Frente ampla de esquerda e centro-direita

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A nova presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, 26, está ajudando a articular um movimento nacional por uma “frente ampla” contra o governo Bolsonaro e em defesa do impeachment do presidente da República. Nessa articulação política, desde julho, quando tomou posse na presidência da UNE, Bruna já se encontrou com os ex-presidentes Lula, Fernando Henrique Cardoso e com presidenciável Ciro Gomes (PDT).

Outro movimento importante na montagem dessa frente ampla de partidos e organizações foi a participação dela nas manifestações contra o presidente Bolsonaro, no dia 12 de setembro, promovidas pelo campo de centro-direita, quando até subiu no carro de som do MBL (Movimento Brasil Livre).

“Tenho costurado com diversas lideranças do movimento social e dos partidos, como Lula, Ciro Gomes, Fernando Henrique Cardoso, a formatação de um ambiente que seja capaz de lotar as ruas em uma agenda permanente de mobilização. Foi neste sentido também que no dia 12 de setembro optei, enquanto liderança do movimento social, a me somar contra o governo Bolsonaro, convocado por grupos do qual temos profundas divergências sobre as lutas identitárias, condução econômica e de direitos”, diz Bruna Brelaz.

Por conta dessa posição, que destoa da maior parte dos partidos e entidades de esquerda, a presidenta da UNE vem sofrendo muitas críticas desse campo. Por outro lado, tem mantido boa interlocução com movimentos e partidos não associados à esquerda para o ato de 2 de outubro.

“Meu gesto e de outras lideranças da esquerda representam um grande chamado coletivo para que nas próximas manifestações, nos dias 2 de outubro e 15 de novembro, as mobilizações recebam mais brasileiros, mais instituições, mais grupos e partidos a fim de unir forças e promover o impeachment do presidente Bolsonaro pelos inúmeros crimes de natureza civil, penal e de responsabilidade que tem cometido nos últimos dois anos de seu (des) governo”, afirma a presidenta da UNE.

Caras da democracia

Não menos importante, Bruna Brelaz foca a sua gestão no retorno do movimento estudantil às mobilizações não mais visto desde o impeachment de Collor e os eventos de 2019.

“Com o apoio dos estudantes, da juventude brasileira, nos moldes das Diretas Já – movimento amplo em defesa do voto e eleições diretas; dos “caras pintadas” do movimento Fora Collor, nos anos 1990, do Tsunami da educação em 2019 – primeiras manifestações massivas contra Bolsonaro, a UNE vai convocar outra vez as novas ‘Caras da Democracia’ para transformar essas que devem ser as maiores manifestações políticas do nosso tempo”, afirma a nova presidenta da UNE.

Pauta educacional

Entre os temas a serem enfrentados em sua gestão, até 2023, Bruna Brelaz destaca: a luta pela reposição do orçamento das universidades federais; a renovação da Lei de Cotas, no ano que vem; políticas públicas para permanência na escola e elevar o debate pela defesa do meio ambiente e da Amazônia. A UNE tem 84 anos de atuação e representa cerca de 8 milhões de estudantes universitários.

Primeira mulher negra

A amazonense Bruna Brelaz, 26 anos, estudante de direito, é a primeira mulher negra à frente da entidade e também a primeira estudante da região Norte. Foi eleita em julho desse ano, em meio ao período mais desafiador da sua geração: pandemia da covid-19, crise social e econômica e em meio às mobilizações pelo impeachment.  Vai ficar sob o comando da UNE até 2023.

Por Antônio Paulo

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