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Governo abre consulta pública sobre novo ensino médio

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Estudantes brasilienses concluem simulado do Enem Colégio Setor Oeste, Asa Sul, Brasília, DF, Brasil 7/7/2016 Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília.

Portaria foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial

O Ministério da Educação (MEC) abriu consulta pública para avaliação e reestruturação da política nacional de ensino médio. A portaria foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União e dá prazo de 90 dias para as manifestações, com possibilidade de prorrogação.

A consulta será implementada por meio de audiências públicas, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com estudantes, professores e gestores escolares sobre a experiência de implementação do novo ensino médio nos 26 estados e Distrito Federal.

As ações serão coordenadas pelo MEC, por meio da Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (Sase), com a colaboração do Conselho Nacional de Educação (CNE), do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais e Distrital de Educação (Foncede) e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

Após o prazo de manifestações, a Sase terá 30 dias para elaborar o relatório final a ser encaminhado ao ministro da Educação, Camilo Santana.

De acordo com o MEC, o objetivo da consulta é “abrir o diálogo com a sociedade civil, a comunidade escolar, os profissionais do magistério, as equipes técnicas dos sistemas de ensino, os estudantes, os pesquisadores e os especialistas do campo da educação para a coleta de subsídios para a tomada de decisão do Ministério da Educação acerca dos atos normativos que regulamentam o novo ensino médio”.

A atual política de ensino médio foi aprovada por lei em 2017, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, com o objetivo de tornar a etapa mais atrativa e evitar que os estudantes abandonem os estudos.

A implementação ocorre de forma escalonada até 2024. Em 2022, ela começou pelo 1º ano do ensino médio com a ampliação da carga horária para pelo menos cinco horas diárias. Pela lei, para que o novo modelo seja possível, as escolas devem ampliar a carga horária para 1,4 mil horas anuais, o que equivale a sete horas diárias. Isso deve ocorrer aos poucos.

Com o novo modelo, parte das aulas será comum a todos os estudantes do país, direcionada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na outra parte da formação, os próprios alunos poderão escolher um itinerário para aprofundar o aprendizado. Entre as opções, está dar ênfase, por exemplo, às áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ao ensino técnico. A oferta de itinerários, entretanto, vai depender da capacidade das redes de ensino e das escolas.

Em 2023, a implementação segue com o 1º e 2º anos e os itinerários devem começar a ser implementados na maior parte das escolas. Em 2024, o ciclo de implementação termina, com os três anos do ensino médio.

No início desta semana, entidades de trabalhadores da educação se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo a revogação da política. Na semana passada, em nota, o MEC reconheceu que houve falta de diálogo no processo que levou à promulgação da lei do novo ensino médio e anunciou a criação de um grupo de trabalho para reunir todos os setores educacionais interessados em discutir o andamento do novo ensino médio.

Depoimento de Torres à CPI será em reunião fechada no dia 16 

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, durante entrevista coletiva sobre a Operação Eleições 2022 no segundo turno.

Ex-secretário será ouvido na CPI dos Atos Antidemocráticos 

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal (DF) Anderson Torres, deve depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos em reunião fechada. A decisão, aprovada na manhã desta quinta-feira (9), no plenário da Câmara Legislativa do DF, foi resultado de um pedido do deputado distrital Chico Vigilante  (PT), presidente da comissão, e assinado pelos cinco membros da CPI.

O depoimento de Torres estava marcado para esta quinta-feira, mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o ex-secretário ficasse em silêncio durante a sessão e deu a opção de ele comparecer ou não. Diante disso, a defesa do acusado pediu que o depoimento fosse feito de maneira fechada, para evitar a exposição na mídia.

A reunião reservada está marcada para a manhã do dia 16 de março, apenas com a presença dos membros da CPI. Chico Vigilante destacou que Torres tem o direito de não querer se expor, mas que a comissão precisa ouvi-lo.

“Ele disse que tem muito a falar, que quer falar. E nós queremos que ele fale. Portanto, nós estamos apresentando um requerimento colocando todas as condições para que ele venha, sem a exposição, ele tem direito de não expor a imagem dele, mas nós não queremos a imagem, queremos a fala dele”, disse o deputado. 

O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) votou a favor do pedido, mas destacou que os depoimentos fechados não podem se tornar rotina nas CPIs porque são assuntos de interesse de toda a sociedade.

“Eu acho que a comissão parlamentar de inquérito cumpre um papel fundamental de trazer também transparência para a sociedade dos fatos ocorridos tanto no dia 12 de dezembroquanto no dia 8 de janeiro. então é fundamental que esse caso, que é um caso fundamental para esta Câmara, seja exceção”, disse Fábio Felix.

Torres está preso desde o dia 14 de janeiro. Ele é investigado por suspeita de omissão durante os atos golpistas em Brasília, no dia 8 de janeiro. O ex-secretário, que também foi ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro, nega as acusações.

Na sessão da manhã desta quinta, a Câmara Legislativa também aprovou a convocação de outras autoridades para depor na CPI, como a coronel da Polícia Militar do Distrito Federal Cintia Queiroz de Castro, que é subsecretária de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do DF.

Vacinação contra a mpox começa em março

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São 47 mil doses para pessoas com risco de evoluir para forma grave

A vacinação contra a mpox começa em março. O Ministério da Saúde informa que vai distribuir 47 mil doses da vacina contra a doença aos estados e ao Distrito Federal.

Segundo a pasta, os imunizantes serão enviados de acordo com o andamento da vacinação e com as demandas de cada unidade federativa. A data do início da imunização ainda não foi definida.

Nessa primeira fase, terão prioridade pessoas com maior risco de evolução para as formas graves como, por exemplo, portadores do vírus da Aids e profissionais de laboratórios. De acordo com o Ministério da Saúde, esse público-alvo inicial representa cerca de 16 mil pessoas.

Além desses, também está prevista a vacinação para pessoas que tiveram contato direto com os fluidos e secreções corporais de casos suspeitos ou confirmados para a mpox.

O ministério também informou que a estratégia e o público prioritário para a vacinação foram acordados com os estados, municípios e o DF. Os casos da doença estão em queda em todo o mundo e no Brasil.

Escola inclusiva deve considerar experiência de vida, diz professora

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ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER - Professora Teresa Mantoan. Foto: Arquivo Pessoal

Para ela, distância entre conteúdo e cotidiano dificulta aprendizado

    A distinção entre escola regular e especial não existe para Teresa Mantoan. Professora há mais de seis décadas, ela trabalha para sensibilizar a sociedade sobre a importância da construção de uma escola que inclua todos os alunos, com deficiências ou não. Em entrevista, para marcar o Dia Internacional da Mulher, comemorado nessa quarta-feira (8), a docente mostra como é possível pensar a educação inclusiva no país.

    “Sou professora desde 1961 e ocorre que o meu jeito de ensinar é muito próprio, não me alinho a nenhum método educacional, nenhuma didática específica. Eu acredito que as pessoas tendem para o conhecimento porque todos nós precisamos resolver problemas desde pequenos. O conhecimento é uma forma de a gente poder se ver cada vez melhor e criar situações que levem avanços ao conhecimento de todos”, afirmou a professora.

    Criança nota zero

    Segundo Mantoan, sua própria história de vida como uma aluna desinteressada na infância a motivou a buscar caminhos diferentes da metodologia de ensino convencional.

    “Eu sempre tive essa ideia porque desde criança fui aluna nota zero. Eu nunca consegui, na escola, ter um bom aproveitamento, como eles diziam, porque não via utilidade naquilo que era ensinado. Quando eu perguntava [sobre] alguma coisa em que tinha interesse, que dizia respeito às disciplinas, eu era podada. Em matemática, língua portuguesa, história, os professores diziam: ‘olha, você precisa saber isso agora’, e eu me sentia desprestigiada e sem vontade de continuar estudando uma coisa que já sabia. Como professora, fui a mesma coisa”, contou.

    Para Teresa Mantoan, a distância entre os conteúdos e o cotidiano dos alunos torna mais difícil o aprendizado das crianças. Segundo a professora, o sistema atual é baseado na simples reprodução de um modelo e impede a capacidade reflexiva do estudante.

    “Quando me formei como normalista, em 1960, fui, no ano seguinte, trabalhar em uma escola seriada, e as crianças já precisavam ter habilidades e competências para cursar determinado ano ou disciplina. Mas isso não vale. O que vale é aquilo que as crianças já viveram de experiências, e elas querem saber mais do que está previsto nas atividades curriculares. Todos somos curiosos, mas deixamos de ser porque a escola nos impinge conhecimento que – a meu ver – destrói a capacidade de conhecer, de recriar o conhecimento”, acrescentou.

    Inclusão

    Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil deve incluir todos os estudantes de 4 a 17 anos na escola. Os estudantes com necessidades especiais devem ser matriculados preferencialmente em classes comuns. Para isso, o Brasil deve garantir todo o sistema educacional inclusivo, salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

    Colniza, MT, Brasil: Crianças na escola da comunidade de ribeirinhos de São Lourenço.  (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
    Colniza, MT, Brasil: Crianças na escola da comunidade de ribeirinhos de São Lourenço – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    “O Brasil, pela Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), é um país genuinamente inclusivo e, no entanto, a educação inclusiva não considerava tudo isso e mantinha certos alunos em escolas especiais e instituições especiais”, criticou.

    “Estar com”

    No início de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou decreto do ex-presidente Jair Bolsonaro que incentivou, em 2020, a criação de classes especializadas em escolas regulares e escolas próprias para pessoas com deficiência. Na prática, o dispositivo abria caminho para a criação de escolas especiais para alunos com deficiência e aulas separadas, sem convivência com as outras crianças. A medida já havia sido suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mesmo ano, após questionamento da ação.

    “Temos uma clareza muito grande do que é inclusão. Inclusão é ‘estar com’, não é estar junto. Junto a gente pode estar em toda parte, mas ‘estar com’ significa compartilhar, colaborar, cooperar, principalmente conviver. A inclusão não é estar do lado, à frente do outro. É estar com o outro e isso é muito difícil nas escolas do jeito como o governo tem agido, a partir de toda essa discussão feita de 2010 até 2022. Os professores e as redes de ensino faziam interpretações, e ainda fazem, muito diferentes do texto da política”, disse.

    Escola melhora desenvolvimento de crianças com deficiência
    Escola melhora desenvolvimento de crianças com deficiência – Tomaz Silva/Agência Brasil

    Na avaliação da professora, ainda há um entendimento distorcido sobre o que é inclusão dentro da própria escola.

    “A inclusão implica mudança do modo como conceber, realizar e avaliar o ensino. Na concepção atual, a inclusão dos alunos da educação especial é muito complicada porque eles fogem do modelo [padrão]. Por outro lado, os pais das pessoas com deficiência se veem numa situação muito difícil, de fazer com que os professores tenham uma visão do filho deles como pessoas que não se encaixam em um modelo”, observou. “Os pais querem que seus filhos sejam vistos como pessoas e não [apenas] como ‘pessoas com deficiência’”. 

    Formação deficiente

    Atualmente, Teresa Mantoan lidera o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), criado em 1996 para ampliar as pesquisas na área de educação inclusiva. Para a professora, a formação atual ainda não capacita adequadamente docentes para uma educação de fato inclusiva.

    “A própria formação das universidades deixa muito a desejar, o pedagogo é malformado. Ao pedagogo se ensina a didática da matemática, da língua portuguesa, e isso não existe. Estamos em uma educação pós-moderna, o mundo é outro”, disse. “Ensinar não é simplesmente transmitir conteúdos, conhecimentos que não tenham gancho anterior na experiência da criança, que não tenham sentido para ela. Os conteúdos não funcionam como fim da aprendizagem. O conteúdo tem que ser um meio para que o aluno possa entender melhor o que o conteúdo quer dizer”, completou.

    Autora do livro A escola que queremos para todos, a professora defende que a educação não seja apenas reprodução de conteúdos programáticos, dividindo alunos por conhecimentos decorados. 

    “[A escola que defendo] é aquela em que alunos e professores vão experimentar o mundo a partir de conteúdos dos currículos, mas sem uma preocupação de que todos aprendam e tenham as mesmas capacidades de respostas e interesses. A escola difícil é essa [atual] que dribla para o que ela mesma quer, não o que é de interesse do aluno. Na prática, é fazer com que os professores e, principalmente, quem coordena as políticas educacionais entendam que estudar não é decorar conteúdo, muito menos ter as mesmas capacidades, pois elas variam entre as pessoas”, argumentou.

    Equalliz – Um Eco de Integridade leva juventude aos palcos do DF

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    O espetáculo Equalliz – Um Eco de Integridade está de volta aos palcos do DF e realiza o sonho de mais de 40 jovens artistas que buscam espaço no cenário cultural local. Sucesso nos palcos em 2022, com recorde de público com mais de 680 espectadores, a peça teatral conta a história de três irmãos que se perdem em uma jornada que mistura ficção e realidade, despertando no público a reflexão quanto aos limites e entendimentos sobre integridade. 

    As sessões acontecem neste final de semana no Teatro Sesc Newton Rossi, em Ceilândia Norte, sexta (10) e sábado (11) às 20h, e no domingo (12) às 19h. Os ingressos são gratuitos e podem ser adquiridos pelo site (https://www.sympla.com.br/evento/equalliz-um-eco-de-intergidade/1894086). Também será arrecadado 1kg de alimento não-perecível.

    Os jovens que atuam em Equalliz são alunos da oficina de teatro do Centro de Juventude, espaço que oferece capacitação educacional, profissional, artística, cultural e esportiva gratuita para jovens de 15 a 29 anos, de iniciativa da Secretaria da Família e Juventude do Distrito Federal. A preparação para os palcos também contou com o apoio e troca de experiências com renomes do setor artístico do DF, dentre eles Dill Diaz, Antônio Lucas, Bruno Coeoli, Douglas Zanon, Jefferson Leão, Higor Filipe, Manu Maia, Marcelo Lucchesi, Nati Maia e Silvia Viana.

    Clarisse Fleury e Gabriel Smithy dão vida aos personagens Gaia e Carrapicho, excêntricos habitantes da Floresta, e aguardam com ansiedade o retorno aos palcos. “Voltar aos palcos sempre dá aquele friozinho na barriga, mas é muito bom. Estamos fazendo de tudo para aperfeiçoar ainda mais nosso texto, nossas cenas e personagens”, diz Gabriel emocionado. Para Clarisse, “Equalliz é uma representação mágica daquilo que sentimos, principalmente como jovens artistas. Eu me emocionei muito quando soube do nosso retorno aos palcos. A gente tem tanto pra falar, sabe? Estar em cima de um palco contando sobre aquilo que nos faz transbordar é quase que inexplicável”.

    As apresentações têm apoio do Sesc +Cultura, produção do Coletivo Artístico CeinCena e realização do Centro de Juventude, IECAP Agência de Transformação Social e Secretaria da Família e Juventude do DF. 

    Equalliz – Um Eco de Integridade

    Ficha Técnica

    Apoio: SESC Cultura

    Produção: Coletivo Artístico CeinCena

    Realização: Centro de Juventude, IECAP Agência de Transformação Social e Secretaria da Família e Juventude

    Elenco: Anne Coelho, Beatriz Quintiliana, Cebê Leonam, Chiê Nui, Clarisse Fleury, Duda Gomes, Edu Sas, Érika Leandro, Evellin Ferreira, Gabi Aguiar, Gabriel Smithy, Gabriela Cardozo, Geovanna Santana, Guel Soares, Henrique Aragão, Jess Alves, Kauê Pocket, Kymberli Glitz, Laura Gois, Lacerda Rodrigues, Larissa Passos, Lay Lena, Leandro Victor, Leonard Al, Letícia Passos, Lírio D’Lune, Lisa Oliveira, Lôlô Vitória, Luciano Guedes, Luciano Lucas, Malu Guimarães, Manu Pinheiro, Mary Lesnau, Matt Dias, Mila Misquita, Normando Vasconcelos, Outono Yumi, Rany Ferreira, Renan Souza, Slanvy Fox, Suzy Shiroo, Victória Quintino, Vítor Rezende, Vitória Hanara, Zé Elias.

    Direção Geral: Dill Diaz 

    Direção de Cena: Dill Diaz, Doug Zanon e Marcelo Lucchesi

    Direção Musical: Luciano Lucas e Marcelo Lucchesi

    Direção de Canto: Antônio Lucas

    Direção Coreográfica: Bruno Coeoli 

    Direção de Arte: Doug Zanon

    Visagismo e Maquiagem: Nati Maia

    Iluminação: Manu Maia

    Cenário e Figurino: Dill Diaz, Doug Zanon, Marcelo Lucchesi e Nati Maia

    Direção Dramatúrgica: Dill Diaz e Marcelo Lucchesi 

    Equipe de Apoio: Ellen Cristine, Guilherme Rocha, Henry King, Silvia Viana, Taísa Bartowski

    Músicas Autorais:

    – Verdadeiro Caos (Grupo)

    – Dor que chama dor (Chiê Nui)

    – Abertura de Equalliz (Luciano Lucas e Laura Gois)

    – Equalliz (Suzy Shiroo)

    – O Pilar irá Cair (Vítor Rezende, Chiê Nui, Luciano Lucas)

    – Nem tudo é o que parece ser (Grupo)

    QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?!

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    Quem matou e quem mandou matar a vereadora Marielle Franco?

    Luís Turiba, do livro
    do “Desacontecimentos”

    há um dono
    pra cada pedaço
    de calçada

    um gerente
    pra controlar
    quarteirão

    são fronteiras
    barreiras
    valem nada

    condomínios
    na barra
    casarões

    galeras
    e hordas
    em guerrilhas

    são tropas
    comandos
    são quadrilhas

    são milícias
    polícias
    sem treliças

    são mandantes
    estão de
    fuzil na mão

    de que lado
    fico; isso
    vai dar merda

    mas eu
    vou perguntar
    quem me responde?

    o juiz ministro
    a pastora o bispo
    quero saber?

    quem mandou matar Marielle
    quem mandou matar Marielle

    não tem cara
    não tem corpo
    não tem osso
    nem tem pele?

    quem escraviza
    a favela
    quem apagou
    Marighela?

    não se renda
    não se esconda
    não se encubra
    nem se fira

    não tem cana
    nem xadrez
    não tem vez
    nem tem cela

    quem mandou matar Marielle
    quem mandou matar Marielle

    não fui eu
    mas sou ela
    fomos nós
    sou uma delas

    onde está
    o Amarildo?
    quem fuzilou
    Marielle?

    quem criou esse mundo asco
    quem é o mandante do carrasco?