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Perfil mais conservador do Congresso pode impactar pautas feministas

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É o que aponta estudo do Centro Feminista de Estudos e Assessoria

Parlamentares da nova legislatura têm um posicionamento mais conservador em relação a pautas relacionadas ao movimento feminista. É o que aponta o estudo Perfil Parlamentar (2023-2026) Sob a Ótica da Agenda Feminista, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), com base em análises dos conteúdos das redes sociais dos 513 deputados federais e dos 81 senadores (incluindo os eleitos em 2022). O Cfemea considerou somente as publicações feitas no período oficial de campanha eleitoral de 2022 (16 de agosto a 30 de outubro), em sites dos parlamentares e no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube.

O estudo

Por meio de 34 perguntas iguais para todos, o estudo avaliou se houve posicionamento sobre seis temas considerados relevantes para a agenda feminista: Direitos sexuais e direitos reprodutivos; Violência contra a mulher; Concepção de família; Posicionamento sobre o cuidado (por exemplo, divisão do trabalho intrafamiliar); Religião (entre os pontos observados: o Estado laico); Posições antigênero (como direitos LGBTQIA+).

A pesquisa constatou que os perfis dos parlamentares estão separados em cinco grupos ideológicos. E cada pessoa pode integrar mais de um grupo, conforme afinidades. São eles: armamentista (pouco mais de 10% do Congresso Nacional); religioso (aproximadamente 20%); de costumes/defensores da família tradicional (aproximadamente um quarto); feminista (aproximadamente 20%); conservadores (mais de 40%).

A coordenadora da pesquisa e doutora em ciência política, com pós-doutorado em estudos feministas interseccionais pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora em gênero, mídia e política, Denise Mantovani, em entrevista à Agência Brasil, comentou os resultados da pesquisa: “A gente tem desde o aspecto do impacto das redes sociais e dos discursos de ódio propagados. A gente está vendo que muitas dessas candidaturas se elegeram às custas de muita fake news.” E detalha alguns perfis: “No estudo, a gente percebeu que existem partidos que efetivamente concentram as posições da extrema direita, neoconservadoras, religiosas fundamentalistas.”

No entanto, Denise aponta convergência em alguns temas. “Existem parlamentares que podem ser aliados pontuais em determinados assuntos com os quais eles dialogam com os direitos das mulheres”. Ela destaca o combate à violência contra mulher. “Em uma situação em que eles sejam convidados a apoiar uma legislação que ajude a prevenir, enfrentar e combater a violência doméstica contra as mulheres, a violência sexual, o estupro, acho que existem possibilidades de arranjos com parlamentares de vários partidos para compor uma aliança com a bancada feminista e antirracista que está atuando na defesa e dos direitos das mulheres, em toda diversidade que essa palavra representa.”

Composição do novo Congresso

As mulheres representam 52,62% do eleitorado brasileiro, de acordo com a Justiça Eleitoral. Apesar de as mulheres serem a maioria, não há reflexo na composição do Congresso Nacional. O estudo do Cfemea confirmou que falta equidade de gênero e raça na representação política. Na Câmara dos Deputados, as mulheres representam 17,7% das cadeiras, com 91 deputadas. Com o resultado das urnas, foi mantida a hegemonia masculina (82,3%). A maioria dos deputados e deputadas eleitos é branca (72%). Em seguida, vêm os pardos (21%), pretos (5%), indígenas (0,9%) e amarelos (0,58%). No Senado, são apenas 15 mulheres entre 81 senadores, sendo que quatro delas são suplentes de senadores que ocupam cargos no governo federal.

Além da representação feminina ser baixa na Câmara e no Senado, as mulheres também estão longe dos principais postos de comando, como as presidências das duas casas legislativas, assentos nas mesas diretoras e nas comissões.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) cita os principais desafios para os próximos anos. “O primeiro deles é o envolvimento de todos os parlamentares – mulheres e homens – nesse debate. Estamos tratando do interesse de mais da metade da população brasileira, sendo que a outra metade também se beneficiará com o avanço civilizatório que é promovido a partir das conquistas das mulheres.”

Principais achados do estudo

O estudo do Cfemea mostra que, na Câmara, a maioria dos deputados (56,73%) não mencionou o aborto e a proteção às vítimas de estupro/violência sexual em suas postagens.

Já os 16 deputados e deputadas (3,12% dos eleitos) que se declararam favoráveis ao aborto são majoritariamente de legendas progressistas, de esquerda.

Mais de 320 parlamentares (63% das cadeiras da Casa) declararam diretamente ou fizeram menções a símbolos religiosos em mais de uma postagem no período eleitoral. E 89 deputados se manifestaram abertamente contra a ideia de que “religião e política não devem se misturar”.

No Senado Federal, dos 81 parlamentares, 45 (56%) declararam vínculo com alguma religião. E nenhum senador se posicionou favoravelmente, nas redes sociais, ao direito de interrupção da gravidez.

Sobre as composições familiares, 82 deputados (16%) identificados com o conservadorismo defenderam a chamada “família tradicional”, quando apresentaram suas candidaturas. E 11 deputados vinculam o cuidado com os filhos como uma atribuição das mulheres somente, sem mencionar qualquer divisão de cuidados.

Outro aspecto destacado na pesquisa é a baixa menção ao machismo (59 deputados ou 11,5% do total da Câmara) como um problema estrutural relacionado à violência contra as mulheres.

O estudo completo Perfil Parlamentar (2023-2026) Sob a Ótica da Agenda Feminista pode ser acessado aqui.

Desafios do novo Parlamento

No estudo, o Cfemea avalia que a realidade da política brasileira, “com a presença neoconservadora e da extrema direita no parlamento brasileiro, demostra quase nenhuma ou pouca afinidade com as pautas relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos, assim como os pilares democráticos”.

Na Câmara, na última legislatura, foram abordadas pautas como a defesa do não nascido e o direito à vida deste, com Estatuto do Nascituro; a dita proteção de crianças contra o ativismo LGBTQIA+ e a regulamentação do homeschooling.

Em seu segundo mandato, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) avalia como serão os trabalhos com a nova Câmara mais conservadora. “Essas novas lideranças femininas na política vão tentar levar o debate como se aquelas que lutam pelo direito das mulheres fossem suas inimigas. Mas, acho difícil que consigam retroceder concretamente nas leis brasileiras no que diz respeito às mulheres, porque existe muita força social para que o Brasil não admita retrocessos na pauta. Eu confio muito no poder de mobilização das mulheres brasileiras.”

Para a deputada, a aprovação de projetos de lei prioritários ao movimento feminista passa também pela articulação do atual governo federal, considerado mais progressista. “Os direitos das mulheres têm que estar presentes. Se depender só da composição do Congresso, se não houver um esforço que venha também do Executivo, de fato, a gente pode ter dificuldade de avanços em temas que não precisam nem ser tão polêmicos, mas que são necessários para o Brasil, como a igualdade salarial, ou mesmo, outras medidas de enfrentamento ao machismo.”

Futuro dos direitos das mulheres

No estudo, o Cfemea calcula que apenas um quinto do Congresso Nacional vai continuar a defender pautas feministas como “o combate às violências por razões de gênero, a diversidade das composições de família, o direito ao aborto legal e seguro e a laicidade do Estado”.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) dissque tem a expectativa de que “a ideologia não impeça o avanço dos direitos das mulheres.” Ela elenca pautas prioritárias: “Precisamos cobrar da Câmara a votação do projeto da igualdade salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função na mesma empresa [PLC 130, de 2011]. Outra: é preciso garantir a recomposição do orçamento de proteção à mulher. O governo anterior não aplicou R$ 1 na Casa da Mulher Brasileira, no ano passado, e reduziu a quase zero os recursos das políticas públicas de acolhimento e combate à violência contra a mulher.”

No Senado também é preciso construir acordos com diferentes bancadas, avalia o senador Paulo Paim (PT-RS). “O momento é de união, de conscientização e de reconstrução do Brasil. O diálogo com todos é o caminho para aprovação de matérias tão importantes.” Ele cita o que já vem sendo feito: “O Senado Federal conta com a Procuradoria da Mulher, liderada pela senadora Leila Barros [PDT-DF]. Temos ainda a Comissão de Direitos Humanos, que sempre defendeu essa causa e é um espaço que acolhe e dá voz às mulheres. A bancada feminina ainda é pequena, contudo, as senadoras são extremamente aguerridas e realizam um belo trabalho com os parlamentares homens comprometidos com a temática.”

Mulheres do Brasil e do mundo na política

Pela primeira vez, em 2023, as mulheres estão em todos os parlamentos do mundo, de acordo com o último relatório anual da União Interparlamentar, organização global que reúne 193 países. O relatório global mostra que, em 2023, as mulheres ocupavam, em média, 26,5% dos assentos dos parlamentos pelo mundo. Mas, no Brasil, apesar do aumento de 18,2%, no número de deputadas na última eleição (2022), os 17,7% das vagas ocupadas por mulheres na Câmara ainda apontam uma sub-representação feminina no Parlamento, em relação aos dados mundiais.

A legislação eleitoral brasileira traz incentivos à participação das mulheres na política. Os partidos políticos devem indicar 30% de mulheres aos cargos eletivos, além de destinar, no mínimo, 30% dos recursos públicos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha – mais conhecido como Fundo Eleitoral – para apoiar candidaturas femininas. Os partidos também devem reservar pelo menos 30% do tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão às campanhas de mulheres. Contudo, os estímulos não foram suficientes.

A ONU Mulheres, criada em 2010, incentiva a participação efetiva das mulheres na vida política, em todo o planeta. A analista de Programas da ONU Mulheres – Brasil, Ana Claudia Pereira, defendeu a liderança plena das mulheres na política para construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

“É uma questão de garantia dos direitos políticos das mulheres de participarem da vida pública em condições de igualdade, em relação aos homens. Por outro lado, é um tema também de desenvolvimento, porque a presença das mulheres, de mais da metade da população, de uma forma mais significativa nas instâncias decisórias, inclusive, no Congresso Nacional, leva a decisões que contemplam essa metade da população de uma forma mais eficiente. O que permite que a gente supere dificuldades do próprio desenvolvimento socioeconômico do país.”

- Papel do Congresso Nacional, em relação às pautas ligadas aos direitos das mulheres. - Ana Claudia Pereira. Foto: Emanuelle Rebelo/ONU Mulheres
Ana Claudia Pereira diz que a ONU Mulheres – Brasil tem atuado em conjunto com as parlamentares da bancada feminina no Congresso – Emanuelle Rebelo/ONU Mulheres

No país, a ONU Mulheres – Brasil tem atuado em conjunto com as parlamentares da bancada feminina. “A gente atua tanto oferecendo insumos, assessoria técnica, informações, dados, quanto apoiando e advogando publicamente por temas que são de grande relevância, como o enfrentamento da violência política de gênero”, conta Ana Claudia Pereira. “A ONU Mulheres soma esforços para que esses temas e outros ganhem visibilidade também e que seja possível conhecer experiências de outros países ou até dados do próprio contexto brasileiro.”

Ana Claudia conta como será a agenda de trabalhos com a legislatura recém-iniciada. 

”Continuaremos tendo essa mesma abordagem. Esperamos que tenha uma agenda de trabalho consistente e bem articulada no tema de ações para promover e garantir os direitos humanos das mulheres”.

Representação de todas as mulheres no Parlamento

Do total de 91 deputadas brasileiras, foram eleitas nove mulheres negras e quatro indígenas: Sônia Guajajara (PSOL-SP), que ministra dos Povos Indígenas; Célia Xakriabá (PSOL-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Silvia Waiãpi (PL-AP). E, pela primeira vez na história, a Câmara dos Deputados tem em sua bancada feminina duas deputadas trans: Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG).

O estudo do Cfemea destaca a necessidade de o Parlamento brasileiro se aproximar das agendas feministas e antirracistas. O centro feminista se preocupa com a apresentação de propostas que “podem fortalecer as violências por razões de gênero e raça”.

A analista de Programas da ONU Mulheres – Brasil, Ana Claudia Pereira, chama a atenção, particularmente, para grupos de mulheres que nem sempre são contemplados pelas políticas. “Estamos falando das mulheres negras, indígenas, lésbicas, bissexuais, transexuais e, também, mulheres com deficiência. Esses são grupos que, historicamente, enfrentam barreiras no acesso às políticas públicas e a direitos para os quais as casas legislativas podem, realmente, aportar muitas medidas, escutá-las.”

Para a senadora Zenaide Maia, a falta de projetos e políticas públicas voltadas aos direitos das mulheres “são o retrocesso civilizatório e o empobrecimento da base da sociedade, que é formada em sua maioria por mulheres negras”. “São essas mulheres as mais afetadas pelas crises econômicas, pelas pandemias, pela violência doméstica e outros problemas sérios da nossa sociedade, que é estruturalmente machista e racista”, observa.

O senador Paim acredita que “todas as pautas que tramitam no Congresso Nacional impactam diretamente e indiretamente as mulheres, principalmente, as mulheres negras, que são invisibilizadas pelas políticas públicas”. “As mulheres precisam estar onde elas quiserem, para o Brasil avançar de fato e de direito”, finaliza o parlamentar negro.

Pode poesia? Grupo de mulheres Elas+ lança livro de uma das integrantes no Dia da Mulher.

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O cotidiano durante a pandemia da covid-19 foi transformado em versos no livro de estreia da poetisa estreante Maurise Gaspar que aos 71 anos realiza o sonho de ser escritora, em obra financiada por meio do projeto Caixa dos Sonhos, do grupo Elas+; evento de lançamento acontece dia 8 de março, quarta-feira em Brasília DF.

“Vamos falar da mulher, este ser que se refaz. 
Que se nutre, se destaca com seu poder pessoal.
Por muito tempo acossadas, queimadas tão injustamente, 
hoje se erguem ousadas com seu cetro livremente.
Sim, tantos anos dominadas em silenciosa submissão.
Hoje, bem mais destemidas, conhecem sua missão.
Missão de ser mulher Elas Mais em uma jornada afetiva, 
assumem o poder pessoal, não tem medo de ser livre.
Reverencio as mulheres outrora tão torturadas, 
taxadas de feiticeiras, curandeiras, por serem tão bem-aventuradas.
A inveja masculina do milagre feminino, por parir um outro ser, 
Nunca irá entender, pois agredia mulheres com atitudes tão céleres.
Sabemos da alquimia que há no cerne mulher.”
Trecho de um poema do livro ” Flor de Mandacaru “

A obra reúne mais de 50 poesias criadas por Maurise, que contam, entre outras coisas, sobre sua própria vida ao longo de mais de sete décadas. A autora, que é natural de Fortaleza, Ceará, mas vive em São Paulo, com a família

O Grupo Elas + é composto mulheres criadoras, desenvolvedoras e entusiastas da web3, A poetisa é uma das quase 400 integrantes do grupo Elas+, fundado pela produtora Eloia Moreira

A publicação do livro foi financiada pelo projeto Caixa dos Sonhos, que é um dos mecanismos que apoio às integrantes do grupo Elas+, e foi criado por Eloia Moreira, produtora e fundadora do grupo. O projeto consiste em um financiamento rotativo de projetos das integrantes. A cada semestre, uma das integrantes é eleita para ser contemplada, e recebe, além do financiamento, apoio logístico e administrativo para colocar em prática a sua ideia.

“A Caixa dos Sonhos é uma das formas que temos de nos ajudarmos, umas às outras. Quando uma mulher consegue desenvolver autonomia financeira, ela não gera apenas renda monetária, porque muitas vezes esse dinheiro significa a sua liberdade integral, como mulher, significa a possibilidade de crescer e agregar mais mulheres, e esse processo é muito dinâmico, e tem resultados rápidos na vida de uma mulher”, explica Eloia.

No domingo, 12, o grupo vai se reunir no Parque da Cidade para um encontro que tem como temas principais a autonomia feminina por meio de iniciativas de empreendedorismo, e a importância de redes de apoio estruturadas entre mulheres. O encontro será realizado no Estacionamento 9 do parque, na Praça das Fontes, e também tem participação gratuita.

“Surgimos há poucos anos oficialmente, como Elas+, e hoje somos quase 400 mulheres ativas no grupo. Isso é um sinal muito evidente do quanto nós mulheres precisamos de espaços de apoio emocional, social, e que também nos possibilita o fortalecimento mútuo das iniciativas profissionais que cada uma de nós tem”, acrescenta Eloia.

A viabilização de “Flor de Mandacaru” contou com apoio da Bruna Pio (A autora gravou as poesias em áudio, e Bruna transcrevia, assim a publicação foi concluída ainda em 2022), A capa do livro é da Artista Plástica e Professora de Artes Duda Crisóstomo, todas integrantes do Elas+, para realização da sua primeira etapa, para a segunda, que contemplou a impressão da obra, com a edição do livro feita pela Editora Conquista. A tiragem inicial será de 200 exemplares.

Eloia Moreira e Duda Crisóstomo

O evento será às 18h30, no Restaurante e Empório Villa Vita, que fica na CLS 213, Bloco A, Loja 13, e a participação é gratuita. A poetisa estará no evento, autografando os exemplares, disponíveis para venda.

Lançamento presencial de “Flor de Mandacaru” — um percurso poético por mais de sete décadas”

Quando: dia 08 de março

Onde: Empório Villa Vita, que fica na CLS 213, Bloco A, Loja 13

Horário: a partir das 18:30h

Gratuito

Piquenique Elas 

Quando: dia 12 de março

Onde: Parque da Cidade – Estacionamento 9, Praça das Fontes

Horário: a partir das 9h até 12h

Gratuito

Vacina contra HPV e exame citopatológico previnem câncer de colo de útero

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No mês da conscientização da doença, o Março Lilás, especialistas fazem alerta sobre o quarto tumor mais incidente nas mulheres

Apontado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) como o quarto tumor que mais acomete mulheres, o câncer de colo de útero é o tema de conscientização do Março Lilás. O objetivo da campanha é alertar para a doença, que deve ter 17 mil novos casos no Brasil entre 2023 e 2025, correspondendo a um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.

“A prevenção primária tem enfoque em controlar o fator de risco da doença, que é o HPV; é a prevenção mais efetiva”Gustavo Ribas, oncologista

“Essa campanha é fundamental; é muito importante para a gente ter esse enfoque no câncer de colo uterino no que se refere à prevenção e à promoção de saúde”, explica o chefe da Assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer (Asccan) da Secretaria de Saúde (SES), o oncologista Gustavo Ribas.

Considerado silencioso, o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano (HPV), chamados de tipos oncogênicos. A vacina contra o HPV e o rastreamento pelo exame citopatológico, conhecido como papanicolau, são os dois métodos de prevenção primária e secundária. Ambos estão disponíveis na rede pública de saúde do Distrito Federal.

A médica Fernanda Dalcolmo recomenda exames preventivos. “Temos condições de detectar essas alterações precocemente e não deixar que um dia se transforme no câncer do colo do útero” | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Exames

“A prevenção primária tem enfoque em controlar o fator de risco da doença, que é o HPV; é a prevenção mais efetiva”, afirma Gustavo Ribas. “O grande poder biológico da vacina é nas pessoas que não iniciaram a atividade sexual, porque as outras já podem ter sido expostas ao vírus. Esse é o grande objetivo da vacina”. A vacinação foi iniciada no DF em 2014. Com a cobertura vacinal voltada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, estima-se que a imunização vá ter um impacto populacional nos próximos 20 anos. 

Para as mulheres entre 25 e 64 anos, a principal forma de detecção precoce é a realização do exame citopatológico, em que são obtidas por raspagem do material do colo do útero para detectar alterações nas células. O método é oferecido nas unidades básicas de saúde (UBSs). Em 2022, a rede pública realizou 42,5 mil exames – número maior do que os registrados em 2021 e 2020, quando foram feitos 36.384 e 41.733, respectivamente.

Colposcopia

Caso durante o exame preventivo seja identificada alguma lesão, a mulher é encaminhada para a realização da colposcopia, responsável pelo diagnóstico do câncer através de um aparelho que se assemelha a um binóculo e examina o trato genital feminino.

“É um exame complementar em que procuramos com o aparelho e o uso de algumas substâncias, que, na maioria das vezes, são decorrentes da infecção por HPV”, explica a ginecologista do Ambulatório de Colposcopia e do Patologia do Trato Genital Inferior do Centro Especializado em Saúde da Mulher (Cesmu), Fernanda Dalcolmo. “Temos condições de detectar essas alterações precocemente e não deixar que um dia se transforme no câncer do colo do útero”. 

Em 2022, a SES realizou 499 colposcopias, procedimentos que em 2021 foram 796 e, em 2020, 850. “A melhor prevenção é o rastreio, fazendo o preventivo, porque, na maioria das vezes, as alterações de colo de útero não têm sintoma”, revela  a médica. “Quando [a mulher] passa a ter, já está em fase muito avançada”. 

Quando a doença está em fase mais invasiva, os sintomas mais comuns são sangramento vaginal anormal, secreção vaginal, dor durante a relação sexual e dor na região pélvica. Sinais como inchaço nas pernas, problemas ao urinar ou evacuar e sangue na urina também são indicativos na fase mais avançada. O tratamento é feito com cirurgia e radioterapia, a depender do caso.

Projeto de Rafael Prudente institui o programa “Médico Solidário”

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O deputado Federal Rafael Prudente do MDB-DF, apresentou projeto de Lei que Institui o “Programa Médico Solidário”, que dispõe sobre o serviço social profissional obrigatório para graduados no curso de medicina, egressos de universidades públicas ou cuja formação superior tenha sido custeada, no todo ou em parte, por programas de financiamento estudantil do Poder Público, como FIES e PROUNI.

“Nossa proposta visa aumentar o alcance do fornecimento de serviços médicos na rede pública e promover a universalização da saúde. Com o aumento do número de médicos nas regiões mais carentes, vamos reduzir as desigualdades regionais na distribuição de profissionais, em especial com a interiorização da prestação dos serviços”, justificou Rafael Prudente.

De acordo com o projeto, os médicos deverão, como forma de contrapartida social, ficar à disposição dos Governos dos estados onde se graduaram para a prestação de 20 (vinte) horas semanais de serviço na área de saúde, pelo prazo de 24 (vinte e quatro) meses ininterruptos. Os serviços deverão ser prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou a instituições da sociedade civil sem fins lucrativos.

As prefeituras municipais poderão candidatar-se ao recebimento do trabalho dos profissionais do Programa Médico Solidário, por intermédio de requerimento específico encaminhado à Secretaria Estadual de Saúde, a quem caberá a formação e administração de um cadastro de profissionais.

A História do Yoga 

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A filosofia milenar do Yoga já soma mais de 300 milhões de praticantes em todo o mundo, segundo dados da The National Health Interview Survey. Cada vez mais adaptada às necessidades ocidentais e da vida moderna, a história do Yoga data mais de 5 mil anos de existência. 
Joseph Le Page, fundador dos métodos Yoga Integrativa e Yoga Terapia Integrativa, que já formou mais de 3 mil professores e yoga terapeutas no mundo inteiro, compartilha sua pesquisa sobre a história do Yoga em uma série de artigos, iniciando pela Época Védica, o Mantra Yoga.
   
Linha do Tempo do Yoga

1. Época Védica: cinco mil anos atrás. Mantra Yoga
2. Samkhya: uma filosofia originada a aproximadamente três mil anos atrás que influencia todas as outras tradições de yoga que vieram depois. A origem de Jnana Yoga
3. Época do Vedanta: três mil anos atrás. Jnana Yoga, Karma Yoga e Bhakti Yoga. Textos principais: Os Upanishads e Bhagavad Gita
4. Época de Buda: dois mil e quinhentos anos atrás. Raízes de Raja Yoga.Marca o início das tradições de yoga que não aceitavam a autoridade dos Vedas e que são, essencialmente, psicologias e não religiões.
5. Codificação do Yoga até então por Patanjali: dois mil anos atrás. Raja YogaDesenvolvimento da Meditação como ciência.Importância de poderes espirituais na prática de Yoga.Origem embriônica dos Chakras e do Tantra Yoga.
6. Época do Tantra: mil e quinhentos anos atrás. Chakra Yoga.O corpo como veículo ao invés de um obstáculo para a espiritualidade.O uso dos sentidos, cor, forma, som, como caminhos para o espírito.
7. Época do Hatha Yoga: mil anos atrás. Fortes influências de Patanjali e do Tantra.Enfoque na saúde e integração do corpo e da mente e da integração de polaridades como veículos para alcançar o espírito.
8. Época do Yoga moderna. De cem anos até hoje.Renascimento da cultura tradicional da Índia através de uma desilusão com relação ao colonialismo e modernismo. A propagação do Yoga no Ocidente e a reinvenção do Yoga como disciplina psicofísica. O professor de Yoga como agente da transformação da sociedade em termos de saúde física, integração psicoemocional e reconhecimento de crescimento espiritual como propósito da vida.

Os caminhos de Yoga no contexto das épocas da história do Yoga
1. Época Védica: de 3 a 5 mil anos atrás –
Caminho de Yoga associado com esta época: Mantra Yoga.
O uso de som para unir-se com o sagrado
A Índia antiga representa uma mistura de influências indígenas e influências da Ásia Central. O idioma Sânscrito tem origem na Ásia Central e forma a base do grego, do latim, do inglês e de outros idiomas europeus. Essa língua é muito mais que uma forma de comunicação. Ela é a fonte da criação do universo e o divino em manifestação mas, nessa época, somente através dos sacerdotes. O som de OM e o uso de mantras sagrados é o legado desta tradição.A palavra mantra quer dizer: “Aquele que carrega a mente”. Ele preenche a mente com intenções positivas que substituem padrões de negatividade.  
O controle da atenção e respiração
A religião desta civilização está codificada nos Vedas, uma coletânea de orações dedicadas a mais de cem deidades. Veda quer dizer “conhecimento”. O mais importante de todos os Vedas chama-se Rig Veda, e é composto de mais de cento e dez mil mantras em homenagem às mais de cem deidades. O mantra mais famoso do Rig Veda é o Gayatri Mantra.
Esta civilização indiana era organizada em castas: 1º os brahmanes – sacerdotes; 2º os kshatrias – políticos e guerreiros; 3º os vaishyas – comerciantes; 4º os shudras – trabalhadores.Os Brahmanes eram um grupo muito poderoso, porque a comunicação com as deidades e a obtenção dos favores e bênçãos advindas destas deidades eram adquiridas apenas através deles.A memorização dos vedas e o seu canto exigia a habilidade de controle da atenção e respiração, que são uma fundações de Yoga. 
Deidades como corporificações de qualidades positivas –
reflexos da natureza positiva do universo
Inicialmente, a prática de Mantras era usada como veículo de suplicação de bens e bênçãos às deidades. Estas deidades são arquétipos de qualidades universais que existem no cosmos e em nossa própria consciência. Ex: Ganesha = proteção; Saraswati = Criatividade; Lakshmi = Riqueza material e sutil: Shiva = purificação, Savitri = sol como símbolo de iluminação espiritual. O Mantra serve para purificação da mente, porque ele oferece um ponto de concentração fixo, positivo e repetitivo.

Sobre Joseph Le Page

Joseph Le Page é norte-americano, naturalizado brasileiro, com mestrado em educação experiencial. Em 1993, ele fundou o Integrative Yoga Therapy, uma das primeiras instituições a levar o Yoga para o sistema médico de saúde nos EUA. Em 1995, ele criou o programa de Yoga para Pacientes Cardíacos, no California Pacific Medical Center, San Francisco, Califórnia (EUA).

Desde 1996, faz parte da equipe de professores do Kripalu Center, MA, o maior instituto de Yoga dos EUA, tendo participado também da equipe de professores do Mestrado em Yoga, em Sonoma State University, e Antioch University, ambos na Califórnia.Nos últimos 20 anos, formou mais de 3.000 professores de Yoga e Yogaterapeutas pelo mundo.

Joseph integra a visão do Yoga, da pedagogia e da arte de curar, formando um programa de ensino de Yoga criativo e abrangente. Seu enfoque é apresentar a riqueza e profundidade da ciência do Yoga de maneira altamente experiencial e de fácil compreensão e, sobretudo, com bom humor.

É co-fundador do Centro de Yoga Montanha Encantada, em Garopaba, SC, o maior centro de retiro de Yoga e autoconhecimento da América Latina, inaugurado em 2003 e presidente do Instituto Yoga Integrativa, entidade sem fins lucrativos, localizada no Centro de Yoga Montanha Encantada, que promove programas de autoconhecimento e bem-estar, assim como patrocina programas gratuitos de Yoga e Yogaterapia para a saúde da comunidade.

Joseph é diretor do programa de Yogaterapia Coração Saudável, realizado desde 2006 em Garopaba, SC, em parceria com o PSF-NASF de Garopaba. Atualmente, o programa Coração Saudável atende pacientes em Garopaba, Imbituba e no Hospital Universitário de Florianópolis.

É coautor do livro Guippy – Guia Prático de Posturas de Yoga, um dos materiais mais utilizados em programas de treinamento de professor nos EUA e no Brasil, publicado pela Editora Yoga Integrativa. É também coautor do livro Mudrás para Cura e Transformação, publicado em inglês nos EUA e a ser lançado em português no início de 2019 pela editora.

Produtores de açaí armazenam energia solar com tecnologia nacional

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Pioneira na produção de açaí na Região Centro-Oeste, a Fazenda Bonança, localizada em zona rural próxima à cidade satélite de Sobradinho, em Brasília/DF, se antecipou aos riscos inerentes ao seu negócio e decidiu investir em uma tecnologia que usa energia solar de maneira autônoma: o NHS QUAD Híbrido.

O equipamento, que é o único produzido no Brasil, foi instalado pela C&T Estação Solar – um dos parceiros integradores da NHS.

Como a energia é fundamental para manter o açaí na temperatura ideal de armazenamento, problemas com quedas ou oscilações de energia causam grandes perdas financeiras para os produtores. “Os negócios que dependem da energia não podem ficar reféns das concessionárias e precisam buscar alternativas que garantam que o trabalho não pare”, afirma o diretor comercial e marketing da NHS, Fabio Moro.

A energia solar depende da energia elétrica para funcionar isso quando falamos na modalidade on grid, mas o Quad é tanto on grid quanto off grid, ou seja, ele injeta energia na rede elétrica e ainda conta com um backup de baterias para o armazenamento de energia solar. “Por se tratar de um sistema inteligente, o QUAD utiliza a energia solar para suprir as necessidades de energia elétrica do local e o excedente é armazenado em banco de baterias ou volta para a rede de distribuição gerando créditos que são revertidos em descontos na fatura de energia”, explica Moro.

Os proprietários da Fazenda Bonança, Jairon Honório Cardoso e Agnes Ashiuchi Cardoso testemunharam que o sistema de backup está funcionando de acordo com a expectativa deles. “Desligamos o disjuntor do padrão de entrada à noite e a fazenda apagou toda, ficando a casa da sede acesa onde está o maquinário da produção e os freezers de estoque do açaí.

A troca da energia foi quase imperceptível. Para quem vive numa área rural isolada, o sistema de backup automático faz uma grande diferença na segurança e na qualidade de vida”, conta o proprietário.

Além das cargas essenciais da residência e sua iluminação externa, o sistema solar foi instalado para alimentar as cargas que mantêm a conservação da produção de açaí. “Instalamos as baterias no banco, o conectamos no QUAD, fizemos as extensões de rede necessárias para as conexões das cargas essenciais e internet, colocamos o inversor na monitoração e testamos o funcionamento do sistema, que apresentou um desempenho excelente e conforme o projetado”, disse Miguel Cleto, engenheiro responsável da C&T Estação Solar.

Para o projeto da Fazenda Bonança, foi escolhido um kit com um Inversor QUAD 5kW com 10 módulos 545 AMERISOLAR, totalizando um sistema de 5,45kWp operando com 20 baterias estacionárias de 12V totalizando 240V para uma autonomia de 14h para as cargas essenciais.