| Confira algumas curiosidades sobre a cidade, que faz aniversário no dia 21 de abril |
| Brasília é conhecida pelas belezas arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Burle Max e pelos desenhos e esculturas de Athos Bulcão. Muito se fala também da inauguração da cidade pelo então presidente da República Juscelino Kubitschek. Mas você sabia que a capital federal, que atualmente abriga mais de 4 milhões de pessoas, vai muito além do “avião”, o denominado Plano Piloto? Confira abaixo uma lista de 10 curiosidades sobre a capital, elaborada por Gilberto Assis, professor de História do Colégio Marista de Brasília – unidade Asa Sul. 1 – Nome da cidade – “Brasília” foi escolhido em 1823, mais de 100 anos antes da inauguração da cidade, por José Bonifácio de Andrada por conta de uma espécie de orquídea muito bonita que existia em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro; 2 – Transferência do litoral para o interior – a crítica à concentração da população brasileira no litoral apareceu pela primeira vez no livro “História do Brasil”, de 1627, do frei franciscano Vicente de Salvador. Já a menção à transferência da capital para o interior apareceu pela primeira vez durante a Inconfidência Mineira (1789) mas só figurou nas disposições transitórias da Constituição de 1824 3 – Muito além do avião – Além do Plano Piloto, Brasília conta com outras 32 regiões administrativas. No total são 33 regiões administrativas que abrigam mais de 4 milhões e 200 mil pessoas; 4 – E as esquinas? – O Plano Piloto de Brasília não possui esquinas. Ele é dividido em quadras e não há interseções entre avenidas e ruas. Além disso, não existem nomes de ruas e avenidas como em outras cidades brasileiras. Em Brasília, os endereços são compostos por letras e números, seguindo uma sequência lógica; 5 – A Papuda – O Complexo Penitenciário da Papuda recebeu esse nome porque na região morava uma mulher com bócio, doença causada pela deficiência de iodo na alimentação e que provoca um inchaço no pescoço gerando um grande “papo”; 6 – Dois lagos – A capital federal possui apenas um lago artificial denominado “Paranoá”. Mas na realidade deveriam existir dois lagos em Brasília. No local onde hoje se localiza um bairro chamado “Altiplano Leste” deveria existir um lago duas vezes maior do que o “Paranoá”, que seria chamado de Lago São Bartolomeu, que utilizaria as águas do rio São Bartolomeu; 7 – As pontes – Brasília possui no total quatro pontes sobre o Lago Paranoá: uma no Lago Norte – ponte do Bragueto – e três no Lago Sul: Ponte JK, Ponte Costa e Silva e Ponte das Garças. A ideia inicial era de que no Lago Norte deveriam ser construídas mais duas pontes, mas tais projetos nunca saíram do papel; 8 – O Parque da Cidade – O Parque Sarah Kubitschek possui 420 hectares – equivalente a mais de 580 campos de futebol – é um dos maiores parques do mundo, superando inclusive o Central Park de Nova Iorque, que possui 320 hectares. Ele tem uma vasta área verde e serve de lazer e recreação para a população local; |
Brasília 63 anos: oito coisas que você não sabia sobre a capital
Ensino Superior: conhecer o passado e gerir o presente para construir o futuro
| Por César Silva* A dificuldade de se entender o setor educacional como um setor de negócio, que precisa assegurar sustentabilidade para os prestadores deste serviço, é grande e se complica ainda mais quando é sabido que o resultado de um “serviço de formação” mal desenvolvido afeta a sociedade de maneira muito intensa e por anos. No caso específico da educação superior, para prever a sua evolução e fazer considerações sobre seus aspectos atuais é necessária uma reflexão importante sobre sua história e características inerentes deste setor. Ter lucro através da educação já foi visto como inaceitável por atores deste segmento. Desta forma, por anos, os detentores destas licenças identificaram formas de serem remunerados pelo serviço, alugando seus prédios para as instituições, gerindo as mesmas com seus familiares, de forma que, mesmo não gerando lucro, os mantenedores e seus “associados” eram beneficiados com as mensalidades e as instituições se mostravam não rentáveis nos balanços pós-custo. Este mundo de ilusões se baseou, durante boa parte do século passado, em uma política similar à do café com leite (esta era da alternância do governo federal), a política do “biscoito e da bolacha”: de um lado o João Carlos Di Genio, mantenedor da Universidade Paulista – UNIP e do outro o outro João, o João Uchoa Cavalcanti Netto, mantenedor do Grupo Educacional Estácio de Sá, uma marca carioca de ensino superior.Por anos, um acordo tácito entre os dois inovadores e disruptivos da época, garantiu que nunca as Unidades UNIP chegassem ao Rio de Janeiro e as unidades Estácio de Sá chegassem aos municípios do estado de São Paulo. Cabe destacar que, neste tempo, a oferta de ensino superior era para poucos, para descendentes de castas altas e de algumas famílias que se mostravam evolutivas da classe média; à medida que diversos setores evoluíam. Como em todos os acordos de gaveta, uma hora eles são esquecidos e rompidos. E foi do lado carioca que surgiu um ímpeto de crescimento, na época em que unidades da Estácio de Sá, ensino presencial, se proliferavam como fungos (bastava abrir a geladeira e lá estava uma nova unidade de ensino superior da Estácio de Sá), enquanto o Centro Universitário Radial foi comprado pela Estácio e, no quintal das unidades UNIP, surgiu uma concorrência. Esta história tem a finalidade de caracterizar um setor que tem como serviço um bem social, uma relação de atores que tem poucos anos que passou a se enxergar como instituições que devem atender sua finalidade, ser sustentáveis e valorizar seus mantenedores e acionistas e tem um histórico de pactos e acordos não triviais em segmentos de negócios com regulação mais intensa e bem estabelecida, até com órgãos reguladores privados. Agora, nestes primeiros anos da 3ª década do século XXI, de 2021 em diante, pós-pandemia e com o crescimento intenso da oferta de cursos EAD, os grandes grupos que se estabeleceram a partir de um ensino presencial, com instalações físicas hoje consideradas megalomaníacas, vemos os executivos destes grupos, que por anos acusaram os mantenedores anteriores (incluindo grupos que foram incorporados) de retrógrados e de gerirem olhando pelo retrovisor, assumindo esta posição de conservadores contra as mudanças tecnológicas e a nova realidade de atendimento a um perfil de aluno muito mais cliente e menos produto. E com necessidades mais atuais e menos tradicionais. A realidade do negócio educação superior mudou, da mesma forma que a produção manual passou para a produção em escala de maneira automatizada. Ainda continuamos consumindo medidores de água e luz, mas hoje são de plástico, e não de chumbo. Sendo a educação um bem social, o produto deste setor é inspiracional, precisa ser motivador, precisa ter vínculo com a continuidade do estudo, ao mesmo tempo que precisa ser eficiente, econômico, e mais ainda dinâmico para aceitar mudanças trazidas pelos setores que empregarão os formados nos cursos de graduação. Hoje, para ficarmos em apenas um exemplo que já grita uma grande diferença, ferramentas de Inteligência Artificial capazes de elaborar provas e corrigi-las, ao invés das horas de docentes mal utilizadas em tarefas repetitivas. Rever os custos do setor a partir de uma nova e possível realidade é, portanto, aceitar que a tecnologia existe, é mais barata e mais acessível e eficiente. O setor não aceita mais ilusionistas e a verdade se mostra mais rapidamente. É notório que a purificação do setor, independente do regulador, acontecerá. Até lá, quem conseguir romper com as suas amarras e construir projetos inspiracionais e com diferenciais tecnológicos e metodológicos realmente perceptíveis pelos leads, que são muitos, dará um grande passo para a continuidade de seu negócio. O Setor Educacional é inspiracional e a mais importante inspiração é a possibilidade de empregabilidade para os jovens, a chance de receita e a valorização dos currículos. * César Silva é diretor Presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) e docente da Faculdade de Tecnologia de São Paulo – FATEC-SP há mais de 30 anos. Foi vice-diretor superintendente do Centro Paula Souza. É formado em Administração de Empresas, com especialização em Gestão de Projetos, Processos Organizacionais e Sistemas de Informação |
Brasília, 63: novos candangos madrugam e sonham no centro comercial
Capital guarda caminhos de segregação e racismo, diz historiador
– Vamos comer, vamos comer. Já é meio-dia. Bora, Brasília.
A chamada é um grito no meio da multidão, que não são todos que podem obedecer. Não é por falta de fome. No centro comercial da capital, na Asa Sul, trabalhadores acordaram bem cedo, antes do céu se acender. Por uns sonhos, por uns reais, por todas as realidades que os cercam. O horário é o de menos. Não dá para parar. O cliente chegou. Os novos candangos estão no “corre”.
Que o diga o brasiliense João Wellington Batista, de 42 anos, motociclista de aplicativo, na ansiedade do próximo som do celular, que avisa qual será a próxima entrega. Nem o dedo enfaixado que ele lesionou, lavando a “bicha” (a companheira moto) com o motor ligado, faz com que ele dê um tempo do “trampo”. “Nem pensar dá pra parar. Tenho um filho de 13 anos para cuidar”. Na rotina, sai de Samambaia, a 30 km dali, antes das 6h da matina. Só volta para casa depois da meia-noite o filho de pais de Uberaba (MG) e Goiânia (GO).

Nem o dedo machucado faz com que o motociclista Joāo Wellington pare de trabalhar- Joédson Alves/Agência Brasil
Ele já passou por outros apertos. Joelho arranhado, bacia machucada. “Foram três acidentes nesses últimos tempos. O trânsito dá medo mesmo”. Mas não teve muita opção, desde que, em 2015, perdeu o emprego de porteiro, o último com carteira assinada. Ao lado de sua moto, outras aceleram ao primeiro som do celular. Os novos candangos estão em meio a uma mistura de barulhos.
Mistura também de cheiros e gostos. “Olha o churrasquinho. Quentinho. Vamos almoçar”. Mas ainda não é pro bico de Nathan Santiago, de 23 anos, que só vai poder montar a marmita depois das 14h30. Agora, tem que servir os outros. A fumaça que sai das churrasqueiras sobe para o nariz e para os olhos, embalada pelo clima seco da capital.

Enquanto esquenta os churrasquinhos, Nathan Santiago sonha fazer um curso superior. Joédson Alves/ Agência Brasil
Nathan sai cedinho de Planaltina, a quase 60 km do centro. Tudo vale a pena. Sonha fazer um curso superior em gestão de pessoas. Junto com ele, está no caixa do churrasquinho Sávio Silva, de 20, também planaltinense. “É uma correria difícil”. Menos difícil, segundo ele, do que a aventura por qual passou o pai carpinteiro, que saiu de Floriano (PI) para tentar a vida na capital. Hoje deseja mesmo fazer faculdade de administração. Enquanto pensam no futuro, ambos de máscara, só tiram do rosto para tomar água em uma garrafa que já foi de refrigerante.
Almoçar também não é a prioridade do goiano Fábio Araújo, de 40 anos, que está no outro lado da rua. Aliás, o comerciante administra dois negócios ao mesmo tempo: os docinhos em cima de uma mesa de plástico e a cadeira de engraxate. Foi lustrando os sapatos alheios que ele começou essa aventura de comércio de rua há 16 anos. Para complementar renda, resolveu juntar paçocas, balas e bananada para ter mais moedinhas no final do dia. Qual vale mais a pena? “Os dois. Importa que eu leve dinheiro para casa”.

Fábio Araújo vende doces, mas também atua como engraxate. Joédson Alves/Agência Brasil
A casa fica em Luziânia, a 60 km dali, o que faz com que ele desperte todos os dias às 4h da manhã para chegar ao centro de Brasília, às 7h. Afinal, a prioridade, nesse momento, é o tratamento do filho mais velho, de 18 anos, que foi diagnosticado com lúpus. Além dele, tem mais três filhos que precisam da atenção do pai. Todos na casa sonham um dia ter uma casa própria. “E saúde, para eu continuar trabalhando”. A esposa também madruga. Faz dindim caseiro para vender em Luziânia.
Entre as clientes dos docinhos de Fábio, a pernambucana Aline dos Santos, de 22 anos, que trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma empresa do centro, comemora ter registro em carteira.

A arcoverdense Aline quer prestar concurso público em Brasília. Joédson Alves/Agência Brasil
Tal e qual sonharam os pais, um pintor e uma empregada doméstica, desde quando saíram de Arcoverde (PE) para se instalar em Ceilândia, a maior região administrativa do Distrito Federal e que tem 60% da população, cerca de 140 mil pessoas nascidas no Nordeste. Outros 130 mil são descendentes diretos de pais daquela região.
Aline entra no serviço às 7h, o que faz com que madrugue no ônibus. “Sonho estudar mais e passar em um concurso da polícia”. Mas ainda precisa recuperar o tempo passado e terminar o ensino médio.
História de exclusão
Sonhos legítimos, apagamentos da história de trabalhadores da capital, reações sociais…. Para o historiador Guilherme Lemos, a Brasília do ano de 2023 guarda caminhos de segregação e racismo, como ocorreram desde a sua construção.

Guilherme Lemos estudou o apagamento dos “Dois Candangos”. Arquivo /Divulgaçāo
Ele cita um episódio ocorrido em abril de 1962, quando os trabalhadores Gildemar Marques, de 19 anos, nascido em Bom Jesus (PI), e Expedito Xavier Gomes, de 27, de Ipu (CE) morreram em um canteiro de obras da Universidade de Brasília. O fato foi também objeto de pesquisa de doutorado de Guilherme Lemos na tese “No dilacerar do concreto (leia aqui). Saiba também sobre as providência da Justiça do DF para reparação das famílias das vítimas”.
Em “homenagem” às vítimas, o auditório da universidade ganhou o nome de “Dois Candangos”, e não o nome deles.”A minha questão era justamente como que esse nome candangos acabou apagando essa história do Brasil”, explicou.
O pesquisador chama atenção que se trata da história de uma segunda geração de trabalhadores de um Brasil pós-abolição. O concreto da obra serviu, então, conforme o pesquisador, com a monumentalização que é Brasília, para ocultar esse passado do Brasil escravista. Um Brasil teoricamente disposto a não tratar do passado e até a escondê-lo.
“Essa monumentalização gera um apagamento da memória desses homens. Um passado que é de violência e romantização na tentativa de esquecimento”.
“Vim como mucama”
No presente da capital, o centro comercial traz histórias de recomeço. Como é o caso da ambulante Silvana Alves, de 43 anos, que vende roupas em uma barraca. Ela, que é da cidade de Piracuruca (PI), mudou sozinha para Brasília há cerca de 25 anos. “Vim para cá com menos de 18 anos de idade como mucama para fazer serviços domésticos. Não deu para estudar. Desde criança, vivia na roça. Hoje, consigo ajudar minha mãe que continua lá. Vou a São Paulo periodicamente para comprar os vestidos, blusas e casacos para ganhar alguma coisa”.
Na Feira do Pedregal, no Novo Gama, ela conheceu o marido Rubens Martins, de 31 anos, que vendia bijuterias, e nasceu em Niquelândia (GO). Resolveram juntar as esperanças e os varais de produtos. “Somos dois candangos”, diz ela.

O casal Silvana Alves e Rubens Martins se conheceram em uma feira e resolveram juntar os varais. Joédson Alves/Agência Brasil
De frente à barraca de roupas, três pessoas estão em volta de uma caixa de isopor com marmitas: Thaynara Alves, de 34, o marido Wender Soares, de 49, que também é taxista, e a filha de cinco meses. “Ela é a única que não pode ficar sem comer. A gente consegue”, diz Thaynara, que sonha mesmo ser profissional de saúde.

Na hora do almoço, só quem tem o horário respeitado é a filha de cinco meses. Joédson Alves/Agência Brasil
Hoje, ela cursa enfermagem à noite, perto de onde mora, em Luziânia (GO). Procura voltar rápido para casa de forma que o marido possa descansar. Afinal, atende os clientes a partir das 3h da madrugada. “O meu filho mais velho me jurou que vai fazer faculdade para realizar meu sonho. Queremos o mesmo para a nossa bebê, que ela goste de viver aqui”, explicou.
“Foi como um sonho”, diz o fotógrafo que registrou Brasília em 1957
Walter Firmo considera inesquecível a cobertura da capital do Brasil
Dos mais humildes aos poderosos. Das luzes às sombras. Nada escapou às lentes de um dos principais fotógrafos da história brasileira. Com obra consagrada e premiada na segunda metade do século 20, o carioca Walter Firmo, hoje com 85 anos de idade, notabilizou-se pelos registros poéticos e exclusivos por onde passou. No entanto, um dos momentos que o experiente profissional considera mais inesquecível foi uma cobertura no ano de 1957, quando registrou algo que ele chama de inacreditável: a construção de uma cidade para ser a capital do Brasil.
Enquanto erguia sua máquina, emocionava-se, do outro lado do visor, com os princípios das edificações. “Foi um sonho. Algo inacreditável. Parecia cinema”, recorda Firmo. Conhecido por registrar em diferentes trabalhos as pessoas mais simples, e também artistas e políticos, ficou impressionado com a força dos candangos. A obra do mestre da fotografia pode ser conferida também na mostra “No Verbo do Silêncio a Síntese do Grito”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na capital do País, com acervo que é preservado pelo Instituto Moreira Salles (IMS). Na capital, Firmo concedeu entrevista. Confira alguns trechos abaixo.
O senhor conheceu Brasília nos anos 1950, antes da inauguração, certo?
Walter Firmo – Eu estive em Brasília em 1957 (a serviço do jornal Última Hora, veículo fundado por Samuel Wainer). Eu tinha 20 anos de idade. Eu vi e fotografei essa cidade sendo erguida. Eram só os começos dos prédios dos ministérios e na Praça dos Três Poderes, além de milhares de candangos em cima de caminhões. Eles trabalharam incessantemente. Foi assim que eu conheci Brasília. Fotografei Juscelino Kubitschek (ex-presidente) e (Oscar) Niemeyer (arquiteto).
E qual foi a sua impressão ao chegar nessa cidade que seria inaugurada?
Walter Firmo – A minha sensação era que eu estava sobre um belvedere que iria surgir. Um lugar que seria o centro político das decisões do Brasil. O Juscelino fez um gesto gigantesco, de boa vontade, e que iria representar um crescimento do país. Ele interiorizou o país e o Brasil, que se diversificou.
Antes da inauguração, o senhor ainda fez outros trabalhos na capital?
Walter Firmo – Sim. Estive meses antes de inaugurar (em fevereiro de 1960) para cobrir a visita do então presidente norte-americano (Dwight) Eisenhouer. (Confira aqui o discurso do presidente Juscelino nessa ocasião). A imagem dele saudando o povo e dando as mãos com Juscelino ocupou uma página inteira. Nunca mais esqueço disso.
Além dos artistas e políticos, o senhor é consagrado também pela sua capacidade de traduzir a negritude, os trabalhadores e os mais humildes. Como foi coletar as imagens dos trabalhadores de Brasília?
Walter Firmo – O meu trabalho foi sempre fotografar as pessoas mais simples. Que respiram. Por serem simples, eles são mais humanos. A exposição de minhas fotos no Centro Cultural Banco Brasil (CCBB) mostra as pessoas simples. Eles são trabalhadores diferentes que ajudaram a construir esse lugar.
O que o senhor encontrou de mais especial ao fotografar esses trabalhadores de Brasília?
Walter Firmo – O que eles fizeram foi algo gigantesco. Era algo inacreditável. Parecia um sonho. Era uma coisa que parece que não era verdadeira. Brasília está aí mostrando a sua beleza. Outro dia, eu estava em Brasília e ouvi de uma senhora que o pai dela havia ajudado a construir a Catedral. Isso é muito belo.
Aos 85 anos de idade, como é voltar a Brasília?
Walter Firmo – Brasília é uma cidade brasileira singular, diferentes no mundo porque foi planejada. Quando se visita Brasília, pode se amar ou detestar, mas não se pode ficar indiferente. Eu gosto da diferença que essa cidade apresenta.
Ao voltar a Brasília, o senhor vê os trabalhadores da atualidade como viu antes da inauguração?
Walter Firmo – Os trabalhadores continuam com esse espírito de luta. Mas não os candangos de antes. Eram homens que vieram do Nordeste, de uma simplicidade extrema. Pessoas que não tinham o que comer e se aventuravam em um lugar novo. Eles tinham um chapéu e uma bota, e nada mais. Esse tipo de operário eu não vejo mais hoje. Aquela saga foi algo inigualável e inesquecível.
O senhor considera essa sua cobertura antes da inauguração algo inesquecível em sua carreira?
Walter Firmo – Sim. Era algo que parecia cinema. Não vou esquecer nunca mais. Hoje ela está muito moderninha para o meu gosto (risos). Foi uma semente de uma era. Hoje, com 63 anos, ela não tem nada de velha. Ela é linda. Toda vez que eu passo por Brasília, eu me emociono. Eu sinto algo estranho dentro de mim. Foi triste assistir ao que ocorreu no dia 8 de janeiro, quando foi atacada e vilipendiada. É uma cidade que representa o sonho de muita gente. Brasília é transformadora e original.
CENTRO DE REFERÊNCIA DO QUEIJO ARTESANAL – ESPAÇO INÉDITO NO PAÍS É INAUGURADO EM BH
Projeto arquitetônico do CRQA causa impacto e emoção nas pessoas reunindo histórias, ao mesmo tempo em que homenageia o queijo artesanal de Minas Gerais.
Belo Horizonte ganhou um espaço inédito no país, que traz a valorização de uma das principais iguarias da culinária mineira, o Centro de Referência do Queijo Artesanal – MG (CRQA). Com a proposta de ser uma vitrine para o mundo de um dos maiores patrimônios do Estado de Minas Gerais, o projeto arquitetônico, assinado pelo português José Lourenço, mistura modernidade e tradição, em uma área de quase 750m², tendo como inspiração estética as serras e riquezas de Minas.
Localizado no novo shopping Espaço 356, e com direção executiva de Sarah Rocha, o Centro pode ser avistado de longe, uma vez que a arquitetura tirou bom proveito do pé direito de 5 metros do local. O elemento icônico que pode ser avistado à distância é a cúpula arredondada em vergalhão de aço corten, um aço patinável, que possui em sua composição elementos que melhoram as propriedades anticorrosivas. Segundo o arquiteto do projeto, nada nessa escolha é aleatório. “Enquanto o material recorda as riquezas minerais do Estado e a relevância das suas indústrias, a forma arredondada acolhe e abraça, como se faz numa boa casa mineira”, traduz ele. Outro fator que chama atenção, é sobre a questão prática para o design da cúpula, já que ela não possui uma frente principal, o que possibilita o aproveitamento de todos os seus ângulos. O auditório polivalente tem capacidade para até 200 pessoas sentadas e será usado para atividades formativas em temas de cultura e gastronomia, com uma cozinha didática completa.
Já na loja, as referências à paisagem do Estado deram o tom. Com uma proposta que convida ao mesmo tempo que impressiona e entretêm o visitante, o espaço é delimitado por paredes que reverenciam a natureza montanhosa e, ao mesmo tempo, conduzem os que passam pelo seu interior. A loja, aliás, exerce um papel fundamental. Além de ser a principal vitrine do queijo, ela é multifuncional, servindo como bilheteria e hall de distribuição para quem vai ao Centro de Referência ou ao Instituto de Hospitalidade e Artes Culinárias (Inhac), espaço que fica anexo ao CRQA. O instituto é uma escola de gastronomia de padrão internacional que irá formar jovens de instituições, vindos de situações de vulnerabilidade social, entre 15 e 18 anos e também conta com a assinatura arquitetônica de José Lourenço.
Contemplando os projetos (CRQA e Inhac), uma charmosa cafeteria integra o Centro de Referência do Queijo Artesanal e, assim como em todos os outros ambientes, também exalta as riquezas do estado. Os revestimentos escolhidos são todos originários da região, com destaque para a pedra de nome Café do Cerrado. Além de funcionar como uma cafeteria regularmente, o ambiente também foi criado para fazer as vezes de foyer da cozinha industrial do INHAC, cujas atividades serão capitaneadas pelo chef Leonardo Paixão.
Para a diretora-executiva Sarah Rocha, esse projeto é uma homenagem aos mineiros e um presente para os turistas. “Sabíamos que era fundamental que o espaço físico fizesse a ponte entre o tradicional e o moderno, entre Minas e o mundo, entre a raiz e as asas. Essa é a mistura perfeita entre gastronomia, cultura e arquitetura”, comenta ela.
O Centro de Referência do Queijo Artesanal conta com uma exposição permanente sobre os modos de fazer do Queijo Artesanal, loja colaborativa de produtos mineiros, sala de aula com cozinha didática, a primeira biblioteca especializada na cultura e gastronomia de Minas Gerais, além de um espaço multiuso para receber diversos eventos culturais e educativos.
SERVIÇO:
CENTRO DE REFERÊNCIA DO QUEIJO ARTESANAL E INHAC
Espaço 356 (Rua Adriano Chaves e Matos, 100 – Olhos D’Água)
Abertas as inscrições para a Maratona Brasil pela Educação Climática
Pré-inscrição vai até 23 de abril
Estão abertas as inscrições para a Maratona Brasil pela Educação Climática, que será realizada no dia 28 de abril, quando se comemora o Dia da Educação. A data foi estabelecida em função do Fórum Mundial da Educação, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
A maratona foi criada pelo Climate Reality Project Brasil, filial brasileira da ONG fundada pelo ex-vice-presidente dos EUA e Nobel da Paz Al Gore. O evento será um hackathon online(maratona de programação), com o objetivo de reunir pessoas de todo o país interessadas em propor soluções para desafios relacionados à educação climática. Segundo a organização, a ideia é promover a colaboração e estímulo à criatividade e o pensamento crítico em relação aos problemas climáticos no cenário brasileiro.
Desafios
Os desafios foram propostos pelos Líderes da Realidade Climática, que fazem parte da rede de voluntariado do Climate Reality Project Brasil. Os detalhes e o cronograma estão disponíveis no site da ONG.
Para a maratona, serão criadas equipes de dois a sete membros no dia do evento, podendo incluir pessoas dentro de sua organização ou indivíduos que desejam ingressar em um grupo.
Evento é aberto e não exige conhecimentos técnicos específicos sobre clima. Os participantes trabalharão em desafios de sua escolha e apresentarão soluções inovadoras, recebendo um certificado de participação ao final do evento.
A pré-inscrição está disponível até 23 de abril, e a inscrição vai até o dia 24, e pode ser feita na página da maratona.
Serviço
Maratona Brasil pela Educação Climática
Pré-inscrições de 12 a 23 de abril
Outras informações na página do The Climate Reality Project Brasil
*Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara







