz mais flexibilidade aos governos locais. Cada ente público poderia fixar a alíquota do IBS, que seria a mesma para bens e serviços. A cobrança seria no destino, no local onde a mercadoria foi consumida, com um prazo de transição de 20 anos.

A lei complementar poderia manter benefícios fiscais para vários setores da economia, mas as medidas seriam definidas nacionalmente, não a critério de cada estado ou município. A Zona Franca de Manaus, o Simples Nacional, as Zonas de Processamento de Exportação e o regime especial para compras governamentais (compras feitas pelo governo) seriam mantidos.

O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) seria substituído pelo Imposto Seletivo, que incidiria sobre bebidas alcoólicas, derivados do tabaco, alimentos e bebidas com açúcar e produtos prejudiciais ao meio ambiente. Assim como ocorre no IPI, a União arrecadaria o imposto, destinando parte das receitas aos estados e aos municípios.

A isenção sobre os produtos da cesta básica acabaria. Em troca, seria feita uma devolução dos tributos que incidem sobre esses bens a famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

Em relação aos impostos sobre o patrimônio, o relatório institui a cobrança de IPVA para veículos aquáticos e aéreos, como iates, jet skis e jatinhos. Em contrapartida, isentaria o transporte público, o transporte de cargas, barcos de empresas de pesca artesanal e de populações aquáticas e ribeirinhas. O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) teria a base de cálculo atualizada pelo menos uma vez a cada quatro anos

Imposto de Renda

As duas propostas preveem a reformulação dos tributos sobre o consumo, sem interferir na tributação sobre a renda. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o ministro Haddad afirmou que pretende discutir a simplificação dos tributos sobre o consumo no primeiro semestre e deixar a reforma do Imposto de Renda para o segundo semestre.

As eventuais mudanças no Imposto de Renda envolveriam o retorno da tributação de dividendos (parcela do lucro das empresas passadas aos acionistas), em troca da diminuição do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Desde 1995, os dividendos no Brasil são isentos de Imposto de Renda.

Outra possível mudança, sinalizada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com centrais sindicais, seria a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Sem correção desde 2015, a tabela isenta apenas quem ganha R$ 1.903,98 por mês.

Edição: Juliana Andrade

Direitos humanos influenciam o interesse de brasileiros na escolha do intercâmbio, aponta estudo sobre Nova Zelândia

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 Os resultados da pesquisa “Por que Nova Zelândia” serão divulgados na íntegra na próxima terça-feira, 31/01, às 11h (horário de Brasília), em evento gratuito e ao vivo transmitido online. Para assistir à live, basta acessar a plataforma www.thinknewnz.com e fazer inscrição.

Os dados inéditos mostram percepção positiva sobre proteção à saúde, valorização da cultura indígena, segurança para mulheres, receptividade a estudantes LGTBQIA+, entre outros temas urgentes no debate público internacional. O estudo foi realizado entre novembro de 2022 e janeiro de 2023.

Sobre o estudo

A pesquisa “Por Que Nova Zelândia?”, da Education New Zealand, foi idealizada e desenvolvida no Brasil pela Agência Galo. Os dados completos estarão disponíveis para consulta a partir de 31/01.

Sobre?a?Education New Zealand?(ENZ)

A?Education?New Zealand (ENZ) é a agência do governo para a divulgação e representação da educação da Nova Zelândia em âmbito internacional. Com o objetivo de tornar a Nova Zelândia conhecida como destino para estudantes internacionais e como a mais importante parceira para conhecimento e serviços ligados à educação, a ENZ conta com aproximadamente 100 funcionários em 18 localidades ao redor do mundo e é dirigida por uma junta nomeada pelo Ministro de Educação Superior, Competências e Ofícios.??? 

GDF publica decreto de carnaval

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Legislação disciplina atividades e especifica responsabilidades estatais 

Com o intuito de promover o fortalecimento das identidades, da diversidade e do pluralismo cultural das manifestações carnavalescas das diferentes regiões do DF, o Governo do Distrito Federal (GDF) publicou o Decreto N° 44.169, que dispõe sobre o planejamento e a realização do Carnaval, bem como delimita as responsabilidades dos órgãos estatais.

A legislação, iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), foi publicada na edição extra desta quinta-feira (26/1) do Diário Oficial do Distrito Federal. O decreto regulamenta a Lei N° 4.738 de 2011 e substitui o Decreto Nº 38.019/2017, que já atribuía o Carnaval do DF à gestão da Secec.

A nova legislação especifica as atividades que compõem a festa de Momo, delimita as responsabilidades dos órgãos do governo, e garante a continuidade das ações inseridas nos festejos, com a institucionalização do programa Escola de Carnaval, lançado pela pasta em 2021, com o intuito de capacitar e profissionalizar os blocos e as escolas de samba para a retomada em 2023.

 “Esse decreto foi construído com o objetivo de definir as responsabilidades de cada segmento do Carnaval, sobretudo da parte do governo, para que tenhamos uma festa com mais segurança, organização, e preparada com a devida antecedência”, explicou o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues. Confira na íntegra o Decreto N° 44.169/2023.

O decreto, desta forma, tem o intuito de adaptar a legislação vigente à realidade do DF, ao definir procedimentos para profissionalização e capacitação do segmento e instituir planos e instrumentos para as atividades carnavalescas.

O documento disciplina a atuação do Carnaval de rua, inclusive quanto ao cadastramento e licença para que os blocos circulem durante os festejos; traça diretrizes para as ações governamentais direcionadas às escolas de samba; especifica as responsabilidades de cada órgão do GDF envolvido na festa popular; e, ainda, orienta a campanha oficial de comunicação do carnaval do DF, de responsabilidade tanto da Secec quanto da Secretaria de Comunicação (Secom).

 “Quando você pensa na elaboração de uma política, você nunca pode pensar onde você está, mas aonde você quer chegar. E a publicação do Decreto de Carnaval é a prova disso, como o resultado de uma ação que nós criamos lá atrás, em 2021, e que agora vai ser continuada, como uma política pública de Estado, destinada a articular e profissionalizar continuamente toda a cadeia produtiva do Carnaval. Essa continuidade é a ideia principal, permitindo que o setor se articule sempre, amplie suas ações e evolua cada vez mais”, pontuou a subsecretária de Difusão e Diversidade Cultural, Sol Montes.

O decreto inova ao estabelecer as competências específicas de cada órgão e entidade do Governo do Distrito Federal quanto às responsabilidades no que concerne ao planejamento e à realização do Carnaval: Secretaria de Cultura e Economia Criativa; Secretaria de Governo; Departamento de Trânsito do DF (Detran); Secretaria de Transporte e Mobilidade; Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do DF (IBRAM); Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal); e Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU). Ficará a cargo da Secec instituir um Plano de Apoio ao Carnaval do DF, que pode conter contratações artísticas diretas, parcerias com organizações da sociedade civil, acordos de patrocínio direto com entidades privadas, e ativação de marcas empresarias durante o período de Carnaval. 

O plano de apoio prevê, ainda, ações específicas do Grupo de Trabalho instituído pelo decreto, composto por representantes das secretarias de Cultura e Economia Criativa; Esporte e Lazer; Turismo; Governo; Segurança Pública; Transporte e Mobilidade; Saúde; Desenvolvimento Urbano e Habitação; Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal; e Comunicação. Completam o GT o Detran, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), o IBRAM, e o SLU. O grupo de trabalho será responsável pelo planejamento operacional e funcionamento do Carnaval do Distrito Federal, com a finalidade de estabelecer diretrizes para a ação estatal, realizar planejamento de infraestrutura e logística, propor medidas para a prevenção da violência, e estabelecer diálogo com os blocos carnavalescos, escolas de samba e moradores das áreas envolvidas, entre outros. 

ESCOLA DE CARNAVAL

Uma das novidades do decreto é a institucionalização do programa Escola de Carnaval, lançado em 2021 pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa com foco na reestruturação do Carnaval do Distrito Federal. O então projeto capacitou, apoiou e articulou a cadeia produtiva do Carnaval, a partir da profissionalização e gestão dos agentes ligados a entidades que atuam junto às comunidades com atividades permanentes. 

Com curadoria do carnavalesco carioca Milton Cunha, o projeto contou com atividades formativas voltadas principalmente à realidade das escolas de samba, além de palestras, encontros, workshops e outras atividades que envolveram os membros das entidades carnavalescas. Como política de Estado, o programa pretende atuar como mecanismo de disseminação de conhecimento para os gestores das Escolas de Samba do Distrito Federal, seus componentes e comunidades ligadas ao setor. A ação ganhou o prêmio de melhor iniciativa nacional de política pública do Carnaval brasileiro em 2022.

“A Escola de Carnaval se tornou um case de sucesso no país inteiro. Uma iniciativa única de formação, capacitação e articulação de todo o arranjo produtivo do carnaval tradicional, ligado principalmente às escolas de samba, que tinham uma demanda reprimida muito alta no Distrito Federal, já que o desfile não ocorria há quase 10 anos”, explicou Sol Montes. 

“Por conta da sua ótima aceitação na comunidade do Carnaval tradicional, a Secec decidiu instituir a Escola de Carnaval como política pública de Estado, para que ela se sobreponha a qualquer governo, para que seja perene e que cada vez mais atenda a essas comunidades”, arrematou a subsecretária.

AGU pede bloqueio de bens de mais 42 investigados por atos golpistas

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Prejuízo com depredação das sedes dos Três Poderes chega a R$ 18,5 mi

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou hoje (27) na Justiça Federal em Brasília nova ação para bloquear bens de investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. No pedido, a AGU quer a indisponibilidade do patrimônio de 42 pessoas físicas que foram presas em flagrante no dia dos atos. 

O órgão pretende que todos os envolvidos nos atos e que foram identificados respondam solidariamente pelo prejuízo causado pela depredação do patrimônio público. 

Até o momento, o prejuízo estimado com a depredação das instalações do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) é R$ 18,5 milhões.

As três ações protocoladas pela AGU já envolvem o bloqueio dos bens de 134 investigados, sendo 82 acusados que participaram das depredações, além de 52 pessoas e sete empresas que financiaram o fretamento de ônibus para participar dos atos antidemocráticos em Brasília 

Atos antidemocráticos

Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito em segundo turno, no final de outubro, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstram inconformismo com o resultado do pleito e pedem um golpe militar no país, para depor o governo eleito democraticamente.

As manifestações dos últimos meses incluíram acampamentos em diversos quartéis generais do país e culminaram com a invasão e depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 8 de janeiro.

Edição: Aline Leal

O criminalista mais famoso do país é um poeta

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O criminalista mais famoso do país é um poeta

Kakay, Antônio Carlos de Almeida Castro, célebre advogado durante a Lava Jato, Mensalão, não é o Al Pacino, do filme “Advogado do Diabo”. Ele é o Gene Kelly que canta na chuva, na rua, na fazenda ou numa casinha de sapê. Foi defensor de poderosíssimos políticos, incluindo ex-presidentes da República com 99% de sucesso. Ganha nos tribunais. Ganha na vida com disposição. Já ganhou até concurso de canto no navio (aquele do Roberto Carlos). Bem relacionado, diz ter amizades antigas e não se permitir ficar ao lado de pessoas que o fazem mal. Acredita em Miguel Arcanjo. Renova as energias no mar. Faz uma fezinha, custa nada, afinal.

Como vai você?

Eu preciso saber da sua vida

Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia

Anoiteceu e eu preciso só saber

Como vai você?”

(canção imortalizada por Roberto Carlos)

Por CAROLINA CASCÃO

Assim começou a nossa conversa. Um acorde de dó maior simples e sem desafinação. Como numa canção de Roberto Carlos, a descoberta do século: um dos homens mais poderosos do Direito Penal do País, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, apelido batizado por ele mesmo, é dotado de uma sensibilidade impressionante. Exerce a empatia por onde passa. Diz-se gostar de gente. “Apaixono-me pelas pessoas”. Gosta de cantar, notadamente as canções de Roberto Carlos. É amigo do “Rei”, do qual foi advogado por causa de uma biografia não autorizada e hoje amigo. É amigo do ex-ministro José Dirceu. Declama poesias ao cair da tarde, diariamente, em sua mansão, no bairro Lago Sul, em Brasília. É gente como a gente. E como todo bom mineiro, emociona-se ao ver o mar.

Agora a parte que todos já sabem, mas não custa nada repetir: ele é o famoso advogado criminalista de celebridades, empresários e políticos. Políticos mesmo, tipo três Presidentes da República, José Sarney, Itamar Franco e Fernando Collor de Mello (atualmente também), um Vice, mais de 20 ministros, mais de 90 governadores e empresários famosos da Odebrecht, Andrade Gutierrez e por aí vai. Parlamentares envolvidos na Lava Jato e no Mensalão também estão no extenso currículo. Como ninguém é de ferro, beldades não ficam de fora de suas defesas técnicas, como a atriz Carolina Dieckmann. Afinal quem não tem colírio, usa óculos escuros. Kakay não precisa de nenhum dos dois.

A defesa técnica é o maior critério para Kakay aceitar o cliente. Se não tiver isso (nem ética), o advogado não segue em frente. “Só defendo se puder me entregar de maneira visceral. Faço uma análise e participo de tudo. Elaboro a tese e acredito nela”, revelou. Hoje, no escritório, localizado num shopping em Brasília, ele tem seis advogados intelectualizados, leves e de bem com a vida. “Gosto do que faço. E só discuto dentro dos tribunais”, afirmou.

Nos casos que atua, Kakay obtém 99% de sucesso, uma prova de que ele confia no processo. Perguntei a ele como é defender alguém culpado. “É preciso entender as razões. Em que circunstâncias aconteceram o crime? Se eu achar que foi crueldade, não vou advogar. A advocacia não serve para covardes”, explicou. Do contrário, ele garantirá o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

Quando vem a fragilidade, me ligam”, disse. Perguntei se ele tinha alguma fragilidade também. A resposta veio no mesmo segundo, uma prova de que não estava enganada: Kakay é humilde e contraria todo o pré “conceito” que havia construído sobre ele. A resposta foi angústia. “O mundo me angustia. As dores dos outros me angustia. Tenho dificuldades de viver num país tão desigual. Mas é a angústia que me impulsiona”, revelou. E logo emendou com uma frase de esperança com olhos verdes. “A vida deve ser levada a sério, mas não a sério demais. Entende?”, indagou. Entendo.

Ser feliz hoje em dia é uma afronta à sociedade. Posiciono-me no mundo”, emendou. Não sei o que quer dizer, mas em cima da mesa de trabalho, em sua biblioteca de casa, li uma placa com a frase “vida longa aos loucos”. Está cravada em madeira em caixa alta. Será preciso loucura, mais que coragem, para exercer o direito?!

Ele é contrário à prisão em casos de crimes financeiros. “Toma tudo o que o cara tem aqui, fora do país, tudo”, afirmou. De acordo com Kakay, o excesso de punitivismo tomou conta do Brasil, especialmente após a Lava Jato, momento em que a Justiça tenta colocar a sociedade contra aos que têm poder. “E assim as pessoas não percebem e vão perdendo os direitos sem notar. É como andar no setor comercial de dia e de repente vai escurecendo e não se percebe”, comparou.

Corona Vírus em presídios

A maldade e o descaso estão incrustados em boa parte da sociedade brasileira. Na quase totalidade da outra parte reina a indiferença. Ou seja, um muro de covardia e de obtusidade foi erguido para que não vejamos a tragédia dos presídios. Um invisível círculo de giz foi riscado para impedir que o cheiro dos presos alcance o lado de fora. E um ensurdecedor silêncio se faz envolto numa densa e opaca nuvem para não permitir que ouçamos os gritos alucinantes de socorro. Parece um livro de ficção. Haja criatividade para descrever uma realidade tão covarde e abjeta”. (palavras de Kakay)

Impressionado com a falta de empatia das pessoas, que segundo ele, são lúcidas e esclarecidas, ele falou sobre a relação dos “presídios e o Corona Vírus”. Ele revelou que 160 mil pessoas trabalham no sistema carcerário, direta e indiretamente, como advogados, médicos, pessoal da limpeza. E que estes poderiam sair de lá contaminados e transmitir para outros que nunca nem passaram perto de uma prisão. “Seria mais digno conter o vírus de dentro para fora. Ao proteger os presos, os trabalhadores diários de penitenciárias também estariam protegidos e quando terminassem a rotina e fossem para casa, a sociedade assim também estaria”, disse. As “pessoas esclarecidas”, segundo ele, só abriram os olhos frente ao problema quando perceberam que a disseminação poderia chegar perto delas. “Se o vírus permanecesse apenas nos presídios, elas nem atinariam para a questão”, desabafou.

Segundo ele, a dignidade do ser humano é a base do Direito Constitucional e Penal. “Quando a pessoa perde a liberdade perde a liberdade frente à vida, ele não perde os demais direitos inerentes à dignidade da pessoa humana. Tive pouquíssimos clientes que foram presos durante toda a minha vida profissional. A cadeia tem um clima específico, a situação precária carcerária brasileira vai contra a lei, até porque as leis foram escritas para humanizar. Deviam transformar cadeias em lugares mais dignos”, disse.

Você foi generoso com Brasília ou Brasília foi generosa com você?

Antônio Carlos de Almeida Castro é especialista em Direito Penal, formado pela Universidade de Brasília, em 1981. Nesta ocasião, como orador na cerimônia, usou 70% do discurso para falar sobre a situação em que vivem as pessoas nos presídios brasileiros. “O Direito é a forma de enfrentar os problemas do país e não resolver os problemas de saúde, educação etc”, disse.

Brasília não era a primeira opção de Kakay na época acadêmica. O Direito sim era a escolha certeira desde o começo. Queria ir para Belo Horizonte fazer a faculdade, mas não tinha a menor condição financeira -, foi sorte na opinião dele, pois Brasília é o melhor lugar para se viver e morar. Antes disso, aos 18 anos, morou em Goiânia, num período de muita alegria, embora o banheiro ficasse do lado de fora de casa. Veio para Brasília morar na casa de um tio. Começou a trabalhar no mesmo dia que começaram as aulas. Nunca esmoreceu. Prosperou e comprou este mesmo escritório aí, o mesmo que o acolheu sem nenhuma experiência.

Na capital do país, na época da Unb, ele fundou o Centro Acadêmico em plena ditadura militar. “Não tivemos aulas praticamente por um semestre por causa da greve. A universidade era direitista, numa política partidária. Eu queria uma política institucional”, afirmou.

Brasília foi generosa comigo. Fiz carreira profissional, grandes amizades e tive três filhos”, disse. Aqui, ele também foi proprietário do badaladíssimo Piantella, tradicional reduto de poderosos de Brasília, entre políticos e empresários patriarcas de famílias tradicionais. Lá, Kakay soltava a voz com Marcinho Silva ao piano. Entre os políticos, Ulysses Guimarães e Luís Eduardo Magalhães tinham mesas cativas. O ex-ministro José Dirceu (amigo de Kakay) costumava frequentar o segundo andar do restaurante, em sala reservada, para degustar vinhos com a cúpula do PT.

O Piantella, localizado na 202 sul, fechou as portas, após 40 anos de funcionamento, no mesmo dia em que Dilma Rousseff foi afastada definitivamente do cargo de presidente da República.

Atualmente, ele é proprietário do restaurante referência, em Brasília, chamado A Mano, na 411 sul. O estabelecimento oferece uma culinária sofisticada e especialidades italianas. Destaco as opções de vinhos que têm ótimo custo-benefício.

Kakay reabrirá em breve, o Piantas, todo ao estilo francês, na 403 Sul. Neste mesmo local funcionou o antigo Bistrô Expand.

Este renomado advogado casou-se três vezes “com mulheres muito interessantes”, segundo ele. Uma delas foi a filha do falecido senador Petrônio Portella, mãe de dois filhos dele, o arquiteto Cícero e o advogado Vinícius –, que embora tenha o mesmo bacharelado do pai, nunca exerceu. “Ele é escritor, especialista em literatura comparada”, disse com carinho.

Há 22 anos vive com a jornalista Valéria Vieira, amiga de infância e madrinha do primeiro casamento, mãe de Érico, de 15 anos. “Minha esposa é interessante: muito culta e tem uma visão do mundo ao qual me identifico. Ela é jornalista de culinária e morou no exterior por 12 anos, ministrando aulas de culinária. Ela tem livros publicados na Inglaterra, nos EUA, no Brasil ­por incrível que pareça, ela tem livros de culinária com 30 mil exemplares vendidos”, disse.

Infância e juventude em Patos de Minas

Kakay nasceu em Patos de Minas (MG) em 22/09/1957. Ama comemorar aniversários. De tantas festas, ele destaca os 50 anos com poesia. O convite foi um livro com 132 poesias. “Era para ser 50, mas não aguentei. Difícil dentre tantos textos lindos”, disse. Aos 60 anos, comemorou com uma festa em Portugal junto com a família e alguns convidados. Era para ser algo mais simples, mas ao final, 250 pessoas fizeram parte dos festejos. Ele conta que na ocasião, recebeu a ligação de um cliente e saiu correndo para o Brasil. “Era a chance de um julgamento. Cumpri a missão, depois voltei para a Europa”, disse.

Minha infância e adolescência foram boas, agradáveis. Sou de família grande com mais de 200 primos. Não tínhamos condições financeiras para viajar, então recebíamos muitas visitas. Fui conhecer o mar só aos 13 anos. E me apaixonei. Fiquei impressionado ao sobrevoar o mar pela primeira vez. Minas é bom, mas não tem praia”, disse.

Kakay gosta tanto do mar que tem um apartamento no Leblon, no Rio de Janeiro e uma casa em Trancoso, na Bahia. Outra grande paixão é a França. Em Paris tem um apartamento no distrito 6, no bairro Saint Germain, de frente ao Cafe de Flore, por onde passaram ilustres escritores em diferentes períodos, como Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre. Mais uma prova da paixão de Kakay pela literatura e poesia.