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Ação conjunta ofertará serviços às mulheres em vulnerabilidade

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Fruto de parceria da Defensoria Pública do DF com vários órgãos, iniciativa criou o Dia da Mulher, com várias atividades programadas para 2 de maio.

A carência de serviços sociais voltados para as mulheres em situação de vulnerabilidade social no DF tem data para terminar. Uma parceria entre Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), Secretaria da Mulher (SMDF), Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio), Serviço Social do Comércio (Sesc), Mesa Brasil Sesc, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) disponibilizará uma série de serviços para o público feminino.

Arte: DPDF

Com a cooperação inédita entre as instituições, foi criado o Dia da Mulher, ação mensal a ser empreendida durante todas as primeiras segundas-feiras de cada mês. Caso seja feriado, o atendimento passa a ser oferecido no primeiro dia útil subsequente. As atividades começam em 2/5, por conta do feriado do Dia do Trabalhador, comemorado no dia anterior (1º de maio).

“A parceria com várias instituições tem como objetivo disponibilizar uma vasta oferta de serviços com dinâmicas de atendimentos alinhadas, assegurando cidadania para mulheres que dependem da cooperação dos envolvidos”Celestino Chupel, defensor público-geral do DF

O intuito é concentrar o máximo de serviços possível para acolher e levar cidadania a essa parcela da sociedade. O foco do projeto é ofertar atendimento às mulheres que são mães de crianças sem registro de paternidade, principalmente na desjudicialização da investigação – isso porque o DF atingiu a maior proporção de pais ausentes em seis anos. Dados do Portal de Transparência do Registro Civil, atualizados em outubro de 2022, mostram 5,8% dos registros de nascimento do DF desse ano só com o nome da mãe.

Os serviços serão ofertados no maior núcleo da DPDF, localizado no Setor Comercial Norte (SCN), próximo ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). A ação mensal abre o Maio Verde, mês da Defensoria Pública, instituição que, no DF, comemora dez anos de prestação de assistência jurídica integral, gratuita e de qualidade às pessoas em situação de vulnerabilidade.

“A parceria com várias instituições tem como objetivo disponibilizar uma vasta oferta de serviços com dinâmicas de atendimentos alinhadas, assegurando cidadania para mulheres que dependem da cooperação dos envolvidos”, reforça o defensor público-geral do DF, Celestino Chupel.

Serviços disponíveis

Com o objetivo de reduzir a demanda de investigação de paternidade judicial, desafogando o sistema e garantindo mais agilidade nos processos, a DPDF indicará aos núcleos da instituição que as ações para que o pai assuma formal e legalmente a paternidade, sejam encaminhadas ao Dia da Mulher. Serão oferecidos exames de DNA de forma imediata, garantindo que o pai arque com todas as suas obrigações e assegure os direitos dos filhos. 

O intuito é que mãe e filho sejam atendidos em um dia especial de acolhimento multidisciplinar com a oferta de diversos serviços. A Escola de Assistência Jurídica da DPDF acolherá os parceiros do projeto oferecendo treinamento especializado, computadores e servidores para fazer os atendimentos.

Já o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), vinculado à Sedes, levará serviços socioassistenciais para as mulheres. O Sesc, por sua vez, promoverá palestra sobre planejamento familiar e saúde bucal, além de oferecer 32 exames preventivos (Papanicolau) para mulheres de 25 a 64 anos, 16 mamografias para mulheres de 50 a 69 anos e para mulheres de 35 anos ou mais que tenham histórico de câncer de mama – nesse caso, com solicitação médica carimbada e assinada.

Como participar

A triagem e a distribuição de vouchers para atendimentos serão feitas das 10h às 12h. Para participar, é necessário levar RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência. O Sesc oferecerá ainda 20 inserções de DIU para mulheres que possuam resultado do exame preventivo com período de no máximo um ano, estejam no período menstrual ou tenham se submetido ao teste de gravidez Beta HCG 24 horas antes do procedimento.

As ações do Sesc não param por aí. Haverá atendimento odontológico, como 24 consultas com clínico geral. Para participar, basta  levar RG e CPF. Crianças que estiverem acompanhadas da mãe poderão desfrutar de atividades lúdicas, como contação de histórias e trilha do conhecimento. O serviço será ofertado das 9h às 12h pelas unidades móveis do BiblioSesc, com acervo de 3,5 mil volumes criteriosamente selecionados e renovados, para incentivar o hábito de leitura, principalmente em locais com pouco acesso a livros e bibliotecas.

“A ideia é oportunizar atendimentos com vasta oferta de serviços levando saúde para mulheres que não têm condições financeiras para arcar com os custos e não podem aguardar por vagas no serviço público de saúde”, resume o diretor regional do Sesc-DF, Valcides Araújo. 

O Senac fará o pré-cadastro para o Programa Senac de Gratuidade (PSG), que oferece 250 cursos técnicos e de qualificação para pessoas com renda familiar mensal de até dois salários mínimos. Há oportunidades para formação em gastronomia, administração, enfermagem, gestão comercial, saúde e segurança, bem como para as profissões de cozinheiro, açougueiro e manicure, entre outras. “Apenas no ano passado, qualificamos mais de 30 mil alunos”, contabiliza a diretora regional interina do Senac, Cintia Gontijo de Rezende. 

*Com informações da Defensoria Pública do DF

Confira os canais de denúncia do GDF para casos de ameaças às escolas

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Em meio às ocorrências de violência no país, o governo iniciou as ações preventivas, entre elas, o incentivo de que a sociedade leve até as autoridades policiais possíveis riscos

O Governo do Distrito Federal (GDF) deu início a uma série de medidas preventivas para evitar casos de violência no ambiente escolar. Entre as ações, está o reforço da divulgação dos canais oficiais de comunicação criados para que as denúncias sejam feitas às autoridades policiais.

“É uma soma de esforços que está sendo feita (pelo GDF). Tudo será feito para que nós possamos transmitir essa segurança à nossa sociedade, principalmente, à comunidade que tem filhos nas escolas”Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do DF

A população pode contactar a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para o relato de ameaças e casos de apologia à violência nas escolas por meio dos telefones 190 (emergência) e 197, Opção 0; dos números de WhatsApp (61) 98626-1197 e (61) 99968-8950 (Batalhão Escolar); e de forma digital pelo site da Delegacia Eletrônica ou pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br.

A denúncia é sigilosa e é necessário encaminhar informações que comprovem o fato, como áudio de aplicativos de mensagens, prints de mensagens em redes sociais, imagens diversas, nomes de perfis envolvidos, vídeos diversos e números de telefones envolvidos. Após o envio, as autoridades farão a apuração e a investigação.

“É uma soma de esforços que está sendo feita [pelo GDF]. Tudo será feito para que nós possamos transmitir essa segurança à nossa sociedade, principalmente, à comunidade que tem filhos nas escolas”, afirma o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar.

Arte: Divulgação/SSP

Alerta aos trotes

O secretário destaca que a segurança pública tem recebido muitas denúncias falsas e reafirma a necessidade de que os fatos relatados não sejam trotes. “Já foram várias denúncias falsas, ainda assim isso acaba repercutindo na nossa atividade do dia a dia. Demanda o tempo e os esforços da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e do Detran. É preciso que haja um engajamento da nossa comunidade para que todos nós, somando os esforços, não deixemos que aconteça nenhum ato que venha comprometer a segurança das escolas”, ressalta.

Nesta semana, o GDF publicou um decreto que prevê punição com multa aos autores de acionamento indevido feito de má-fé ou que não objetive ou justifique um atendimento aos canais de serviço de atendimento de emergência e urgência.

A multa será aplicada a proprietários de linhas telefônicas de onde sejam feitos trotes aos serviços telefônicos de atendimento à emergência e combate a incêndios ou ocorrências policiais, e também a autores desse tipo de acionamento por telefones públicos, quando for possível a identificação. A punição varia de R$ 1.302 (recebimento de chamada) a R$ 3.906 (acionamento de serviços com diligências realizadas), a depender da gravidade.

Plano de segurança

O governo anunciou na quinta-feira (13) um conjunto de medidas para a prevenção da violência e o reforço da segurança em um universo de 1.624 escolas e creches das redes pública e privada, além de faculdades e universidades.

As ações envolvem o reforço no efetivo policial, a participação de vigilantes e o monitoramento da deep web – uma área da internet que fica “escondida”, tem pouca regulamentação e que, pela dificuldade de acesso, é usada para o compartilhamento de conteúdo ilegal – e perfis em redes sociais que fazem apologia à violência nas instituições de ensino.

Como denunciar

Delegacia eletrônica (pcdf.df.gov.br)
E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br
WhatsApp: 61 98626-1197
Telefone: 197 – opção 0
Emergência: 190
Batalhão escolar: 61 99968-8950

Espaço Renato Russo terá programação especial no aniversário de Brasília

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A programação, gratuita, incluirá atividades culturais, infantis, um baile de aniversário e uma homenagem a TT Catalão

Entre os dias 16 e 23 de abril, semana do aniversário de Brasília, o Espaço Cultural Renato Russo vai oferecer uma ampla programação cultural com entrada franca.

As atividades comemorativas serão promovidas pelo Instituto Janelas da Arte, Cidadania e Sustentabilidade, por meio do Programa Pedagógico-Formativo, com fomento da Secretaria de Cultura do Distrito Federal (Secec).

Localizado na 508 Sul, o espaço terá shows, lançamentos de filmes, exposições, feira cultural, concerto sinfônico, atividades infantis e até um baile de aniversário | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Aquiles Alencar Brayner, subsecretário de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, destacou que a ideia é utilizar o espaço multiuso para fazer uma semana rica de conteúdos para a população. “Estamos comemorando o aniversário da nossa capital, que continua cada vez mais jovem. Nada melhor do que o espaço Renato Russo pra manter essa vivacidade”, observou.

Localizado na 508 Sul, o espaço terá shows, lançamentos de filmes, exposições, feira cultural, concerto sinfônico, atividades infantis e até um baile de aniversário. Uma homenagem ao jornalista TT Catalão, que batiza a gibiteca do local, também fará parte dos eventos.

“TT está presente não só no espaço, mas com a política pública que ele representou em vida. Esse espírito vivo que é incorporado ao espaço promove uma vivência transformadora para a cultura e a educação”Nanan Catalão, jornalista, gestora cultural e cantora

Vanderlei dos Santos Catalão, mais conhecido como TT Catalão, foi um jornalista, poeta, escritor e ativista cultural que veio para Brasília em 1972 e se tornou pioneiro na estruturação de políticas públicas voltadas para a cultura na capital. Ele entrou para o GDF em 1985, na primeira gestão pós-ditadura, e criou o Espaço Cultural Renato Russo em 1994.

A homenagem envolve o aniversário de um ano da reabertura da gibiteca. A jornalista Nanan Catalão é filha de TT, além de gestora cultural e cantora. Ela afirmou que a família ficou profundamente comovida com a homenagem, ocorrida no ano passado.

“TT está presente não só no espaço, mas com a política pública que ele representou em vida. Esse espírito vivo que é incorporado ao espaço promove uma vivência transformadora para a cultura e a educação. Acredito que esse é o maior legado de uma política pública. Quando ela une educação, informação e transformação. Todo o trabalho dele foi no investimento no setor transformador da arte, nessa cidade que reflete cultura”, ressaltou Nanan, finalizando com a frase que mais gosta do pai: “Quem tem um dom, reparte com”.

De acordo com a jornalista, a gibiteca teve um papel revolucionário no papel de muitos artistas por ser a porta de entrada para o mundo da leitura. “O trabalho da gibiteca era muito vivo. Nossa esperança é que ela possa crescer até nos formatos mais modernos”, conclui.

A programação inclui também contação de histórias para crianças, doação de gibis, oficinas de quadrinhos, desenhos, costuras, apresentação de dança contemporânea e música. Além disso, durante a semana o público poderá visitar a exposição Inventando voos, na Galeria Parangolé, parte do projeto Desalinhos e Costuras: arte e loucura.

As comemorações começam a partir deste domingo (16). Confira a programação completa:

16 de abril

Sarau poético-musical
14h, na Praça Central ECRR

Documentário Concerto Cabeças – Memória afetiva da cultura brasiliense
16h, no Auditório Marco Antônio Guimarães

Confraternização
Das 17h às 18h, na Praça Central ECRR

*A programação conta com tradutor em libras

O documentário resgata a memória e registra a expressão de toda uma geração de artistas brasilienses entre o final dos anos 70 e o começo dos anos 80, retratando o momento histórico em que o movimento Cabeças surge.

21 de abril

Dia Mundial da Criatividade
Das 10h às 18h, no Teatro Galpão Hugo Rodas, Teatro de Bolso e Sala de atividades
Programação completa: Atividades WCD
Movimento organizado pela World Creativity Organization conta com experiências, painéis, palestras, workshops e performances para profissionais de todos os setores que compõem a economia criativa. Foca no desenvolvimento sustentável.

Contação de história para crianças
15h e 16h, na Sala Multiuso
História: Zezinho descobre Brasília
Através de música, bonecos e objetos lúdicos, a história de Zezinho e seu cachorrinho Hulk é apresentada às crianças. Os dois companheiros vêm visitar a tia em Brasília e, juntos, se encantam e descobrem os diferentes e divertidos monumentos da cidade.

Feira Katendê
Das 13h às 22h, na Praça Central
Apoiando empreendedores da Comunidade de Povos Tradicionais de Matriz Africana Manzo Kalla Muisu, situada em Sobradinho dos Melos, o projeto reúne cerca de 45 participantes que expõem produções que vão desde joias artesanais a livros, roupas, instrumentos musicais, jardinagem e decoração com matérias primas como a piaçava.

Homenagem TT Catalão
Exibição do Vídeo de Bento Viana Agora sessenta. E contempla, com texto de TT Catalão
16h, na Sala Marco Antônio

Abertura da cerimônia com Carmem Moretson
Mesa: Rosana Gonçalves da Silva, Bené Fonteles e Tico Magalhães
Oficina de quadrinhos: Luigi Pedone
Entrega dos Livros para a Família Catalão e Gibiteca/Biblioteca
17h, Galpão das Artes

Encerramento com Nanan Catalão e o músico Félix Júnior
Grupo Seu Estrelo e o Fuá do terreiro e a Orquestra trovão da Mata
18h, no Galpão das Artes

Coral Intermezzo
19h, na Praça Central

Concerto com Grupo de Cordas da Orquestra Filarmônica de Brasília
Regência do Maestro Thiago Francis
19h30, na Praça Central

Dia 22 de abril

Laboratório aberto de desenho livre
Das 9h às 12h, no Galpão das Artes

Dança Negra Contemporânea
Das 10h às 12h, na Sala Multiuso

Dia Mundial da Criatividade
Das 10h às 18h, no Teatro Galpão Hugo Rodas, Teatro de Bolso e Sala de atividades
Programação completa: Atividades WCD

Feira Katendê
Das 10h às 22h

Oficina interativa: Turismo Fora do Avião – Pontos turísticos de Brasília
15h, na Gibiteca

Desfile Legbara com peças criadas no Paranoá
Das 18h15 às 18:45, na Praça Central

Baile de aniversário de Brasília, conduzido por Ricardo Lira
Das 19h às 22h, na Praça Central
Ricardo Lira é professor, coreógrafo, dançarino, ator, arte-educador e produtor cultural. É especialista em danças de salão e danças populares de raízes africanas, com destaque para o samba e suas vertentes.

23 de abril

Poemas de Opinião
Sarau e lançamento dos livros Vozes de Opinião, de Sylvia Toledo e 72 Poemas, de Guilherme Machado de Oliveira
Lançamento do minidocumentário Opinião (1964): Poéticas da Voz, Poéticas que dão Voz, de Sylvia Toledo
19h, na Praça Central

Produção de café vem crescendo no Distrito Federal

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São incentivos para a cafeicultura as condições geográficas e climáticas, bem como o valor agregado do produto cultivado na capital federal

O Distrito Federal ganha cada vez mais reconhecimento pelo cultivo de café de qualidade. Nos últimos anos, a cidade tem visto crescer a cafeicultura, graças às condições geográficas e climáticas e à forma de colheita diferenciada dos agricultores que apostam na produção de variedades especiais, desenvolvidas a partir do chamado grão cereja, o mais nobre do fruto do tipo arábica. No Dia Mundial do Café, comemorado em 14 de abril, esta é uma conquista a ser comemorada. 

Grãos produzidos no DF têm qualidade aprimorada | Foto: Acervo pessoal

No ano passado, o DF registrou 83 agricultores especializados nesse segmento e produziu 1.204,92 toneladas do fruto, segundo os dados do Relatório de Informações Agropecuárias do DF-2022, elaborado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

“Como a maioria das pessoas que mexem com café aqui tem pequenas áreas, é possível fazer colheitas muito diferenciadas, pegando só os grãos que estão bem maduros ” Marconi Borges, gerente do escritório da Emater no PADF

O gerente do escritório da Emater no PADF, Marconi Borges, avalia: “O café tem crescido no DF. O café do cerrado é de muito boa qualidade, por causa da condição climática. Na época da maturação dos grãos, estaremos na seca, o que é importante”. O inverno seco e a altitude acima de mil metros são os principais atrativos para o cultivo. As áreas em que a produção se destaca são Paranoá (PADF e Núcleo Rural Jardim), Planaltina (Núcleo Rural Tabatinga), Brazlândia e Sobradinho (Lago Oeste).

Produto selecionado

Borges também aponta a característica da produção local como outro diferencial. “Como a maioria das pessoas que mexem com café aqui tem pequenas áreas, é possível fazer colheitas muito diferenciadas, pegando só os grãos que estão bem maduros – sem falar que algumas propriedades trabalham com café orgânico, que tem um valor agregado muito forte”, define.

“Acho que o café é mais uma dessas ousadias de um projeto que nasceu de uma decisão extremamente avançada de Juscelino Kubitschek de trazer a capital para o Planalto Central”José Adorno, proprietário rural 

Esse é o caso da propriedade de José Adorno, o Café Lote 17B, no Lago Oeste. A família do médico aposentado começou a cultivar café em 2012, inicialmente com 300 pés. Hoje a chácara conta com cerca de 3 mil pés cultivados a 1.250 metros de altitude. 

“É uma produção pequena, e nós nos direcionamos para uma produção de maior valor agregado, no café especial”, aponta ele. “É um café colhido à mão e só uma vez por ano. É uma colheita bem-selecionada”. Adorno lembra que, quando iniciou o cultivo, havia apenas mais dois outros produtores no DF.

Mercado em construção

Para o produtor rural, a expansão da cafeicultura demonstra que Brasília vai além dos paradigmas de capital da política e do rock. “A visão que as pessoas têm de Brasília é muito míope,  porque é uma cidade espetacular, ainda com muitas características a serem exploradas”, aponta. “Acho que o café é mais uma dessas ousadias de um projeto que nasceu de uma decisão extremamente avançada de Juscelino Kubitschek de trazer a capital para o Planalto Central”.

Inicialmente, a família não tinha objetivo comercial, mas ao longo dos anos foi vendo a necessidade de explorar esse segmento, apesar dos desafios – já que a cidade ainda conta com poucos produtores e um mercado ainda em construção. 

“O objetivo comercial está até hoje sendo construído, primeiro porque não temos uma produção grande; segundo, porque temos que atingir esse público diferenciado de cafés especiais”, define José Adorno. Atualmente, o produto pode ser encontrado no Empório Lago Oeste, que funciona sábado e domingo das 7h às 14h, e também pelo site de assinatura do Club Brasil Café.

Condições especiais

Um dos aspectos que podem influenciar positivamente neste cenário seria a conquista da indicação geográfica, denominação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) que reconhece a qualidade sensorial da produção de café de um determinado local. 

“Nós temos toda a condição de conseguir a indicação geográfica para o café de Brasília”, assegura o produtor. “Já tem estudos na UnB [Universidade de Brasília] demonstrando isso, o que estimula a produção e os recursos. Entidades como Emater, Sebrae e Senai também estão dando mais apoio aos agricultores.”

Marconi Borges afirma que a Emater costuma orientar todos os produtores de café da capital. “O café tem muitos segredos, desde a colheita ao processamento para que não perca a qualidade do aroma”, conta. “Também orientamos de acordo com a capacidade sobre o mercado, porque o café se mostra [capaz de gerar] uma renda bem alta e relativamente estável nesse nicho – como Brasília tem uma renda per capita muito alta, as pessoas procuram coisas diferenciadas e estão dispostas a pagar por isso. Então, é um ótimo caminho para se investir”.

A pesquisa Indicadores da Indústria de Café 2022, da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), confirma essa constatação. A região Centro-Oeste registrou o maior ticket médio de valores gastos com café no Brasil.

GDF rescinde contrato com empresa que construía viadutos no Setor Policial

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Descumprimento de cláusulas e de serviços previstos, além de atraso no cronograma de obras, resultaram na rescisão

A Secretaria de Obras rescindiu contrato firmado com a empresa Concrepoxi Engenharia que acordava a construção de dois viadutos no Setor Policial Sul, a execução de 850 metros de redes de drenagem e 2 km de pavimentação. O contrato previa o investimento de R$ 8 milhões em obras.

“No momento, estão pendentes de execução serviços como a instalação de pavimento rígido em trecho que vai dos viadutos ao Terminal Asa Sul, além de sinalização vertical e horizontal e paisagismo” Luciano Carvalho, secretário de Obras

A empresa descumpriu cláusulas contratuais e promoveu atrasos injustificados no cronograma de obras estabelecido. Também paralisou a execução de serviços sem justa causa, configurada pela falta de pessoal e maquinário no canteiro de obras desde o início deste ano, e ainda deixou de executar serviços previstos em contrato, de forma total ou parcial, no valor de R$ 1,2 milhão.

“Não medimos esforços para garantir as condições necessárias para que a Concrepoxi concluísse a obra”, explica o secretário de Obras, Luciano Carvalho. “Garantimos o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato em virtude do aumento no preço do aço e concreto. Os pagamentos estão rigorosamente em dia. Não há motivos para a paralisação dos serviços.”

De acordo com o subsecretário de Acompanhamento e Fiscalização de Obras, Ricardo Terenzi, a empresa foi notificada inúmeras vezes sobre os atrasos e pendências. “Não nos restou alternativa que não fosse a rescisão contratual”, relata. “No momento, estão pendentes de execução serviços como a instalação de pavimento rígido em trecho que vai dos viadutos ao Terminal Asa Sul, além de sinalização vertical e horizontal e paisagismo”.

Entenda a obra

Conhecida como Setor Policial Sul, a Estrada Setor Policial Militar (ESPM) faz parte do chamado Corredor Eixo Oeste. A obra, dividida em duas partes por questões de logística e segurança, teve início pelo trecho entre o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar e o Terminal da Asa Sul (TAS), onde foram construídos dois viadutos.

Trecho inacabado vai entrar em operação quando for concluída a segunda etapa da obra já em andamento no Setor Policial Sul 

 Uma dessas vias de passagem suspensa, identificada no projeto como viaduto 62, foi construída na alça de acesso da ESPM ao Eixo W – o “eixinho de cima” – com 8 m de altura, 33 m de comprimento e 19 m de largura. Já o viaduto 63, localizado na alça de acesso ao Eixo Rodoviário Leste (ERL), sentido L4, tem 29 m de comprimento, 15 m de largura e altura aproximada de 8 m.

A obra também prevê a construção de corredor exclusivo de ônibus em pavimento rígido (concreto) em trecho que vai dos viadutos ao Terminal Asa Sul, além de drenagem, pavimentação, sinalização vertical e horizontal e paisagismo.

“Os dois viadutos previstos em concreto estão concluídos e em pleno funcionamento”, esclarece o secretário de Obras. “A rescisão do contrato com a empresa não afeta o trânsito na região, uma vez que o trecho inacabado somente entrará em operação quando da conclusão da segunda etapa da obra já em andamento no Setor Policial Sul.”

Corredor Eixo Oeste

 Com 38,7 km de extensão, o corredor prevê o alargamento de pistas e a construção de faixas exclusivas nas principais vias de ligação do Sol Nascente com o Plano Piloto, como a Avenida Hélio Prates, a Epig e a ESPM, que leva ao Terminal da Asa Sul. O objetivo é reduzir em meia hora o tempo de deslocamento até o Plano Piloto.

Os trabalhos estão em execução por trechos, já que é inviável fazer as intervenções de uma vez no trânsito. Além das obras no Setor Policial Sul, o corredor contempla diversas outras, como a construção do Túnel de Taguatinga, do Viaduto da Epig e a reforma  da Avenida Hélio Prates.

*Com informações da Secretaria de Obras

Cercada por beleza natural, Brasília entra na rota do turismo rural

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Após anos sendo lembrada pela arquitetura, a capital abraça o potencial do Cerrado para ofertar um novo tipo de passeio aos visitantes

Durante muito tempo, o turismo no Distrito Federal foi relacionado à arquitetura, aos monumentos cívicos e à religiosidade. Nos últimos anos, a cidade abraçou o potencial profetizado por Dom Bosco, quando o santo italiano previu a construção de Brasília em uma terra de riqueza inconcebível, e passou a apostar nos recursos naturais criando rotas turísticas rurais, onde a natureza e os recursos dela são protagonistas.

“O turismo rural tem o importante papel de apresentar uma Brasília que vai muito além do turismo cívico, gerando emprego e renda para o segmento. Brasília é cercada por lindas paisagens, muitas cachoeiras e lugares incríveis de fácil acesso, como, por exemplo, as regiões de Planaltina, Sobradinho e do PAD-DF [Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal]. Precisamos mostrar essas outras tantas opções que podem ser visitadas”, afirma o secretário de Turismo, Cristiano Araújo.

“O turismo rural tem o importante papel de apresentar uma Brasília que vai muito além do turismo cívico, gerando emprego e renda para o segmento. Brasília é cercada por lindas paisagens, muitas cachoeiras e lugares incríveis de fácil acesso”Cristiano Araújo, secretário de Turismo

Parte da região administrativa de Sobradinho é localizada entre a Reserva Biológica da Contagem e o Parque Nacional de Brasília. O Núcleo Rural Lago Oeste oferece uma experiência que une natureza, cultura e turismo e que está destacada na Rota Lago Oeste, da Coleção Rotas Brasília, da Secretaria de Turismo (Setur). Entre as diversas propriedades da região é possível vivenciar experiências em trilhas e cachoeiras, além de visitas a cultivos com direito a aproveitar a boa gastronomia regional.

O casal Djeini Aparecida Carvalho e Abimael Carvalho está à frente do Sítio Titara, no km 3 da DF-170, que oferece passeios em dez unidades de cachoeiras, cascatas e quedas d’água, hospedagem e culinária da roça. “Meu marido tem essa propriedade há mais de 25 anos. Quando ele comprou o terreno, não tinha nada. Ele comprou para o lazer da família, mas já tendo uma visão de que poderia ser para o turismo, porque é uma região montanhosa, que você nem pensa que está no Distrito Federal”, lembra Djeini.

Sítio Titara, no km 3 da DF-170, oferece passeios em cachoeiras, cascatas e quedas d’água, hospedagem e culinária da roça | Foto: Divulgação

O empreendimento começou graças ao sucesso do queijo que era produzido na fazenda. “O queijo passou a ser referência na região e os clientes se interessaram em saber onde era produzido. Daí surgiu a ideia de fazer uma cozinha industrial e eu passei a alugar minha suíte. Depois construímos outros quartos e um bangalô que acomoda até seis pessoas e fomos investindo no turismo”, explica a coproprietária.

Hoje, o espaço promove eventos para incentivar a visitação. “Fazemos colônia de férias, dia da pamonha, café rural e tantas outras atividades. Começamos do zero, mas já temos uma clientela muito boa”, revela. O Sitio Titara também investe em parcerias com outras propriedades do Lago Oeste, seja ofertando os produtos locais na alimentação, seja combinando passeios em conjunto pela região. “Me orgulho muito, porque estamos ajudando a divulgar a região. Antes as pessoas só sabiam o que era Lago Norte e Lago Sul, hoje todo mundo já sabe o que é o Lago Oeste”, acrescenta.

Propostas diferenciadas

Na região do Paranoá, o PAD-DF é outra área que tem explorado atividades turísticas a partir da produção rural. É o caso da propriedade comandada por Ronaldo Triacca, a pousada Villa Triacca.

“Na verdade, a minha família é uma das pioneiras. Eles vieram do Sul para cá em 1977. Na época, o intuito do projeto do PAD-DF era produzir alimentos. A região aqui é produtora de grãos e cereais. Mas a nossa área é relativamente pequena para isso e tivemos que otimizar a propriedade. Desde o começo vimos o potencial agroturístico”, conta.

Em 2010, o clã deu os primeiros passos para criar a hospedagem que hoje é reconhecida no roteiro de hotéis de charme do Brasil. “Vimos que era possível e que havia uma demanda por hotel. Eram dois nichos de mercado: o agronegócio e o turismo. De 2011 para cá, a gente vem num processo de crescimento e aprimoramento. Em 2018, ampliamos a pousada e continuamos com melhorias”, afirma Ronaldo Triacca.

A pousada Villa Triacca possui cinco hectares de vinhedo  | Foto: Divulgação

A proposta do espaço conta com acomodação, área de lazer, piscina aquecida, pedalinho nos lagos e ainda cinco hectares de vinhedo, onde é feito tour e degustação de rótulos. “Oferecemos uma hospedagem de qualidade, com muita natureza, trilhas, passeio entre os vinheiros e muita tranquilidade. Esse é o nosso propósito e os clientes se espantam por isso existir em Brasília. Hoje a gente pratica não só agroturismo, mas o enoturismo, uma coisa inusitada para Brasília. Produzimos vinhos finos e temos atividades enoturísticas e enogastronômicas”, informa Ronaldo Triacca.

Conseguir iniciar e firmar o negócio foi um desafio. “Esse lado leste da cidade não tinha tradição nenhuma em turismo. Para reconhecer e o público entender, foi um caminho árduo e que tivemos que construir”, lembra. No início do negócio, a família contou com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF). “Nos ajudaram muito a planejar e criar um modelo com mais profissionalismo. Foi muito importante nesta caminhada”, avalia.

Apoio aos produtores

A família Triacca não foi a única auxiliada pela Emater. A empresa conta com uma extensionista rural especializada em turismo, a turismóloga Zaida Regina Almeida da Silva, para essa função. “O nosso público são os produtores rurais que têm interesse em fazer atividade de turismo rural. A gente dá assessoria e as informações técnicas todas. É um incentivo para que o produtor tenha mais uma possibilidade de renda”, destaca.

“A ideia é conseguir desenvolver nossos produtores para que eles tenham no turismo uma complementação de renda. É importante porque otimiza a propriedade. Em vez deles terem que procurar uma feira ou levar os produtos até o público, é o contrário, os clientes vão até as propriedades”, acrescenta Zaida.

Em 2014, a Emater criou junto com os produtores de Planaltina o Circuito Rajadinha, que reúne dez propriedades rurais de plantas ornamentais e produtos orgânicos. O projeto visa unir o turismo rural à venda de mercadorias da agricultura familiar. As visitas ocorrem em eventos promovidos pela comunidade ou com agendamento antecipado.

A analista de sistemas Solange Cristina Almeida é a responsável pelo Sol Orquidário, um dos negócios que integra o Circuito Rajadinha. “Quando comprei a chácara, o circuito já existia, então me convidaram para participar, porque minha propriedade fica logo na entrada. Para nós realmente é ótimo, porque é uma oportunidade para vender, além de ser prazeroso receber as pessoas”, diz.

Solange explica que o público ainda estranha. “As pessoas não vêm o DF com os olhos de natureza e produção rural. Muitos pensam que é só o Congresso Nacional e acabam se encantando quando nos visitam, porque não imaginam o que vão encontrar”, completa.

Conheça as iniciativas de turismo rural

→ Sítio Titara
→ Villa Triacca
→ Circuito Rajadinha