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Brasil é premiado em maior evento de design e cenografia do mundo

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(c)Hernan Pinon Arias2015

Prêmio foi na categoria Melhor Trabalho em Equipe

O Brasil recebeu o prêmio de Melhor Trabalho em Equipe na Mostra dos Países e Regiões da 15ª Quadrienal de Praga (PQ’23), considerado o maior evento mundial de design, performance, cenografia e arquitetura teatral.

O prêmio foi para a exposição Encruzilhadas: acreditamos nas esquinas, uma instalação imersiva e interativa composta por sete esculturas sonoras, chamadas “oferendas sonoras”, criadas de forma colaborativa por artistas de todos os estados do país. Mais três oferendas foram criadas pela curadoria, em parceria com artistas selecionados.

Não é a primeira vez que o Brasil é premiado no evento. Já ganhou três medalhas de ouro e duas Trigas de Ouro, premiação máxima, nos anos de 1995 e 2011.

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) investiu R$ 1,5 milhão para a participação da delegação brasileira no festival, que ocorre até o próximo dia 18 na capital da República Tcheca.

14/06/2023 -Praga - Brasil é premiado em maior evento de design e cenografia do mundo, a Quadrienal de Praga (PQ). Foto: Samuel Kobayashi/ Divulgação
 Obra da exposição Encruzilhadas: acreditamos nas esquinas – Samuel Kobayashi

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor de Artes Cênicas da Funarte, Rui Moreira, disse que a exposição coletiva reflete a diversidade do país, por meio da construção de figurino, de cenário e sonorização. “Mostram um pouco dessa riqueza geral da nação que a gente transforma nesse novo viver, nesse olhar, em imagens, em sonhos, em cantaria”, disse.

Moreira destacou ainda que o prêmio por equipe joga visibilidade aos técnicos, que não costumam ser lembrados. “Quando a gente tem um espaço em que aquilo que é a arte final pode trazer e expor as etapas que são construídas por verdadeiros mestres também, isso é muito rico e nos deixa muito contentes”.

Criação da exposição

Para contemplar a pluralidade das cenas do país, a curadoria da exposição fez um levantamento das obras cênicas apresentadas entre 2019 e 2022 em todos os estados brasileiros.

Foi selecionado um artista da sonoridade da cena de cada unidade da Federação para o trabalho coletivo. Em dois estados, formaram-se duplas, totalizando 29 artistas. Organizados em sete grupos com quatro a cinco artistas, eles trabalharam em modo online por aproximadamente um mês para a criação das sete oferendas sonoras.

No mês de abril, partes das criações e elementos de cada oferenda foram levadas para São Paulo e ganharam corpo, com a colaboração de alguns artistas e técnicos, que juntos com membros da curadoria, fizeram pré-montagem da exposição apresentada em Praga.

A representação brasileira foi coordenada pelo movimento PQBrasil e organizada pela associação Grafias da Cena Brasil.

A Quadrienal de Praga é organizada pelo Ministério da Cultura da República Tcheca e realizada pelo Instituto de Artes e Teatro de Praga. As exposições dos países e regiões são conduzidas por organizações culturais importantes de cada país.

Envelhecimento e pobreza são principais fatores de risco para cegueira

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Estudo estima que Brasil tenha 1,5 milhão de pessoas cegas

Pessoas de faixas etárias mais elevadas e com menor poder aquisitivo estão mais suscetíveis a cegueira ou baixa visão, de acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). 

O documento, intitulado As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2023, faz uma radiografia do segmento no país, tomando como base estimativas mundiais da prevalência de doenças oftalmológicas, somadas a dados demográficos e socioeconômicos do Brasil. 

De acordo com o estudo, as principais causas de cegueira ou baixa visão incluem catarata, erros refrativos não corrigidos, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2,2 bilhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual – dessas, pelo menos 1 bilhão têm deficiência visual moderada ou grave, ou cegueira que, segundo o conselho, poderia ter sido evitada, ou ainda não foi tratada.

A catarata e os erros de refração não corrigidos são as duas principais causas de deficiência visual reversível e representam 75% de todos os tipos de deficiência visual, sobretudo entre grupos etários mais altos.

“Entre os fatores de risco para esses quadros, destaca-se o envelhecimento da população, além de mudanças no estilo de vida e a urbanização. Também influencia esse cenário a falta de acesso a um atendimento oftalmológico de qualidade”, ressaltou o conselho, em nota.

Brasil

O CBO destaca que, assim como a idade, a pobreza também conduz à perpetuação de problemas de saúde, incluindo a saúde ocular. A estimativa é que o país tenha 1,5 milhão de pessoas cegas, sendo 948,1 mil em grupos economicamente vulneráveis; 857 mil na chamada classe média; e 174 mil entre os com maior poder aquisitivo. 

“Além de ser mais recorrente em pessoas de menor renda, a deficiência visual também causa maior impacto nessa parcela da população que, com a chegada do problema ocular, sofre as consequências de produtividade e as dificuldades de acesso às fases de reabilitação e de educação dos cegos.” 

De acordo com o relatório, os efeitos econômicos da deficiência visual podem ser divididos em dois tipos: custos diretos gerados pelo tratamento das doenças oculares, incluindo serviços médicos, produtos farmacêuticos, pesquisa e administração; e custos indiretos relacionados à perda de ganhos e os gastos com recursos visuais, equipamentos, reformas em moradias, reabilitação, perda de receita fiscal, além da percepção de dor, sofrimento e morte prematura resultantes do problema visual.  

“Para se ter uma ideia da dimensão dos números, em 2012, os custos globais diretos com a cegueira foram estimados em U$ 25 bilhões, o que pode ser, no mínimo, multiplicado por dois, quando levamos em conta os custos indiretos”, avaliou a entidade.

Prevenção

Dentre as estratégias apontadas pelo documento para reverter esse cenário está o conhecimento real sobre a incidência e prevalência de dados sobre a saúde ocular, algo classificado como “fundamental” para definição e planejamento de políticas públicas específicas.  

Outro ponto considerado importante é conhecer o número de médicos oftalmologistas disponíveis para coordenar ações de prevenção, diagnóstico e tratamento de problemas oculares. “De posse dessa informação, a gestão pode desenvolver planos de ação com a disponibilidade de força de trabalho especializada, identificando possíveis lacunas no atendimento e possibilitando o ajuste dos planos de recursos humanos”.  

O relatório aponta ainda a necessidade de ampliar o acesso a serviços oftalmológicos e monitorar o volume de procedimentos realizados. “Segundo os especialistas, ao estabelecer metas e acompanhar indicadores, é possível traçar estratégias mais precisas para combater a deficiência visual e garantir o acesso igualitário a serviços oftalmológicos de qualidade em todo o mundo.

Campanha de incentivo à doação de sangue marca Dia Mundial do Doador 

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Lema este ano é Doe sangue, doe plasma, compartilhe a vida

Railana Dias da Cruz tem 28 anos e é moradora de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Nessa terça-feira (13), ela fez sua terceira doação no Hemorio, instituto que coordena a rede pública de sangue do estado do Rio de Janeiro. Railana pretende se tornar uma doadora regular. A primeira vez foi em 2020 e a segunda, em 2021. “Eu acho uma ação muito bonita. Tem pessoas que precisam. É muito gratificante a gente saber que pode salvar a vida de alguém, ajudar a sociedade de alguma maneira”. A decisão foi tomada diante do Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado nesta quarta-feira (14).

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o lema da campanha este ano é “Doe sangue, doe plasma, compartilhe a vida, compartilhe com frequência”. A iniciativa faz alusão ao Junho Vermelho, mês de conscientização sobre a doação.

Ronald Gomes doa sangue desde 1978, quando entrou para o serviço militar. E não parou mais. Quando não está doando no Hemorio, doa em outro hospital, para atender à necessidade de algum parente ou amigo. A maioria de seus irmãos também doa. Além de sangue, Ronald é doador de plaquetas e medula óssea. Ser um doador regular significa, para ele, salvar vidas. “Acho muito importante fazer esse ato cívico. Nós estamos salvando vidas. É o mesmo que estar salvando uma pessoa com medula óssea. O sangue serve para tudo isso. Então, acho interessante que as pessoas doem sangue”. Ronald Gomes já tem carteirinha de doador regular do Hemorio.

Segundo Elisa Gomes, hematologista e hemoterapeuta do Hospital Márcio Cunha (HMC), as campanhas são necessárias para a conscientização do doador voluntário. “Quem doa sangue está ajudando a salvar vidas”. Ela disse que por mais que haja avanços na medicina e na ciência, o sangue é matéria-prima insubstituível. “Não há nada que faça o papel do sangue”. É ele que leva oxigênio para os tecidos, defende o organismo humano contra infecções e é responsável pela coagulação, comentou. O HMC é um hospital geral de alta complexidade, localizado em Ipatinga (MG). Tem 548 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 800 mil habitantes, no leste de Minas Gerais.

Segurança

O diretor-geral do Hemorio, Luiz Amorim, informou que os estoques, no momento, estão entre 10% e 15% abaixo do necessário. “Por isso, a campanha vem a calhar e vai ser providencial para a gente ter uma melhoria nos estoques, porque julho é mês de férias, as pessoas viajam e sempre caem as doações, em comparação com junho”.

Nessa segunda-feira (13), entraram em torno de 30 bolsas de doação. O ideal, para dar segurança, na hipótese de ocorrência de alguma tragédia, é ter estoque suficiente para cinco dias. No momento, o estoque é para quatro dias. “O ideal mesmo é que tenha para cinco. A gente precisa melhorar porque, com o fim da pandemia de covid-19, os hospitais estão cheios, as cirurgias foram retomadas, os tratamentos que ficaram parados foram reiniciados. Hoje, a demanda de sangue é até maior, porque procedimentos complexos que não foram feitos em 2021 e 2022 estão sendo realizados agora e a demanda por sangue aumenta”.

Do total de doadores do hemocentro fluminense, 40% são regulares e 25% vão a cada dois anos. “Somando os doadores habituais com aqueles que não vêm em todos os anos, a gente tem perto de 70%. Nosso trabalho é transformar os doadores de primeira vez em doadores habituais e oferecer uma experiência que seja agradável a eles. A gente precisa de doadores habituais para que não seja preciso fazer campanhas nem apelos”, afirmou Amorim.

No Brasil

No Brasil, apenas entre 1,6% e 1,9% da população é doadora de sangue. Em países da Europa, esse índice chega a 5%. De acordo com o Ministério da Saúde, 14 em cada mil brasileiros doam sangue de forma regular nos hemocentros do Sistema Único de Saúde (SUS). Para Luiz Amorim, é muito pouco. “Nós precisaríamos, pelo menos, de 2,5% a 3%. Globalmente, o número atual é muito baixo para a complexidade da medicina do Brasil e, pelo fato de a população brasileira ser cada vez mais idosa, há maior necessidade de sangue. A gente precisa melhorar e aumentar a doação”.

Para o diretor-geral do Hemorio, o grande problema atualmente é a doação centralizada no instituto, localizado no centro da cidade. “Isso não funciona também. As pessoas têm dificuldade de se deslocar, é muito longe, perdem tempo no transporte. Então, cada vez mais a gente está tentando descentralizar”. Todos os dias, o Hemocentro destaca duas equipes de coleta móvel para atender o público doador nas empresas e igrejas. “Porque, aí as pessoas aderem com muito mais facilidade”. Amorim disse que mais da metade do sangue do Hemorio é proveniente das coletas móveis. A meta do diretor-geral é, até o fim deste ano, inaugurar mais dois postos fixos de coleta na capital, sendo um na Barra da Tijuca e outro em Jacarepaguá, bairros da zona oeste, e um terceiro posto fixo em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele acredita que, com isso, a doação vai aumentar.

Amorim lembrou que, hoje, a doação de sangue não é mais um mito, nem dá medo à população. Aproveitando o Dia Mundial do Doador de Sangue, ele estimulou as pessoas a doar. “Porque, sem essa doação, a gente não consegue ter estoque adequado e os hospitais não conseguem fazer cirurgias, tratar adequadamente os pacientes. Nada substitui a doação de sangue, mesmo que ela seja feita a cada três ou dois anos. Qualquer doação é útil. A gente anima a população a continuar doando e a aumentar o número de doações”.

Como doar

Arte doação de sangue

Arte doação de sangue – Arte/Agência Brasil

Para ser um doador, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar 50 quilos, no mínimo, estar bem de saúde e apresentar documento de identidade oficial com foto. Jovens com 16 e 17 anos só podem doar sangue com autorização dos pais ou responsáveis legais. A autorização pode ser acessada no site do Hemorio. Na faixa etária de 60 a 69 anos, as pessoas podem doar, desde que tenham feito alguma doação anterior. Não é necessário estar em jejum, mas deve-se evitar comer alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e não ingerir bebidas alcoólicas 12 horas antes.

Tatuagem e piercing impedem a doação por seis meses. O Hemorio alerta que a perfuração na região oral ou genital ainda segue como impeditivo para doações enquanto houver uso da peça. Informações podem ser obtidas pelo número gratuito 0800 282 0708. O diretor lembrou que quem quiser pode agendar dia e hora para doar, nesse mesmo telefone, ou pelo site. “É muito mais rápido e o processo é bem mais simples”.

Algumas situações, porém, impedem provisoriamente a doação de sangue. Entre elas, estar com febre ou gripado. Grávidas também não podem doar. O mesmo se aplica para quem fez extração dentária há sete dias. Mulheres que estejam amamentando só podem doar depois de um ano após o parto. Quem fez vacinação pode doar, respeitado o intervalo, que pode ser de 48 horas para vacinas contra a gripe e para a vacina Coronavac contra covid. Para as demais vacinas contra a covid-19, o intervalo é de uma semana. 

Rota solidária

Para ajudar no reforço aos estoques de sangue do Hemorio, as empresas do setor de mobilidade do estado do Rio se uniram em parceria inédita, visando viabilizar a integração entre os doadores e o Instituto. Batizada de Rota Solidária, a ação faz parte do Junho Vermelho e será lançada nesta quarta-feira (14), Dia Mundial do Doador de Sangue. Integram a iniciativa as concessionárias MetrôRio, VLT Carioca, Semove e SuperVia, além da empresa de tecnologia 99. Juntas, essas empresas disponibilizaram 6.350 gratuidades para a campanha.

Para participar da Rota Solidária, os doadores devem se dirigir ao Hemorio e informar qual modal utilizaram para chegar ali. Eles receberão duas passagens para cobrir os gastos com o deslocamento. Caso decidam utilizar a 99, basta acessar o aplicativo e inserir o cupom SALVARVIDASRJ a fim de garantir 50% de desconto em até duas corridas para ir e voltar do Hemorio. O limite é de R$ 8 por viagem. Além disso, colocando a palavra “Salvar Vidas” na opção de destino do aplicativo, aparecerá o endereço direto do instituto. Ao todo, 5 mil vouchers serão disponibilizados.

A iniciativa conta ainda com o apoio da Rodoviária do Rio e do Riogaleão, cujos espaços serão utilizados para chamar a atenção dos visitantes que chegam à cidade. A expectativa da campanha é reforçar os estoques do Hemorio, atendendo mais de 25 mil pessoas e considerando que cada bolsa pode salvar até quatro vidas. Outras ações também estão previstas durante o mês, entre as quais o sorteio de ingressos para festas e distribuição de brindes aos doadores.

O diretor-geral do Hemorio disse que esta é a primeira parceria entre os modais, em todo o país, por uma boa causa. Amorim acredita que a Rota Solidária tem tudo para se tornar uma ação tradicional, “já que tem a cara do morador do Rio, sempre disposto a ajudar o outro”. Para ele, a iniciativa poderá inspirar outras ações semelhantes pelo Brasil.

Após a doação

De acordo com informações do Hemorio, após a doação, a bolsa de sangue total é centrifugada e separada em três componentes: concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas e plasma. São realizados exames laboratoriais para determinação do grupo sanguíneo e para detecção de doenças transmissíveis pelo sangue. Depois desses exames, a bolsa de sangue é liberada para transfusão. O sangue é utilizado principalmente nas grandes emergências, que incluem acidentes de trânsito, ferimentos por armas, hemorragias agudas, entre outros, além de cirurgias e pacientes com doenças oncológicas e hematológicas. O Hemorio distribui sangue para mais de 200 hospitais públicos e conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS) do estado. 

Cada pessoa tem, em média, cinco litros de sangue. É seguro doar, porque o material usado é estéril, descartável e de uso individual. Além disso, o doador passa por uma consulta, antes de doar, onde são avaliadas as condições clínicas. O organismo repõe o volume de sangue doado no mesmo dia. Para isso, o Hemorim recomenda beber bastante líquido.

O sangue tipo O Negativo é considerado “universal” porque pode ser transfundido em qualquer pessoa, salvo em raríssimos casos. É o sangue que salva nas situações de emergência. No Brasil, apenas 5% da população têm esse tipo sanguíneo. Por isso, os hemocentros encontram muita dificuldade em manter estoques regulares desse tipo de sangue.

SUS oferece tratamento do tabagismo e dependência da nicotina

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Tabagismo, cigarrro

Medida foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União

O Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) no Sistema Único de Saúde (SUS), que passa a oferecer tratamento para o tabagismo e dependência da nicotina. A medida foi publicada nesta terça-feira (13) no Diário Oficial e tem como objetivo reduzir a prevalência de usuários no país.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) aponta que o Brasil, em 2019, ainda mantinha 12,8% da população usuária de derivados do tabaco, além de 9,2% de fumantes passivos. De acordo com Organização Mundia de Saúde (OMS), a cada dia, no país, 443 pessoas morrem por causa do tabagismo.

Segundo a publicação, o novo PNCT tem a missão de “articular a rede de tratamento do tabagismo no SUS, o Programa Saber Saúde, as campanhas e outras ações educativas e a promoção de ambientes livres da fumaça do tabaco”. Caberá às secretarias Estaduais e Municipais de Saúde implementar o programa em suas áreas de atuação e a coordenação nacional será do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Além da gestão, o novo PNCT deverá atuar em três outros eixos: o cuidado integral, que inclui prevenção e promoção da saúde; educação; e vigilância. Tratamento, prevenção da iniciação ao tabagismo e proteção da exposição à fumaça, para evitar o consumo passivo, são ações ligadas ao cuidado integral.

No eixo educação o novo programa prevê qualificação de profissionais de saúde, gestores do PNCT, profissionais de vigilância sanitária, além do fomento de ações educativas voltadas à população. Já o eixo vigilância em saúde é voltado para ações de monitoramento de consumo do tabaco e seus derivados, assim como de outros produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco, e até de produtos ilegais.

Mulheres quilombolas debatem pautas rurais e antirracistas em Brasília

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Cavalcante (GO) - Quilombo Kalunga - Dois acordos celebrados pela Advocacia-Geral da União (AGU) garantiram a posse imediata à comunidade quilombola Kalunga das fazendas Fonte das Águas, com área de 6,5 mil hectares, e da Fazenda Vista Linda, com 2,3 mil hectares, ambas no município de Cavalcante (GO). Foto: Weverson Paulino

Encontro nacional deve reunir cerca de 300 lideranças

Mulheres quilombolas se reúnem em Brasília a partir da próxima quarta-feira (14) para debater políticas públicas e questões relevantes à qualidade de vida e ao enfrentamento às desigualdades raciais, sociais e de gênero. O 2° Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas será realizado até 18 de junho na capital federal, quando um documento será divulgado a partir das propostas apresentadas nas discussões.

O evento é organizado pelo Coletivo de Mulheres Quilombolas, da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), e são esperadas cerca de 300 lideranças de comunidades quilombolas de todo o país e da América Latina. Sob o tema Resistir para Existir, a programação inclui debates sobre renda, bioeconomia, racismo ambiental, alimentação, acesso à educação, comunicação e direitos humanos, além de oficinas, atividades culturais e mostra de artesanatos de mulheres quilombolas.

“Das mulheres assassinadas no Brasil em 2019, 66% eram negras. O risco relativo de uma mulher negra ser vítima de homicídio é 1,7 vez maior do que o de uma mulher não negra. Em outras palavras, para cada mulher não negra morta, morrem quase duas mulheres negras”, informou a Conaq, citando dados do Atlas da Violência.

Por isso, a entidade justifica o protagonismo das mulheres negras na produção e promoção de projetos que carregam as pautas feministas camponesas e antirracistas.

“Não há como pensar território quilombola sem pensar nas mulheres”, observa Givânia Maria, educadora e membro do Coletivo Nacional de Educação da Conaq. O primeiro encontro foi realizado em 2014. O segundo aconteceria em 2020, mas foi cancelado em razão da pandemia de covid-19.

“Não era a previsão demorarmos tanto para fazer uma avaliação, uma leitura política sobre a ótica das mulheres quilombolas do cenário que vivemos. Foram seis anos de trevas, somando dois anos do golpe mais o governo [Jair] Bolsonaro que retrocedeu em todas as políticas sociais, principalmente as de gênero e raça”, disse a Givânia à Agência Brasil.

“O encontro coincide com o início de um novo governo em que a gente tem perspectiva de que as coisas não serão os fáceis, mas pelo menos não teremos a instituição governo trabalhando para aumentar ainda mais a violação do direito das mulheres quilombolas”, acrescentou a educadora, citando que, na abertura do evento, são esperados ministros de Estado, parlamentares e outras autoridades.

O 2° Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas será realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), em Brasília.

Projeto gratuito oferece aulas de produção musical e fonográfica

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As inscrições vão até o dia 30 de julho

Para as pessoas que sempre quiseram saber mais sobre tudo que envolve o mundo da música, aprendendo com um produtor musical experiente, o projeto Produção Musical, Gravando uma Música do Início ao Fim, está com as inscrições abertas. A iniciativa tem como objetivo a realização de oficina prática de processos de produção musical e fonográfica, que vai preparar os participantes para o lançamento de produtos musicais (singles, EPs e álbuns). Serão 30 alunos e 162 horas-aulas, com atividades de produção de singles de 3 artistas do DF.

Segundo os organizadores, os novos produtores musicais estarão aptos a ingressar no mercado profissional de gravação, mixagem e masterização. Durante o treinamento, os aprendizes terão a oportunidade de realizar a produção de três músicas dos artistas do DF, sob a orientação do compositor, professor e produtor musical, Jota Dale.

Segundo Jota, o curso vai de encontro a uma lacuna importantíssima no tecido cultural do DF: a formação artística e técnica adequada de produtores fonográficos, engenheiros e técnicos de som. “O curso destina-se a três  turmas de 10 aprendizes cada, preferencialmente de baixa renda, que além de terem acesso ao curso, receberão um subsídio diário condicionado à presença e pontualidade, com a finalidade de evitar a evasão e proporcionar aos participantes condições financeiras para transporte e alimentação nos dias de aula”, explica. 

O produtor contará ainda com  a colaboração de seu parceiro de trabalho e sócio, Alan Pinho, também produtor, e engenheiro com sólida formação e extensa experiência no mercado musical.

Gravação do single

Os três artistas do Distrito Federal, selecionados através de chamamento público, terão a oportunidade de gravar uma música no contexto do curso, gratuitamente, servindo como base para as atividades pedagógicas. 

Os critérios para a escolha levarão em conta a diversificação das sonoridades, de forma a contemplar uma parcela representativa do panorama sonoro do DF, e os aprendizes serão responsáveis por realizar todas as etapas da produção das faixas musicais, sob a orientação de Jota.

“Faremos a pré-produção completa, gravação, edição, mixagem e masterização. Para esta última etapa, teremos a participação de Bruno Giorgi, que desenvolveu um método de masterização remota, conectando dois estúdios em localidades diferentes via internet, permitindo que o ambiente de trabalho seja compartilhado por ambos como se estivessem vendo a mesma tela do computador, e ouvindo o mesmo som através dos monitores de audio de ambos os estúdios”, explica o produtor. 

Para finalizar, Jota diz  esperar que os aprendizes encontrem oportunidades de trabalho como produtores musicais, técnicos de som, auxiliares e assistentes de áudio, além de qualificar os processos de pré-produção, gravação, edição, mixagem e masterização no Distrito Federal – inclusive nos casos em que o aprendiz seja ele próprio artista integrante do coletivo, grupo ou banda a ser produzido.

As inscrições podem ser feitas de forma gratuita, de 20 de junho a 30 de julho, e o resultado será divulgado em 10 de agosto, por meio do link disponível na bio do Instagram: @umsingledoinicioaofim .

Mais informações pelo e-mail: gravando.inicioaofim@gmail.com .

O projeto conta com o patrocínio  do Fundo de Apoio à Cultura.