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Luis Cesar Bueno promete realizar concurso público para saúde e Polícia Militar

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Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey na última terça-feira (08/09), o candidato ao governo de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luis Cesar Bueno, respondeu perguntas sobre seu plano de governo. O candidato detalhou suas propostas para a criação do “Vapt Vupt da Saúde” e “tarifa zero” no transporte coletivo. Ele também se comprometeu a realizar concursos públicos para saúde e polícia militar.

*O senhor promete que em dois anos metade das unidades de saúde hoje administradas por Organizações Sociais (OSs) passarão para a gestão direta do Estado. Como fazer essa transição sem descontinuar os atendimentos?*

*Luis Cesar:* Faremos isso de forma gradativa e planejada, iniciando com uma ou duas unidades nos primeiros seis meses, com foco inicial nos hospitais de urgência de Goiânia. Hoje, o sistema gerenciado por OSs encarece a saúde pública em 30%, remunera mal os profissionais e adquire insumos e medicamentos praticamente sem licitação, como já apontaram o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Contas.
Com a economia gerada ao retirar as OSs, vamos profissionalizar a saúde e realizar concursos públicos logo nos primeiros 100 dias. Também criaremos o “Vapt Vupt da Saúde” para agilizar pequenos procedimentos e retirar especialidades críticas, como oncologia e cardiopatias, da fila da regulação.

*Outro ponto de destaque em seu plano é a implantação gradativa da “tarifa zero” no transporte coletivo até o terceiro ano de gestão. Como viabilizar financeiramente esse projeto?*

*Luis Cesar:* A tarifa zero não é apenas dar transporte de graça, é política estruturada de mobilidade urbana. Ela só funciona se houver corredores exclusivos e transporte de qualidade para atrair o cidadão de volta ao ônibus. Para isso, vamos instituir o Fundo Estadual de Mobilidade Urbana, que contará com a participação financeira do Estado, dos municípios, do governo federal e dos empresários.

*Na segurança pública, o senhor afirma que a criminalidade em Goiás aumentou, divergindo dos discursos oficiais. Quais são os seus dados e o que propõe de diferente?*

*Luis Cesar:* O crime mudou de configuração, migrando para a esfera digital e financeira. Goiás hoje lidera o refino de cocaína no país, com 81 laboratórios identificados, enquanto o Amazonas, segundo colocado, tem 31. Além disso, o feminicídio no estado aumentou 315% de 2025 para cá, registrando uma alta de 100% na comparação de 2024 para 2025. Somos também o terceiro estado em estelionato digital. Para combater essa realidade, vamos investir na inteligência da Polícia Civil e realizar concursos públicos para cabos e soldados na Polícia Militar.

*O senhor projeta um aumento de 30% na arrecadação do Estado logo no primeiro ano, sem aumentar impostos. Como pretende alcançar essa meta?*

*Luis Cesar:* O caminho é combater a sonegação, o contrabando nas fronteiras e a lavagem de dinheiro do crime organizado. Goiás hoje está no centro da lavagem de dinheiro, com forte atuação na adulteração de combustíveis em postos e distribuidoras, conforme apontado pela Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Vamos criar oito eixos de desenvolvimento econômico regionais, estimulando o agronegócio, a agricultura familiar, o microempreendedor individual e a industrialização de terras raras para a produção local de baterias e chips para veículos elétricos.

Magia da Prata — Joias que atravessam gerações

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Desde 1995, a Magia da Prata transforma a tradição da ourivesaria de Pirenópolis em joias autorais feitas à mão. Instalado na zona rural de Pirenópolis (GO), o ateliê é comandado pelo ourives-chefe Diego Clavijo e pela designer de joias Cristiane Clavijo, em parceria com cinco ourives artesãos de Pirenópolis.

Cada peça é confeccionada em prata de lei e gemas naturais, assinada por seu autor e, em sua maioria, produzida como peça única. Mais que adornos, são joias criadas para carregar histórias, identidade e afeto, com a missão de tornar cada joia feita à mão uma herança de família.

Entre suas criações autorais, destaca-se a Coleção Solar de Goiás, uma homenagem à identidade e à luminosidade do estado. Inspirada na força do sol, nas paisagens do Cerrado e na arquitetura e cultura goianas, a coleção traduz em prata elementos que fazem parte da memória e do imaginário de Goiás, transformando referências regionais em joias contemporâneas e atemporais.

A Magia da Prata possui Indicação Geográfica de Procedência de Pirenópolis (IG da Prata), selo IG Brasil e Selo Goiás Original, certificações que reconhecem sua origem, autenticidade, habilidade e técnica artesanal. As criações têm como principais fontes de inspiração o Cerrado, a arquitetura colonial e a cultura de Goiás.

Em 2026, o ateliê esteve presente na CasaCor Goiás e em salões e eventos nacionais dedicados ao artesanato brasileiro. Também está entre as 300 finalistas do Prêmio TOP 100 do Sebrae Nacional, selecionada entre cerca de 1.600 inscritos.

A Magia da Prata não possui loja física. As joias estão disponíveis em nossa loja online e em feiras e eventos em Pirenópolis e Brasília, conforme a agenda divulgada no Instagram.

Serviço:
www.magiadaprata.com.br | Instagram: @magiadaprata

Brasília é uma terra de oportunidades.

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Nasceu assim e, ao longo do tempo, mantém-se como uma cidade acolhedora.

Foi nesse solo fértil que, recém-formada e apenas com um diploma em mãos, encontrei uma amiga, Sandra Soares Costa. Juntas, sonhamos e fundamos o que viria a se tornar o Grupo Sabin.

Meus primeiros ensinamentos de empreendedorismo começaram na Fazenda Sapato Arcado, no município de Anápolis (GO), onde morei até os dez anos, observando meu pai, Antônio, negociar gado e lavoura no alpendre de casa. Foi com ele que aprendi que precisamos honrar todos os nossos compromissos. Ele me dizia que:

“a sua palavra vale mais do que a sua assinatura”.

Papai tinha seu jeito próprio de fazer gestão, sem ferramentas complexas, planilhas ou uma multidão de conselheiros. Ele era ético, honesto, humilde e cheio de determinação.

Já com minha mãe, Geralda, aprendi a ser zelosa e a me dedicar com excelência em tudo o que eu fizesse. Ela sempre foi muito dedicada à nossa família e ao nosso bem estar, e ao cuidado com ela mesma. O DNA de cuidar das pessoas eu herdei dela!

Ali, na fazenda, aprendi com meus pais as virtudes da vida simples e rica do campo. Cresci em meio aos animais soltos – gatos, cachorros, vacas, porcos, galinhas, cavalos – e às experiências cotidianas que moldaram meu olhar sobre o mundo. Ajudava meus pais em tudo o que podia e, com eles, aprendi lições fundamentais sobre trabalho, caráter e fé, que até hoje são os pilares que me sustentam. A Bíblia, especialmente o livro de Provérbios, tem sido guia constante – como no versículo que diz:

“O orgulho só gera discussões, mas a sabedoria está com aqueles que tomam conselhos”.

Anos mais tarde, mudamos para Anápolis para que eu pudesse continuar os estudos. Fui aprovada no vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde concluí os cursos de Farmácia e Bioquímica.

Depois de formada, decidi vir para Brasília. O ano era 1980 e a cidade, com apenas 19 anos, apresentava muitas oportunidades. Mas, o início não foi muito fácil. Consegui apenas um estágio não remunerado, sem passagem para o transporte e sem vale-refeição.

Um ano mais tarde, em 1981, consegui meu primeiro emprego formal em um laboratório de análises clínicas. Lá conheci uma colega de profissão que se tornou minha grande amiga, Sandra Soares Costa. Além da amizade, conquistei uma sócia, que compartilhou comigo o sonho de empreendedorismo e, em 1984, fundamos o Sabin. A empresa nasceu em uma sala de 90 m² na Asa Norte, ao lado do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), com apenas três colaboradores.

Durante sete anos, atuei como servidora pública e liderei o segundo maior laboratório do Distrito Federal, o do Hospital Regional de Taguatinga. Esse período me deu uma base sólida em gestão e foi um tempo valioso de aprendizado. E, ao mesmo tempo, exercia a função de mãe.

Eu não tinha família e parentes ao lado para ajudar a criar os filhos. Eram 15 minutos para passar em casa, almoçar em pé e ajudá-los a fazer o dever. Preocupava-me que meus filhos sentissem minha falta. Por isso, mais tarde, cheguei a buscar um psicólogo. Ele disse que eu seria um bom exemplo para eles, e que, um dia, meus filhos sentiriam orgulho da mãe. E foi verdade.

Como o Sabin estava começando e precisava da nossa dedicação, aos poucos, fui me desligando dos outros trabalhos e transferindo atividades para os finais de semana e para as noites. Até que tomei uma decisão difícil: pedi exoneração dos cargos públicos. Foi um período desafiador, porém essencial para consolidar nosso sonho. Com dedicação, inovação e qualidade superamos todas as adversidades de abrir um negócio nos anos 80.

Venho de uma geração de mulheres empreendedoras que me encorajaram a contribuir para o desenvolvimento do país e das pessoas. Desde o início da empresa, sempre buscamos as melhores referências nacionais e internacionais. Começamos a participar de congressos de patologia e análises clínicas para saber quais as novidades em lançamentos, metodologias e inovações. Buscamos especializações em Administração e Gestão de Processos e de Pessoas e começamos a capacitar e a desenvolver nossos colaboradores.

Além disso, trouxemos valores familiares para o nosso negócio. No Sabin, falamos de Deus no ambiente de trabalho com a maior naturalidade, não no sentido da religião, mas para valorizar princípios, como a gratidão, a humildade, a responsabilidade e a justiça. Devemos que trabalhar valores familiares na empresa, sem perder o foco em nosso propósito: inspirar pessoas a cuidar de pessoas.

Nossa história familiar influenciou profundamente a forma como construímos a cultura do Sabin. No início, encontrar equilíbrio entre trabalho, maternidade e gestão foi exaustivo, mas necessário. Não à toa, entender as necessidades dos colaboradores tornou-se um dos pilares da nossa gestão.

Vejo os colaboradores do Sabin como uma família, pessoas que precisam ser valorizadas e cuidadas. Cuidamos não apenas da saúde, mas das pessoas que fazem a empresa acontecer.

Acreditamos que um ambiente de trabalho saudável, inclusivo e respeitoso gera não só bem-estar, mas também resultados. Com essa visão, valorizamos a diversidade e contratamos com base nas competências. No Sabin, promovemos o respeito às diferenças e incentivamos a superação de preconceitos e crenças limitantes.

Hoje, 77% dos nossos colaboradores são mulheres, e 74% delas ocupam cargos de liderança. Isso reflete diretamente na forma como nos relacionamos com clientes, parceiros e com a sociedade.

Nossos valores familiares também sempre nos despertaram a buscar melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os projetos sociais que Sandra e eu realizávamos, desde o início da empresa, de forma empírica, foram ganhando corpo.

Com o objetivo de promover cuidado e bem-estar à população, fundamos, em 2005, o Instituto Sabin, como braço social, para construir parcerias e implementar ações e projetos de impacto socioambiental nas comunidades onde estamos presentes. Faz parte da nossa essência cuidar das comunidades onde atuamos e manter um olhar atento para programas e ações sustentáveis.

Isso tem conexão direta com o propósito do Grupo que é inspirar pessoas a cuidar de pessoas. São 20 anos consecutivos de investimento social privado do Grupo Sabin e um investimento, nesse período, superior a R$ 50 milhões em programas e projetos de promoção ao ecossistema de impacto e responsabilidade social.

Expansão, inovação e legado

Com o apoio da Fundação Dom Cabral, em 2010 iniciamos um planejamento estratégico que visava a expansão estruturada e a multiplicação da nossa cultura organizacional. Desenhamos a visão do grupo para 2020 e, mais tarde, até 2030.

Três anos depois, ao completar 30 anos à frente do Sabin – hoje Grupo Sabin –, tomei uma das decisões mais importantes e difíceis da minha vida. Me voltei para Deus e para os ensinamentos da minha família para buscar sabedoria. Inspirada pelos acertos e erros de meu pai ao conduzir a transição da fazenda, percebi que era o momento de me afastar da gestão diária e pensar no futuro da empresa.

Desse processo surgiu a decisão de que era o momento de Sandra e eu assumirmos ações estratégicas do Sabin e nos dedicarmos à preservação da nossa cultura de valorização das pessoas mesmo diante um crescimento inorgânico acelerado (por meio de aquisições), bem como assumindo compromissos para o fortalecimento do empreendedorismo e empoderamento feminino.

Como buscamos investir nos nossos colaboradores para que continuem trabalhando e crescendo conosco, em 2014, Lídia Abdalla — que começou no Sabin como trainee em 1999 — assumiu a presidência executiva da empresa.

No mesmo ano, Sandra e eu decidimos integrar o Conselho de Administração do Grupo Sabin. A cultura que chamamos de ‘Jeito Sabin’ está hoje presente em 358 unidades, distribuídas por 78 cidades de 14 estados, além do Distrito Federal. É gratificante quando a empresa se torna maior do que nós.

Com o propósito de cuidar das pessoas de forma integral, diversificamos os serviços do grupo, incluindo atenção primária à saúde, genômica e saúde digital. Em 2021, lançamos a Rita Saúde, uma plataforma integrada que conecta serviços de análises clínicas, diagnóstico por imagem, vacinas, medicamentos e outros atendimentos, por meio de nossa rede e de parceiros.

Ao decidir deixar a gestão do Sabin, ampliei minha atuação em grupos e conselhos voltados à promoção da diversidade, da inclusão e do fortalecimento do empreendedorismo feminino em todo o Brasil. Na Capital Federal, não é diferente. Como vice-presidente da ABRH-DF e integrante do Grupo Mulheres do Brasil, do Conselho dos Hospitais da Rede Sarah e do Conselho do Hospital da Criança (ICIPE/HCB), sigo comprometida com essas causas.

Apesar da agenda cheia, não abro mão da convivência com minha família. Valorizo momentos de qualidade com meus três filhos, meu genro, minhas noras, meus seis netos e meu marido e amor da maturidade, Flávio Marcílio.

Nos 40 anos dessa jornada empreendedora, são muitas as histórias que eu poderia compartilhar. Mas, mais do que contar feitos, quero ser instrumento para inspirar outras mulheres a tirarem seus sonhos da gaveta. Espero deixar um legado que vá além da empresa – um legado de valores, coragem, propósito e impacto positivo.

Acredito que devemos influenciar o mundo com nossas atitudes, palavras e, sobretudo, com nossos exemplos. Sempre com fé, ética e compromisso com o bem comum.

Entre sonhos costurados e pontes erguidas

“Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno.” — Rubem Alves

Essa frase traduz o que sinto ao revisitar minha história. Minhas escolhas, das mais simples às mais ousadas, foram moldadas pelos valores que aprendi no lar. Meu próprio nascimento já foi uma resultado de perseverança e resiliência — virtudes que mais tarde se tornariam essenciais na minha jornada empreendedora.

Fui um bebê esperado por sete anos. Minha mãe, Cecília Joaquina Soares, era RH negativo; meu pai, Silvestre Soares, positivo. A incompatibilidade sanguínea trouxe perdas dolorosas de gestações, mas nunca diminuiu o desejo de me receber. E assim, no dia 25 de dezembro, em Inhapim, Minas Gerais, cheguei como um presente de Natal.

Sou a filha mais velha de três irmãos, criada em um lar onde as vozes femininas sempre tiveram força e presença. Fui guiada pelo exemplo de uma mulher admirável: minha mãe, filha mais velha de onze irmãos, sempre foi a voz firme que inspirava, organizava e impulsionava todos ao redor. Dona Cecília transformou seu talento na moda em profissão e se reinventou como empreendedora, provando que disciplina, coragem e conhecimento são sementes que florescem em qualquer solo.

Dela herdei o amor pelo trabalho bem feito e a convicção de que a independência se constrói. Ela costurava sonhos — não apenas vestidos impecáveis, mas valores de responsabilidade, perfeição e propósito que moldaram minha essência.

Desde cedo, eu era seu apoio. Com nove anos, pegava um ônibus para Caratinga, a 30 km de distância, para comprar aviamentos e tecidos. Escolhia linhas, botões e cortes com o cuidado que ela me ensinara e controlava o dinheiro com precisão. Essa confiança moldou minha autonomia.

Meu pai, Silvestre Soares — o “Vete”, como todos o chamavam — administrava uma pequena fazenda e também possuía uma Kombi com a qual prestava serviços a terceiros. Era um homem de riso fácil e coração generoso. Gostava de boa mesa, fazia questão de escolher pessoalmente os produtos da cozinha da família e tinha um carinho especial pelos momentos de convívio.

De meus pais, herdei características distintas que se completam. De minha mãe, a disciplina, o foco no trabalho e a fé inabalável. Do meu pai, a alegria de viver, o gosto por estar cercada de amigos e a leveza para celebrar a vida. Na visão da minha família, sou a melhor mistura dos dois — e é dessa combinação que nasceram a força e a ternura que levo para tudo o que faço.

Moramos em Inhapim até eu completar 17 anos. Minha mãe confeccionava todos os vestidos para festas e casamentos da cidade. Quando decidiu mudar-se para Belo Horizonte para que continuássemos os estudos, não teve medo:

“Se faço aqui, posso fazer lá”, disse.

Em BH, ampliou o negócio e a clientela, confirmando que coragem e competência são passaportes para qualquer destino.

Em 1972, prestei vestibular para a Universidade Federal de Minas Gerais. Estava bem preparada e obtive excelente desempenho. Minha pontuação me permitiria cursar Medicina, mas escolhi seguir o caminho da Bioquímica. Desde o início, me apaixonei pela área.
Na UFMG, as disciplinas básicas reuniam estudantes de diversos cursos. Éramos divididos em turmas por ordem alfabética e a minha começava na letra “O”. Foi assim que conheci Odilon, aluno de Odontologia. De colega de classe, ele se tornou namorado, e nos casamos em julho de 1977. Um ano depois, em agosto de 1978, nasceu nosso primeiro filho, Marcelo.

Formei-me em Farmácia-Bioquímica e, em 1979, mudei-me para Brasília com Odilon e Marcelo. Na capital, construí minha trajetória profissional, tive meus outros dois filhos, Guilherme e Gabriel, e, mais tarde, vi minha vida ser iluminada pelos meus netos.

Foi em Brasília que conheci Janete Vaz. Trabalhamos lado a lado em um laboratório particular e, desde o início, percebemos que não compartilhávamos apenas valores, mas também sonhos e uma visão de futuro. Ambas acreditávamos que uma empresa poderia prosperar colocando as pessoas no centro da estratégia, cultivando relações de confiança e buscando excelência em cada detalhe. Dessa sintonia nasceu o Sabin — um projeto tecido de propósito e amizade.

Enquanto o Sabin era formado, o cenário político e econômico do país também se transformava — nem sempre de forma favorável. O Brasil fervilhava pelas Diretas Já e a inflação chegava aos 228% ao ano. Eram tempos de incerteza, mas também de coragem para quem ousava empreender.

Quando lembro dos primeiros dias do Sabin, lembro de uma sala pequena na Asa Norte, de nós duas com coragem no olhar e quase nada no bolso — um sonho empurrado mais por vontade do que por estrutura. Brasília era um traçado de possibilidades, e ali, entre exames e esperanças, decidimos que o Sabin seria mais do que precisão técnica: seria alma.

À medida que o Sabin crescia, crescia também em mim o compromisso com a excelência.

Decidi então investir em minha formação: fiz mestrado em Ciências Médicas pela Universidade de Brasília (UnB) e MBAs em Gestão de Negócios, pela UFRJ, e em Gestão Empresarial, pela Fundação Dom Cabral — sempre unindo conhecimento e prática para oferecer o melhor.

No Sabin, cada exame sempre foi mais do que um resultado impresso em papel. Por trás de cada atendimento há um nome, uma história, uma família que espera, um coração que bate mais rápido. Sempre acreditei que cuidar da saúde é também cuidar da esperança, o que não se mede em números. É por isso que, ao longo dos anos, buscamos criar um lugar onde a ciência caminhasse de mãos dadas com o afeto, onde a precisão dos resultados viesse acompanhada da certeza de que alguém se importa de verdade. Essa aposta no humano é o que nos fez crescer, sem nunca perder o olhar atento para quem mais importa: as pessoas.

Os primeiros seis anos foram desafiadores. Eu e Janete dividíamos as tarefas e a mesa de trabalho. Administrávamos com base na intuição e na percepção. Fazíamos exames, acompanhávamos clientes, cultivávamos relações com convênios e médicos e, ao final do dia, lavávamos e preparávamos o material para o dia seguinte. Tudo com entusiasmo e uma vontade enorme de crescer. Era o que me impulsionava e me recompensava. Era a concretização de um sonho.

O início também exigiu coragem e renúncia. Eu dividia meu tempo entre a nova empresa, o trabalho na Secretaria de Saúde do Distrito Federal e meus filhos pequenos. Perdi reuniões escolares, aniversários e encontros de família, mas sempre com a certeza de que estava construindo algo que, um dia, também seria motivo de orgulho para eles.
Enfrentamos preconceito por sermos duas mulheres jovens liderando um negócio de saúde. Muitos duvidavam que iríamos conseguir. Mas transformamos cada obstáculo em combustível.

Desde os primeiros dias, a inovação foi minha bússola. Participei de congressos nacionais e internacionais, busquei metodologias inéditas, introduzi tecnologias pioneiras e incentivei minha equipe a quebrar paradigmas. Cada viagem, cada palestra, cada contato com novas ideias era uma oportunidade de trazer algo que colocasse o Sabin na vanguarda do setor.
O clima que construímos também era incomum: no lugar da sobriedade dominante nos serviços de análises clínicas, havia calor humano. Atendentes sorridentes e atenciosos tratam os clientes pelo nome. Assim como hoje, nosso diferencial não estava apenas nos equipamentos, mas na experiência.

Nos anos 80, estruturamos a empresa com foco em qualidade e excelência. Na década seguinte, consolidamos nosso nome em Brasília. Em 2010, já líderes na capital e no Centro-Oeste, ousamos dar um passo maior: enquanto muitos recuavam diante da crise, nós escolhemos expandir.

O ousado plano de crescimento nacional, iniciado em 2012, se apoiou em três grandes pilares: fortalecer nossa governança para garantir transparência e longevidade; expandir geograficamente de norte a sul do país, unindo culturas e talentos sob uma mesma missão; e diversificar os negócios para ir além da medicina diagnóstica, ampliando nosso alcance e impacto.

Com a governança consolidada, chegou também um dos passos mais simbólicos da nossa trajetória: sair da operação diária para permitir que a empresa respirasse novos ares e ganhasse o ritmo próprio de uma nova liderança. Foi como ver um filho crescer, sabendo que era hora de confiar no que foi ensinado e deixá-lo seguir com segurança o próprio caminho. No Conselho de Administração, assumi a missão de ser guardiã do legado e da cultura que nos trouxeram até aqui, enquanto a nova gestão imprimia seu tempo, suas cores e seu jeito de liderar.

Vieram então os grandes voos: chegamos a mais de 78 cidades, integramos mais de 30 empresas à nossa história, criamos plataformas de atenção primária, apostamos em startups e healthtechs e ampliamos nossa presença no ecossistema de inovação — sempre mantendo o cuidado humano no centro.

Com o passar dos anos, percebemos que o Sabin não era apenas uma empresa de saúde. Era também um ponto de encontro entre ciência e humanidade. Nosso crescimento trouxe conquistas, mas também aumentou a responsabilidade de retribuir à sociedade tudo o que ela nos permitiu construir.

Foi dessa compreensão que nasceu um novo capítulo da nossa história. Em 2005, um gesto simples se transformou em algo maior: a certeza de que fazer o bem poderia ser mais do que uma escolha, poderia ser uma forma de vida. Assim nasceu o Instituto Sabin, pequeno em estrutura, mas imenso em propósito, edificado sobre as fundações que Janete e eu já vínhamos fortalecendo desde o início. Era a formalização de algo que sempre nos moveu: a responsabilidade social como essência, e não como acessório.

Lembro como se fosse hoje: éramos sementes plantadas no solo fértil de Brasília. Aos poucos, regamos esse projeto com cuidado, atenção e afeto. Entregamos não apenas recursos, mas olhares atentos, escutas verdadeiras e gestos que diziam

“nós nos importamos”.

Com o tempo, aquele broto ganhou raízes profundas e galhos largos, estendendo-se por 14 estados e alcançando milhões de pessoas com saúde, esperança e dignidade.
O Instituto Sabin é, antes de tudo, uma história de transformação — que começou pequena, mas cresceu no que tem de mais essencial: o impacto humano. Ele floresceu porque acreditamos que cuidar é agir, e que cada doação, cada ação e cada semente plantada são elos de uma corrente de solidariedade que não se rompe. Hoje, continuo sentindo orgulho de tudo o que construímos: um abraço coletivo que se expande e dá origem a novos abraços, multiplicando vida e esperança, vida afora.

Essa mesma força que nos moveu ao longo dos anos foi a que nos guiou no momento em que o mundo mais precisou de união e coragem. Quando em 2020, a pandemia chegou como uma tempestade inesperada, escura e intensa, exigindo firmeza no leme e coragem no coração, já sabíamos qual era o nosso norte: cuidar das pessoas. Escolhemos estar na linha de frente, guiados pelo compromisso de servir. Atuamos com a serenidade de quem entende que responsabilidade também é um ato de amor e com a ousadia de quem não teme inovar mesmo em mares turbulentos.

Continuamos investindo em transformação digital, em novos negócios e em formas mais humanas e inteligentes de entregar saúde. Mas, antes de tudo, olhamos para dentro: para a família, para os colaboradores, para cada pessoa que formava o nosso círculo mais próximo. Sabíamos que, para cuidar do mundo, precisávamos cuidar primeiro de quem estava ao nosso lado.

Aquele período se revelaria uma das maiores provas de fogo que já enfrentamos — e também uma das maiores lições. Aprendemos que ninguém atravessa tempestades sozinho e que o coletivo é a força que sustenta. A resposta do nosso time foi comovente: mais de dois mil colaboradores se ofereceram como voluntários para apoiar a vacinação no Distrito Federal, somando mais de 23 mil horas dedicadas. Montamos tendas, organizamos drive-thrus e aplicamos 58 mil doses de vacinas contra a Covid-19.

Em momentos assim, percebemos que o sentido de chegar longe é também levar outros conosco. Foi essa vivência — ver tantas mãos se unindo pelo bem comum — que reforçou ainda mais em mim a convicção de que sucesso não é linha de chegada, mas estrada compartilhada. Meu compromisso nunca se limitou às minhas próprias conquistas: sempre acreditei que quem chega até aqui tem o dever de manter o caminho aberto para que outras também possam chegar. E esse é um compromisso que assumi de forma ativa, tanto no Sabin quanto em toda a minha trajetória: inspirar mulheres, impulsionar carreiras, promover um ambiente empresarial mais ético, humano e inclusivo.

O meu legado vai além do empresarial. Está enraizado em uma atuação firme pela inclusão e pela diversidade, sustentada por políticas e práticas que garantem que a transformação social aconteça todos os dias — não como promessa distante, mas como realidade viva.
Essa missão também se estende para além das fronteiras do Sabin. Tenho orgulho de contribuir em conselhos e instituições que impulsionam o desenvolvimento empresarial e social, como o Conselho da Mulher do Distrito Federal, o Conselho Permanente de Políticas Públicas e Gestão Governamental do DF, o Conselho Fiscal do CODESE – Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal, o Conselho Diretor da Universidade de Brasília (UnB) e o Conselho de Governança da Amcham. São espaços onde a escuta e a ação se encontram para construir futuros mais justos e sustentáveis. É nesse diálogo constante entre o fazer interno e o influenciar o mundo ao redor que encontro sentido no meu caminho.

Hoje, ao contemplar o Sabin — maduro, responsável, inovador e reconhecido nacionalmente — sinto a confirmação de que acertamos ao construir nosso caminho sobre os valores tão fortes. Nosso maior compromisso é com um legado que não se mede apenas em números ou resultados financeiros, mas na transformação que promovemos: um legado de impacto positivo, de gente cuidando de gente, de inovação a serviço do bem e de amor que se perpetua.

Assim como Brasília cresceu, se reinventou e aprendeu a abraçar pessoas vindas de todos os cantos do país, também aprendemos a transformar diversidade em força e futuro em oportunidade. Esta cidade foi o berço dos meus maiores desafios e conquistas, cenário onde vi sonhos ganharem corpo e propósito. E, se Brasília é uma capital erguida para unir um país inteiro, o Sabin é a obra que erguemos para unir ciência e cuidado, técnica e afeto — um legado que, assim como esta cidade, continuará a pulsar muito além do meu tempo.

Entrevista– Flávia Teles

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62 Goiás: Quem é a Flávia Teles que os goianos talvez ainda não conheçam?

Resposta: Sou empresária, mãe, cristã e uma mulher que acredita que cuidar das pessoas é uma missão.
Minha vida sempre foi construída com base na família, no trabalho e na fé. Ao longo dos anos, tive a oportunidade de conhecer de perto a realidade de milhares de famílias goianas e isso fortaleceu em minha convicção de que a política pode ser um instrumento de transformação quando é exercida com responsabilidade, diálogo e sensibilidade.

62 Goiás: Sua história está muito ligada ao Maguito Vilela. O que essa caminhada representou para você?

Resposta: Conviver ao lado do Maguito foi uma grande escola de vida e de serviço público. Aprendi que política não é discurso, é resultado, é estar junto, perto das pessoas. É ouvir, respeitar e buscar soluções para os problemas delas. Ele sempre acreditou que nenhum cargo é maior do que a missão de servir.
Esse ensinamento permanece vivo em mim e influencia a forma como enxergo a vida pública.

62 Goiás: Existe o desafio de honrar esse legado e, ao mesmo tempo, construir uma identidade própria?

Resposta: Sem dúvida. Tenho muito orgulho da história que construímos juntos, mas não pretendo viver apenas do passado. Quero escrever minha própria trajetória. O legado do Maguito está nos valores que ele deixou, como humildade, diálogo e respeito pelas pessoas. Minha missão agora é transformar esses princípios em trabalho, com as minhas ideias e minhas prioridades.

62 Goiás:: O que motivou sua decisão de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados?

Resposta: Foi uma decisão amadurecida ao longo do tempo. Durante muitos anos acompanhei de perto a realidade dos municípios e percebi que existem muitas demandas que dependem de representação política séria e comprometida. Entendi que poderia contribuir de forma mais efetiva levando essa experiência para Brasília, ajudando essas cidades a terem voz, recursos e mais oportunidades.

62 Goiás: Como será o mandato que a senhora pretende construir?

Resposta: Quero ser uma deputada presente na vida das pessosas. Acredito em um mandato municipalista, que mantenha diálogo permanente com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e principalmente com a população. Meu compromisso é ouvir antes de decidir. Nenhuma política pública funciona quando é construída distante da realidade das pessoas.

62 Goiás: Quais serão suas principais prioridades?

Resposta: Minha atuação terá um olhar muito especial para a saúde da mulher, para a atenção materno infantil, para o fortalecimento das maternidades, para o apoio às mães atípicas e para políticas que valorizem as mulheres empreendedoras. Também quero contribuir para fortalecer a assistência social, ampliar oportunidades para crianças e adolescentes e defender investimentos que melhorem a qualidade de vida das famílias goianas.

62 Goiás: A senhora fala muito sobre cuidar. O que essa palavra representa?

Resposta: Cuidar vai muito além da área da saúde. Cuidar é ouvir uma mãe que enfrenta dificuldades para conseguir atendimento para um filho. É apoiar uma mulher que deseja empreender. É olhar para um município e entender suas necessidades básicas. Cuidar é tratar cada pessoa com respeito e compreender que toda decisão política tem impacto direto na vida das famílias.

62 Goiás: A parceria com o deputado estadual José Machado ganhou destaque nos últimos dias. O que ela representa?

Resposta: É uma parceria construída sobre confiança, respeito e objetivos comuns. O José Machado conhece profundamente o Vale do São Patrício e desenvolve um trabalho reconhecido na região. Nosso propósito é unir esforços para ampliar a representação da região e fortalecer os municípios. Política se faz com união quando o objetivo principal é servir às pessoas.

Pergunta: Qual será sua relação com os municípios, caso seja eleita?

Resposta: Quero estar presente. Não acredito em um mandato distante da povo. Pretendo visitar constantemente as cidades, conversar com lideranças, ouvir prefeitos, vereadores e moradores para compreender as prioridades de cada região. As melhores soluções surgem quando existe diálogo permanente.

62 Goiás: Na sua avaliação, quais são hoje os maiores desafios de Goiás?

Resposta: A população espera uma saúde mais eficiente e humanizada, oportunidades dignas de emprego, qualificação de mão de obra e educação de qualidade, não só números e estatísticas. Ela espera representantes que cumpram a palavra, que estejam presentes e que tenham compromisso verdadeiro com os municípios. É isso que quero oferecer.

62 Goiás: Como a senhora pretende conquistar a confiança do eleitor?

Resposta: Não acredito que a confiança seja conquistada apenas durante a campanha. Ela nasce da coerência entre o discurso e a prática. Quero apresentar ideias responsáveis, ouvir as pessoas e trabalhar com transparência. Quem representa a população precisa estar acessível e prestar contas do seu trabalho.

62 Goiás: Qual mensagem a senhora deixa aos goianos?

Resposta: Quero dizer aos goianos que estou iniciando essa caminhada com muita responsabilidade e humildade. Não apresento soluções prontas para todos os problemas, mas assumo o compromisso de ouvir, dialogar e trabalhar com dedicação. Acredito que a boa política é aquela que aproxima pessoas, fortalece os municípios e melhora a vida das famílias. É esse compromisso que levo comigo e que pretendo honrar todos os dias

Avenida Goiás

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A cidade que ensina o mundo a receber

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Pirenópolis é eleita a 6ª cidade mais acolhedora do planeta pela Booking.com  e revela que hospitalidade de verdade não se aprende em manual.

Era uma tarde de sexta-feira quando Valdélio Muniz desembarcou em Pirenópolis pela segunda vez na vida. A primeira havia sido vinte anos antes, em 2006, quando o analista judiciário de Fortaleza resolveu conhecer o interior de Goiás quase por acaso. Desta vez, voltava com uma missão diferente: provar para si mesmo que a memória não havia mentido.

O taxista que o buscou na rodoviária foi o primeiro a fazer essa prova por ele. Não apenas levou a bagagem. Contou histórias da cidade, indicou cachoeiras, perguntou de onde vinha. Quando chegou à pousada, o café da manhã do dia seguinte servido pela própria família proprietária, com tempo, carinho e sem pressa confirmou o que ele suspeitava desde o primeiro abraço da viagem: Pirenópolis não havia mudado no que importava.

“Pirenópolis se diferencia exatamente pelo seu espírito acolhedor”, diz ele. “É algo difícil de descrever, mas, além da sensação de segurança e de tranquilidade ao andar pelas ruas, a cidade consegue nos fazer sentir acolhidos não como meros turistas que passam e movimentam a economia, mas como se fôssemos parte da cidade ou quase da família. É algo que só se entende mesmo vivenciando.”

O que Valdélio viveu em abril tem agora um número e um endereço no mapa do turismo global.

Em 2026, a Booking.com divulgou o Traveller Review Awards o mais rigoroso ranking de hospitalidade do mundo, construído com base em mais de 370 milhões de avaliações verificadas de viajantes em 221 países e Pirenópolis apareceu na sexta posição entre os destinos mais acolhedores do planeta. Foi a única cidade brasileira no Top 10. Ao lado de Montepulciano (Itália), Takayama (Japão), Magong (Taiwan), San Martín de los Andes (Argentina) e Harrogate (Reino Unido).Uma cidade goiana de interior, a 150 quilômetros de Brasília, com ruas de pedra quartzítica, cavaleiros em armaduras medievais e café da manhã entregue numa cesta no quarto, dividindo um pódio com os destinos mais charmosos da Europa e da Ásia. Isso é Pirenópolis.

Rua principal do lazer durante a noite — movimento de turistas Foto: acervo Prefeitura de Pirenópolis

O QUE O PRÊMIO MEDE E O QUE ELE REVELA

O Traveller Review Awards não premia o hotel mais caro, a cidade mais bonita ou o resort com mais estrelas. O critério é preciso e democrático: a proporção de meios de hospedagem locais que receberam avaliações superiores a 8 na plataforma, combinada ao volume e à consistência dessas notas ao longo do ano. Na prática, isso significa que o prêmio mede o cotidiano o café da manhã de todo dia, o funcionário que atende às 23h, o sorriso na saída. Pirenópolis tem mais de 400 pousadas cadastradas. Para que a cidade chegasse ao sexto lugar do mundo, a esmagadora maioria delas precisou ser avaliada bem, com regularidade, por hóspedes reais. Não é um resultado de marketing. É um resultado de cultura.

“O reconhecimento foi recebido com muita alegria e orgulho”, disse a Secretaria Municipal de Turismo ao ser consultada pela Revista 61Brasilia /62 Goiás . “Esse resultado é consequência de um trabalho construído ao longo de muitos anos, envolvendo poder público, empresários, trabalhadores do turismo e toda a comunidade local.”

A premiação, segundo a própria gestão municipal, tem impactos que se percebem no médio e longo prazo ainda não há dados consolidados que atribuam um pico de reservas exclusivamente ao prêmio. Mas os sinais chegam pelos canais mais imediatos: nas pousadas, os hóspedes estão mencionando o ranking durante as consultas. Estão chegando de cidades mais distantes. E chegando com expectativas mais altas.

A POUSADA QUE O MUNDO ESCOLHEU

Em todas as cidades do Top 10, a Booking.com destacou um endereço como recomendação oficial.

Em Pirenópolis, a escolha foi a Confraria da Prata uma pousada de charme no coração do Centro Histórico, tocada pelo casal Tadeu Fregonasse e Isabella, com jardim, honest bar e café da manhã entregue em cesta no quarto, no horário escolhido pelo hóspede.

Tadeu não costuma pensar em hospitalidade como estratégia. Pensa como gesto. Quando um casal fez reserva mencionando que comemoraria aniversário de casamento, ele e Isabella prepararam flores na cama, espumante, bilhete e chocolate. Coisas simples, como ele mesmo diz. Nadespedida, o casal contou que havia sido a primeira viagem em anos em que tinham conseguido realmente desacelerar.

Casal Isabella e Tadeu Fragonesse, proprietários Confraria da Prata

“Mais do que hospedar pessoas, temos a oportunidade de participar de momentos importantes da vida delas e criar recordações.”

Geovani Ribeiro, proprietário do Villa do Comendador , Dádiva Hotel Boutique e Casarão Villa do Império.

O prêmio chegou como surpresa e como confirmação. “Foi uma mistura de surpresa, orgulho e gratidão”, diz Tadeu. “Receber um reconhecimento desse porte, baseado principalmente na avaliação dos próprios hóspedes, tem um significado muito especial. Aqui na pousada, compartilhamos a notícia com toda a equipe e celebramos juntos, porque entendemos que esse prêmio pertence a cada pessoa envolvida.”

Para Tadeu, hospitalidade nasce da empatia mas pode ser ensinada. A Confraria investe em processos, treinamentos e, sobretudo, em algo que não tem nome técnico: atenção ao detalhe.

“O atendimento diferenciado surge quando técnica e sensibilidade caminham juntas”, resume.

“Receber bem é fazer alguém se sentir feliz por estar ali. É tratar com carinho, abrir a porta com um sorriso, mostrar as coisas bonitas do lugar e fazer com que a pessoa vá embora querendo voltar.”

Tadeu Fregonasse