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Guará e Estrutural recebem apresentações gratuitas do EP “Para onde vão as lágrimas”

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Grupo Chorando Baixinho divulga novo disco em shows em praças públicas do DF
Após passar pela Torre de TV, é a vez da Praça da Bandeira, na QI 07 do Guará, receber a apresentação gratuita do trio Chorando Baixinho, na sexta-feira (07), para divulgar o novo EP “Para onde vão as Lágrimas”. No sábado (8), o grupo segue para a praça em frente à Administração Regional da Estrutural. Os shows ocorrem a partir das 16h. 

O EP “Para onde vão as Lágrimas” conta com seis faixas, sendo quatro músicas autorais, e duas de renomados artistas da cena musical como Jacob do Bandolim e da banda brasiliense Natiruts. A turnê de divulgação, que conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, teve início em 01º de abril, na Torre de TV.

O EP é patrocinado e produzido por Alexandre Carlo, vocalista da Natiruts, e pela equipe técnica da banda. “Nos conhecemos casualmente e Alexandre ficou muito impressionado com o talento do grupo, que começou quando ainda éramos adolescentes”, conta Arthur Rodrigues dos Reis, mais conhecido como Caju 7 Cordas, violonista, produtor e diretor, que está fazendo a coordenação geral do projeto de divulgação do EP. Luís Velozo (bandolim), de 22 anos, e Victor Cortêz (Cavaquinho), de 21 anos, completam a formação do trio Chorando Baixinho.

Os shows circularão por três regiões administrativas do Distrito Federal e trarão o repertório instrumental do disco mesclado a outros choros, que receberão participação especial da cantora Dani Ribeiro. “Queremos despertar os mais jovens para a música e, especialmente, agregar novos públicos admiradores do choro, que é um estilo bem brasileiro e de profunda riqueza musical”, destaca Caju 7 Cordas.

As apresentações contarão com reserva de espaços para pessoas com mobilidade reduzida, idosos e portadores de deficiência. Recursos de libras e legendagem também farão a acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva.

HISTÓRIA – 
Amigos de infância, Arthur Rodrigues dos Reis, Luís Velozo e Victor Cortês montaram o Chorando Baixinho em 2016, quando tinham entre 14 e 16 anos. Formados pela Escola de Choro de Brasília, na qual foram alunos bolsistas, eles possuem uma carreira expressiva apesar da pouca idade. Já dividiram o palco com renomados artistas como Toninho Horta, Armandinho Macedo, Luciana Rabello, Ferrugem, Hamilton de Holanda, Grupo Molejo, entre outros.
Como integrantes da Orquestra de Cavaquinhos de Brasília, também foram convidados para representar o Brasil no Dia Internacional do Choro, para uma turnê em três cidades da Alemanha. Não puderam atender o convite por falta de recursos. Entretanto, foram selecionados para tocar para 48 embaixadores no evento do Brics, realizado no Brasil, e participaram de dezenas de apresentações no Clube do Choro com casa cheia.

SERVIÇO
Chorando Baixinho – Lançamento do EP “Para onde vão as Lágrimas
Shows gratuitos, com acessibilidade para pessoas de mobilidade reduzida
Quando: de 07 e 8 de abril.

Confira a programação:

Sábado – 08/04/2023
Local: Praça em frente à administração regional da Estrutural
 Horário: 16h

“Manual de Sobrevivência ao Casamento”

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Últimas apresentações da comédia do momento

A Cia. de Comédia G7 está em cartaz com um dos seus melhores espetáculos, a divertidíssima comédia “Manual de Sobrevivência ao Casamento”. A peça retornou com  novas piadas, mas mantendo a essência do sucesso que já fez temporadas em todo Brasil e acumulou mais de 200.000 espectadores desde 2012. 

São as últimas duas semanas para conferir um espetáculo criativo, diferente e se divertir com a história de Adauto e Evaildes, aos sábados e domingos, às 19 horas, no Teatro La Salle – 906 Sul.  

Sobre a peça: 

Por meio de um manual de regras para a boa convivência no casamento, o grupo conta a história de duas pessoas que se amam e sofrem as consequências dos conflitos da vida de casal. Morar junto, dividir o banheiro, ronco, TPM, gerência dos trabalhos domésticos, falta de elogios, toalha molhada em cima da cama, são milhões de situações e embates que ele, o casamento, cria para ameaçar a sua sobrevivência. Com muito bom humor, o G7 prova não só que casar é uma ciência, dependente de boa vontade, respeito e diálogo, mas também propõe uma reflexão sobre a necessidade quase instintiva do ser humano de ser feliz com outra pessoa, diferente de outros exemplos encontrados na natureza. Será possível ser feliz sozinho?

Como Sobreviver ao Casamento? 

O G7 promete ser fiel ao público e respeitá-lo, na saúde e na doença, na alegria e na alegria, para todo o sempre! E o presente do grupo é a revelação dos segredos para qualquer pessoa conseguir sobreviver ao casamento. A peça é dividida em capítulos que revelam como conviver sob um mesmo teto sem matar o seu companheiro e, ainda, cultivar o amor. De um jeito ou de outro as estatísticas não mentem: pessoas casadas vivem mais.

        O processo de criação do espetáculo foi intenso, com a preparação do texto em 4 meses, mais 3 meses de ensaios e produção. Ao longo desse período os artistas entrevistaram casais, grupos de homens e mulheres separadamente com pessoas de todos estados civis, consultaram livros sobre o assunto e entrevistaram especialistas na área como César Serra (cerimonialista) e Cátia Damasceno (professora de artes sensuais).

          As mulheres são as homenageadas nesta nova Comédia. 

Em comemoração ao mês da mulher a trupe decidiu voltar com a comédia que é uma ode ao amor e um reconhecimento da luta diária que é sobreviver ao casamento. Neste processo, as mulheres conseguem se destacar pela pressão que lhes é imposta a fim de que cumpram determinado papel social e, é para elas, que o G7 carinhosamente dedica esta peça. 

       “Manual de Sobrevivência ao Casamento” é principalmente para você mulher! Uma reflexão cômica para você que pensa em se casar, que já está à beira do altar, que é casada há muito tempo, ou, ainda, você que foge dessa história de véu e grinalda como o diabo foge da cruz! Uma peça divertida que busca passar uma mensagem positiva e respeitosa sobre essa poderosa instituição, além de provocar o espectador e a espectadora a pensarem, um pouquinho que seja, sobre si mesmos.

Sinopse do Espetáculo

Tudo começa com o primeiro pedido de casamento da história, nos primórdios de Adão e Eva. Por uma misteriosa influência da cobra, os dois se deixam levar nos planos para as bodas e, quando percebem, foram expulsos do paraíso, contaminados pelo vírus do matrimônio.

Em seguida, a peça transita por situações normais de relacionamento, como, por exemplo, o check-up do marido no médico da próstata ou a rotina de um casal após sete anos juntos. 

O espetáculo pretende transmitir a mensagem de que não existe um Manual de Sobrevivência ao Casamento único e apto a prever todas situações e conflitos da vida em casal, mas sim, vários possíveis, concebidos por cada um em sua vivência e aplicáveis com base no diálogo, respeito e na “arte de ceder”. 

A ideia que exsurge do espetáculo é a de que os problemas devem ser resolvidos paulatinamente, enquanto ainda são pequenos, porque o passar dos anos e o desgaste da vida partilhada em intimidade são ingredientes fulminantes para a sobrevivência do amor, da admiração e da vida a dois. Dizem por aí que casar é melhor que morrer queimado.

“Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.” Friedrich Nietzsche

SERVIÇO

G7 apresenta um de seus maiores sucessos: “Manual de Sobrevivência ao Casamento” – Últimas apresentações

Local: Teatro La Salle – 906 Sul

08/04 – Sábado – 19h

09/04 – Domingo – 19h

15/04 – Sábado – 19h

16/04 – Domingo – 19h

Ingressos a partir de R$ 40,00 (meia-entrada).

Meia-entrada: Todos os casos previstos em lei.

Ingresso Social: Para doadores de 1kg de alimento ou 1 livro.

Informações: (61) 99351-1369 (com Whatsapp)

Classificação indicativa: 14 anos   

Duração: 80 minutos

Não é permitida a entrada de crianças menores de 10 anos, mesmo acompanhadas dos pais.

Ingressos à venda:

Site: G7comedia.com

Bilheteria do Teatro – Nos dias de espetáculo a partir das 17h.

FICHA TÉCNICA:

Concepção, Texto, Direção, Produção e realização: G7 Produções Artísticas Ltda.

Elenco:

Felipe Gracindo

Félix Saab

Filipe Lima

Rodolfo Cordón

Entidades ligadas à educação aprovam suspensão do novo ensino médio

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São Paulo (SP), 15/03/2023 - Estudantes secundaristas protestam nas ruas pedindo a revogação do Novo Ensino Médio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Especialistas defendem diálogo com o governo para novo formato

A suspensão por 60 dias da implementação do Novo Ensino Médio (NEM), criado em 2017, repercutiu positivamente no meio educacional. O Ministério da Educação (MEC) suspendeu os prazos de parte do Cronograma Nacional de Implementação do NEM e aguardará a conclusão da consulta pública para avaliação e reestruturação da política nacional sobre o ensino médio. Para especialistas e entidades ouvidos, o tema deve ser tratado a partir de um diálogo do governo com o setor.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) considerou a suspensão importante para professores e alunos. “Frear a implementação do Novo Ensino Médio é um passo importante para os estudantes e professores que estão sofrendo os impactos de uma medida aprovada sem o amplo debate e o aperfeiçoamento de quem vive a escola diariamente além de possibilitar a construção de uma nova proposta para o Ensino Médio brasileiro”.

A presidente da Ubes, Jade Beatriz, defendeu a participação dos estudantes na elaboração do novo currículo. “É uma vitória, mas não é suficiente. A suspensão é um intervalo. Não queremos que o ensino médio volte a ser o que era antes da reforma. Mas é preciso incluir os estudantes nesta discussão. É um momento muito decisivo nas nossas vidas”, disse.

“Sem opção de boa educação e profissional, a gente vira mão de obra barata”, acrescentou. A presidente da Ubes sinalizou que fará ainda uma mobilização nacional pela revogação total e imediata do novo ensino médio.

O Todos pela Educação, organização da sociedade civil sem fins lucrativos e suprapartidária, fundada em 2006, aprovou a suspensão da implementação do novo ensino médio. Contudo, o diretor de Políticas Públicas da entidade, Gabriel Corrêa, argumenta que a decisão do MEC precisa ser feita de forma pactuada com as secretarias estaduais de Educação e com clareza aos professores e estudantes.

“Faz parte do jogo e é importante nesse período de consulta pública haver uma suspensão. É o que a gente tem chamado de um freio de arrumação. Mas o Ministério da Educação precisa dar mais clareza às secretarias de Educação, às escolas, aos profissionais e aos estudantes o que isso vai significar no dia a dia, nos próximos meses”.

O governo federal aguardará a conclusão da consulta pública para avaliação e reestruturação da política nacional sobre o ensino médio. As contribuições poderão ser feitas em audiências públicas, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com estudantes, professores e gestores escolares sobre a experiência de implementação do Novo Ensino Médio nas unidades da federação.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Katharine Ninive Pinto Silva entende que a suspensão do cronograma foi necessária, mas insuficiente. “É preciso que esse modelo de ensino médio seja revogado, tendo em vista o fato de que aprofunda as desigualdades de acesso ao saber historicamente produzido pela humanidade”.

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, organização da sociedade civil do campo da educação criada em 1999, entende que a medida do atual governo é um “primeiro passo” e requer providências posteriores. “Não é, obviamente, suficiente. E ainda faltou responder o que as escolas vão fazer nesse período de consulta e nos 60 dias: segue com brigadeiro caseiro? Volta à filosofia?”, disse a coordenadora geral da entidade, Andressa Pellanda.

No entanto, Andressa julga que a política educacional suspensa pelo atual governo não tem condições de ser remendada. Para ela, o problema maior está no modelo proposto. “Não serve para a formação plena dos estudantes, sua formação, para a cidadania e para o trabalho”.

Enem de 2023 e 2024

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023 não será impactado pela suspensão de 60 dias da efetivação do Novo Ensino Médio. As provas, que avaliam o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica e servem de porta de entrada no ensino superior, estão previstas para serem aplicadas em 5 e 12 de novembro.

Gabriel Corrêa, do Todos pela Educação, esclarece que as alterações previstas no Novo Ensino Médio, iniciadas em 2021, não serão consideradas no Enem deste ano, pois não estavam completamente implementadas. “O Enem deste ano não vai ser ajustado ao Novo Ensino Médio e já não seria mesmo. Não haveria mesmo mudanças em qualquer cenário. A portaria antiga, que foi suspensa agora, já indicava que o Enem de 2023 seguirá o modelo antigo do ensino médio”.

Para Corrêa, a grande discussão está em torno da aplicação das provas do Enem do próximo ano. “No Enem de 2024, [conforme] estava previsto no novo modelo de ensino médio, o estudante teria no primeiro dia provas comuns, com todos os estudantes fazendo o mesmo exame. E no segundo dia os estudantes teriam opções de escolha de que provas fazer. Esse Enem previsto para 2024 deveria ser adiado”, opina Gabriel.

Propostas

Katharine Ninive Pinto Silva propõe que a revogação do novo ensino médio possa ser feita “implementando, de fato, as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio de 2012, que orientam para uma formação para o mundo do trabalho, que possam integrar as disciplinas de formação geral a disciplinas de formação profissional nas modalidades integradas. Um exemplo dessa implementação são os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia”.

Corrêa não defende revogar tudo o que está na lei e voltar ao modelo anterior, porque, na avaliação dele, seriam perdidos alguns avanços. Ele prioriza o ajuste dos pontos falhos para superar desafios, tais como melhorar a infraestrutura das escolas, apoio aos professores e formação de diretores escolares.

Ele aposta na manutenção de três premissas do novo modelo: a expansão da carga horária do jovem, a flexibilização dos currículos e a integração da formação técnica profissional. “Valorizar a formação e a educação técnica no ensino médio, que hoje, de fato, não é integrado”.

Sexto parágrafo alterado, às 9h41 do dia 6 de abril de 2023 para corrigir declaração do entrevistado. Ele disse “escolas e profissionais”, não escolas profissionais.

Ministro reforça papel de agências de checagem contra fake news

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Brasília (DF) 24/03/2023 O ministro da Secom, Paulo Pimenta, acompanhado do ministro chefe da Secretaria-Geral da presidência, Márcio Macêdo, falam com a imprensa apos reunião no Palácio da Alvorada. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Para Paulo Pimenta, plataforma oficial não substitui sites privados

Lançada na semana passada para combater a disseminação de fake news, a plataforma Brasil contra Fake não pretende substituir as agências profissionais de checagem de notícias, disse nesta quarta-feira (5) o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta. Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, ele esclareceu os objetivos da página, no ar desde o fim de março.

“Esse site do governo não é uma agência de checagem. Ele é um espaço do governo para esclarecimentos à população. Para evitar que a população seja mal informada sobre um decreto, uma lei ou uma política pública. Esse é o objetivo desse site. Ser uma ferramenta importante porque transmite segurança, e as pessoas readquirem a confiança de que uma informação do governo federal é uma informação confiável. É uma fonte importante”, declarou Pimenta.

Nos últimos dias, a plataforma vinha recebendo críticas de jornalistas ligados a agências de checagem de notícias e de especialistas no combate à desinformação porque a página, segundo eles, se apresentaria como uma agência de checagem de notícias. Segundo os estudiosos, o termo “central de esclarecimentos” seria mais apropriado. Outro ponto criticado foi a falta de explicação para a seleção de conteúdos.

Atualmente, a página apresenta-se como “um portal de utilidade pública e informações sobre políticas públicas e ações governamentais”, com o objetivo de “esclarecer sobre informações do governo federal”. A plataforma apresenta reportagens produzidas pela Secretaria de Comunicação (Secom) rebatendo notícias falsas que circulam nas redes. O site também fornece orientações aos usuários sobre como denunciar fake news em cada rede social.

Consequências

O ministro-chefe da Secom falou sobre algumas consequências das fake news sobre políticas públicas e citou danos sobre a vacinação. “A ministra da Saúde me procurou pela quantidade de informação não verídica circulando nas redes sociais sobre campanha de vacinação. O Brasil já foi uma referência mundial nessa área. Já chegamos a ter 89% de cobertura vacinal no país. Hoje temos menos de 60%”, destacou Pimenta.

“Doenças como sarampo e a poliomielite, que já tinham sido erradicadas, voltaram a existir. Durante a pandemia de covid, tivemos uma tragédia. Agora já são 700 mil mortes, muitas delas que poderiam ser evitadas não fossem as campanhas de desinformação”, acrescentou.

Pimenta lembrou que a disseminação de fake news não é um problema exclusivo do Brasil. O ministro justificou a necessidade de uma campanha oficial contra a desinformação, orçada em R$ 20 milhões, dos quais R$ 5,6 milhões estão sendo gastos na primeira fase, que prevê o lançamento da plataforma e anúncios por três meses em televisões, rádios, sites, redes sociais e cinemas.

“Não é uma situação que envolve só o Brasil. Eu tenho tido a oportunidade de acompanhar muito esse debate a nível internacional. O governo federal acaba sendo uma das vítimas prioritárias de ações criminosas de desinformação e de fake news”, disse Pimenta.

Governo amplia acesso de exportadoras a financiamentos do Proex

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Atracação de navios no Caís do Porto do Rio de Janeiro, guindaste, container.

Limite de faturamento passou de R$ 600 milhões para R$ 1,3 bilhão

A partir de maio, mais empresas exportadoras poderão obter crédito do Programa de Financiamento às Exportações (Proex – Financiamento) para venderem ao exterior. O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) ampliou, de R$ 600 milhões para R$ 1,3 bilhão, o faturamento bruto anual das empresas que podem fazer parte do programa.

Em nota, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, informou que a decisão ampliará o número de empresas aptas a exportar pelo programa, estimulará a competitividade e o crescimento da economia, além de gerar mais empregos.

Segundo o ministério, o novo limite foi calculado com base na média entre o limite atual de R$ 600 milhões, corrigido pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde fevereiro de 2009, e a variação do dólar no mesmo período.

Segundo a Camex, nos últimos anos, aumentou o número de empresas que faturam mais de R$ 300 milhões e usam o Proex-Financiamento. Entre 2015 a 2018, de 7% a 9% das empresas que recorriam ao programa faturavam mais que esse valor. Em 2021 e 2022, o percentual supera 20%.

Baixa execução

De acordo com a Camex, os valores das exportações apoiadas pelo programa estavam caindo significativamente, com uma das causas sendo o baixo limite de faturamento das empresas. Nos últimos anos, a execução orçamentária do Proex-Financiamento ficou abaixo da verba prevista no Orçamento.

Em 2021, mais de R$ 1 bilhão deixou de ser utilizado no financiamento às exportações. Em 2022, a execução total foi de R$ 837 milhões, quando a dotação orçamentária foi de R$ 2 bilhões. Segundo a Camex, o limite de R$ 600 milhões em vigor desde fevereiro de 2009 hoje equivaleria a US$ 249 milhões, o que indicou a necessidade de atualizar os limites. “Com o novo valor [dos limites de faturamento], corrige-se uma distorção que afetava as exportações”, destacou o órgão.

Em operação desde 2001, o Proex financia exportações com juros e encargos compatíveis como mercado internacional. O programa tem duas modalidades: o Proex-Equalização, em que o Tesouro Nacional assume parte dos encargos financeiros, e o Proex-Financiamento, em que o Tesouro Nacional concede o financiamento diretamente.

Especialistas defendem espaços de expressão de sentimentos em escolas

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São Paulo (SP), 29/03/2023 - Professores de São Paulo protestam contra a violência nas escolas em frente à Secretaria de Educação, na Praça da República, após o ataque na escola Thomazia Montoro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

É preciso desenvolver cultura do diálogo, dizem educadores

A cultura de diálogo que fortaleça os valores democráticos nas escolas é um dos caminhos apontados por educadores para frear o aumento de ataques em escolas do país. Antes incomum, os crimes têm exigido atenção das autoridades e gerado alerta entre famílias e estudantes.  

Catarina de Almeida, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), vê as instituições de ensino mais vulneráveis por motivos que não estão ligados à falta de instrumentos de segurança. 

“As escolas têm sido perseguidas quando tratam de temas como educação sexual, questões de gênero, racismo, misoginia. Temos inclusive muitos parlamentares que expõem a figura do professor ou da professora. E isso é uma questão muita séria para a saúde psíquica desses professores. Ainda passam para a sociedade a ideia de que qualquer pessoa pode entrar numa escola e dizer o que ela deve ou não fazer “, avalia. 

Segundo Catarina, a redução de componentes curriculares de ciências humanas e sociais aplicadas – história, filosofia, sociologia e geografia – no ensino médio fazem com que estudantes tenha dificuldade de compreender noções de justiça, solidariedade, respeito aos direitos humanos e combate aos preconceitos de qualquer natureza. Ao mesmo tempo, Catarina defende a criação de políticas públicas para capacitar as comunidades escolares e familiares a identificar alterações comportamentais nos jovens e observarem o conteúdo digital consumido por crianças e adolescentes.

Para a educadora Telma Vinha, coordenadora de pesquisa realizada pela Unicamp sobre casos de ataques em escolas por alunos ou ex-alunos, é preciso desenvolver, por meio de políticas públicas, uma cultura de diálogo nas escolas que fortaleçam os valores democráticos. Ela defende a criação espaços de expressão de sentimento, voltados para fomentar um clima positivo na convivência, e também espaços de mediação de conflitos que podem envolver assembleias coletivas e reuniões privadas onde os estudantes aprendem a usar o diálogo em substituição à violência. 

“Hoje os profissionais da educação atuam como bombeiro. Só atuam depois que os conflitos entre alunos já estão ocorrendo na escola. É preciso criar um clima positivo de convivência capaz de evitar que eles surjam. Mas só é possível capitaneado pelo Ministério da Educação, por secretarias estaduais de educação. Não dá para responsabilizar individualmente cada escola”. 

Ainda segundo ela, quando ocorrem esses episódios, muitas das soluções apresentadas se baseiam apenas em medidas de segurança. “Nos Estados Unidos, o excesso de aparato de segurança nas escolas não resolve. Lá tem detector de metal, câmeras 3D, e os casos continuam ocorrendo”, alertou.

Paralelamente aos projetos que envolvem a escola, a ampliação do trabalho de inteligência é considerada fundamental. Na semana passada, mensagens contendo ameaças de ataque a uma escola do Rio de Janeiro foram encontradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública durante monitoramento na internet. O conteúdo foi encaminhado à Polícia Civil, que apreendeu uma adolescente de 12 anos, órfã de mãe e, segundo as investigações, com problemas de relacionamento na instituição de ensino, onde seria vítima de bullying. De acordo com os policiais, ela admitiu ser a autora das mensagens. 

Em 2021, um jovem de 16 anos também foi apreendido em Goiânia após a identificação de conversas onde ele anunciava admitia ser fã do nazismo e afirmava estar pronto para cometer algum ataque em escola, pois teria facilidade em acessar material bélico. Telma observa que hoje não há uma plataforma centralizada de denúncia, onde estudantes possam ir quando veem algo na internet ou em grupos privados.

“Às vezes contam para o diretor, que não sabe o que fazer e faz um boletim na delegacia do bairro”, relata. Ela avalia que a criação de um canal unificado facilitará com que as denúncias sejam feitas e permitirá que elas sejam levadas mais à sério e sejam investigadas com inteligência. 

Armas de fogo

Nem todos os episódios de violência em ambiente escolar estão relacionados com armas de fogo. Ainda assim, de acordo com o levantamento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as armas de fogo foram usadas em mais da metade dos casos: 12 dos 22 ataques. Em seis episódios, o jovem teve acesso ao armamento em casa.

O documento produzido pelo grupo mobilizado pelo professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Cara, compilou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública para apontar os efeitos das políticas de flexibilização das normas para compra de armas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2018 e 2022.  No período, o número de registros de armas em mãos de caçadores, atiradores e colecionadores quase sextuplicou alcançando a marca de 673.818.

“Esses dados são fundamentais para a desconstrução da narrativa que coloca essa violência na conta das escolas, que apontam soluções fáceis, que geralmente, culpabilizam as instituições escolares”, apontam os pesquisadores. Eles cobram alterações normativas e legais que revertam esse quadro. 

Mudanças na legislação

No documento, educadores defendem atualizações no Código Penal para tipificar condutas relacionadas à cooptação e recrutamento de crianças e adolescentes por grupos e ideologias de extremistas de direita. Também advogam pela tipificação da fabricação, comercialização, distribuição e veiculação de símbolos, emblemas, distintivos ou propaganda de teor supremacista que façam ou não uso da cruz suástica. 

Uma outra mudança fundamental na ótica dos pesquisadores é a adoção de um novo marco regulatório para a internet que seja capaz de oferecer mecanismos contra a circulação de discursos de ódio e desinformação promovidos não apenas por grupos neonazistas, mas também por lideranças públicas políticas e sociais que ganharam visibilidade em diversos lugares do mundo onde a extrema-direita cresceu nos últimos anos. Fóruns virtuais, chats, redes sociais e aplicativos como Telegram, Whatsapp e Discord se tornaram espaços de disseminação desses conteúdos. 

A responsabilização das plataformas pelas publicações dos usuários exige alterações no Marco Civil da Internet e é um assunto controverso que vem gerando debates institucionais. O tema esteve em pauta no mês passado em uma audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Telma Vinha observa que fóruns de grupos neonazistas se encontravam anteriormente na chamada Deep Web, que não é indexada em sistemas de busca e é de acesso mais restrito, demandando navegadores específicos. “Nos últimos anos, eles passaram para a superfície da internet. É de fácil acesso através das redes sociais”, afirma. 

Os pesquisadores da Unicamp possuem prints de mensagens ameaçadoras encontradas em redes sociais. Uma dessas postagens, em que o autor afirma já ter armas, vestimentas e um parceiro na escola que topou executar seu plano, continha 43 curtidas. A publicação ficou cerca de um mês no Twitter.

A forma de funcionamento dos algoritmos das redes sociais também gera preocupação: ao curtir uma mensagem desse teor ou assistir um vídeo contendo discurso de ódio, outros perfis e publicações similares são recomendados. E além de facilitar o acesso a esses conteúdos, muitos deles são monetizados a partir de publicidade direcionada pela própria plataforma. 

Abordagem jornalística 

Cuidados que a mídia deve ter ao reportar um ataque foram discutidos em webinário promovido pela Jeduca, uma associação formada por jornalistas que cobrem educação.

Pesquisadores consideram que determinados tipos de cobertura podem influenciar novos episódios. Segundo Catarina, é preciso uma abordagem jornalística que evite dar notoriedade ao autor do ataque, uma vez que este é exatamente o seu objetivo e a atenção da mídia é percebida como recompensa. Ela considera inadequado mostrar imagens da ação e dar relevância à história de vida do autor. “A exposição aumenta o status social daquele que provocou o ataque, gerando uma notoriedade que é desejada por outros”, observa. 

Em sua visão, o detalhamento da história de vida do autor acaba por individualizar o caso podendo, por exemplo, passar a ideia equivocada de que ele está unicamente relacionado com um quadro de depressão. Ela reitera que se trata de um fenômeno mais complexo. “Ficar dizendo que o autor estava se vingando por ter sofrido bullying e falar das origens do atirador pode fazer com outros jovens se identifiquem”, acrescenta a pesquisadora. 

Além disso, as extensas coberturas com o relato minucioso, que revelam o passo a passo do plano de ataque, podem proporcionar disseminação de informação indesejada. “Os autores buscam observar aquilo que outros já fizeram. Como eles não se conhecem, onde eles buscam obter essas informações? Na mídia. Então a mídia pode influenciar na proliferação desses ataques realizados por jovens em escolas”, avalia Catarina. 

A pesquisadora afirma que há projetos de lei em tramitação no Congresso inspirados em medidas adotadas na Nova Zelândia, onde é proibido noticiar informações sobre o autor do ataque e sobre os procedimentos utilizados. Ela também observa que diretrizes já elaboradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para cobertura de casos de suicídio também podem ser válidas para reportagens sobre ocorrências de ataques em escolas. A entidade recomenda evitar o sensacionalismo, não mostrar vídeos e fotografias da ação, não fornecer descrição passo a passo dos métodos. 

Para Catarina, é preciso reduzir o tempo de cobertura midiática sobre os ataques. De outro lado, ele acredita que a imprensa pode contribuir para o enfrentamento da situação se focar nas punições, se retratar a ação como algo vergonhoso e se, passado o calor do momento, acompanhar e cobrar a implementação de propostas