Mapas mostram a vulnerabilidade das comunidades tradicionais da Amazônia na pandemia

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Mapas mostram a vulnerabilidade das comunidades tradicionais da Amazônia na pandemia

Maior parte das comunidades apresenta alto risco para a Covid-19

Povos indígenas e quilombolas enfrentam novos desafios durante a pandemia do novo coronavírus. Diante desse cenário, a Ecam realizou um estudo para analisar diferentes níveis de risco que podem determinar o impacto da Covid-19 nos territórios tradicionais. De acordo com a pesquisa, que analisou um total de 60 comunidades, 46 apresentaram risco alto, muito alto e altíssimo. Apenas 18 foram classificadas com risco moderado.

Importante ressaltar que as comunidades tradicionais, de modo geral, estão dentro do grupo dos mais vulneráveis. Estudos como esse podem apoiar no direcionamento das ações prioritárias para as comunidades ainda mais vulneráveis de forma emergencial, mas é fundamental o apoio a todas as comunidades, inclusive as de risco moderado, para evitar que estas se tornem de alto risco.

Ao todo, foram analisados 17 indicadores oriundos das organizações comunitárias, órgãos públicos e dados primários. Deste total de dados, 14 são comuns a Terras Indígenas e Territórios Quilombolas. Isso significa que, no caso das comunidades quilombolas, foi possível investigar 3 indicadores a mais devido a coleta de dados feita pelas próprias comunidades durante as atividades do Compartilhando Mundos.

Na avaliação da geógrafa e coordenadora de projetos da Ecam, Meline Machado, o objetivo é evidenciar as realidades das populações tradicionais da Amazônia e auxiliar na elaboração de estratégias para solucionar os problemas. “Essas informações podem subsidiar a priorização de medidas de contingência e apoio, seja de organizações não governamentais ou governamentais”, reitera.

Os povos ainda enfrentam falta de políticas públicas, dificuldade de reconhecimento, pouca infraestrutura, difícil acesso a saúde, educação e segurança, além da carência de outros direitos fundamentais.

Inicialmente, foram estudadas comunidades quilombolas e indígenas que vivem na margem dos Rios  Mapuera, Cachorro e Nhamundá, Trombetas, Cuminá/Erepecuru e Ariramba. A maioria das analisadas também tem dificuldades em acessar o auxílio emergencial por conta da falta de acesso à internet, problemas na efetivação do cadastro e falta de assistência para sanar dívidas.

Outro ponto citado na pesquisa é a dificuldade de acesso e deslocamento do território das comunidades que, na maioria das vezes, é via fluvial. “Isso encarece o transporte dos produtos para comércio. Nesse momento de pandemia, com as restrições de deslocamento entre municípios, esses transportes ficam ainda mais escassos”, ressalta Meline Machado.

Veja o estudo completo aqui.

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