Mulheres em aulas de Krav Magá no combate à violência doméstica.
O crescimento dos registros de violência doméstica assusta, mas também demostra que as mulheres estão cada vez mais confiantes em denunciar as agressões – segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), houve, em 2022, no DF, um aumento de 7,6% nas ocorrências registradas em relação ao ano anterior, sendo que 73% dos casos foram relacionados à violência moral ou psicológica, ou seja, antes de uma violência física.
Em tempos de empoderamento feminino, a unidade da Asa sul – Krav Maga Mestre Kobi, vem colaborando no combate à violência doméstica por meio da capacitação de mulheres com técnicas de defesa pessoal. Durante os próximos 3 meses, a escola oferecerá aulas de Krav Magá com 20% desconto, Inscrições e mais informações Aqui.
Krav Magá, em hebraico, quer dizer combate de contato. Com técnicas de defesa pessoal israelense, envolve movimentos rápidos, e simples para defesa contra armas, bastões, facas, agarramentos e golpes. A modalidade serve para capacitar qualquer pessoa a sair de situações de agressão, imediatamente.
Instrutor Guilherme Azevedo.
“O Krav Magá, foi criado exclusivamente para defesa pessoal, tem como objetivo preparar os praticantes a se defenderem contra qualquer ameaça física, seja ela dentro ou fora de casa, e o mais rápido possível”, explica o instrutor Guilherme Azevedo, que acrescenta: “a ideia é neutralizar o inimigo com apenas um golpe, por isso, ensinamos golpes em regiões sensíveis do corpo, como garganta, olhos, joelho, nariz, genitais fazendo o agressor cessar de imediato”.
Já nas primeiras aulas é possível aprender como se livrar de um enforcamento e de quem segura forte o braço, por exemplo – situações comuns de violência doméstica.
“A partir de técnicas simples e eficazes, é possível se livrar de qualquer tipo de agressão armada ou não”, conta Guilherme.
Segundo ele, o Krav Magá não é uma luta de competição, mas um treinamento, que, além das técnicas de defesa, se desenvolve como uma atividade física intensa, capaz de queimar de 500 a 700 calorias por aula.
“Nessa tendência de empoderamento que vivemos hoje, não tem preço para a mulher poder sair sozinha, ilesa e rapidamente de uma situação de violência. E é isso que o Krav Magá proporciona”, conta Guilherme, faixa-preta e praticante à 22 anos.
As aulas de Krav Magá poderão ser realizadas na unidade do clube Assefe. No setor de clubes sul, as aulas acontecem nas segundas e quartas-feiras, as 18h e, nas terças e quintas-feiras, 18h15 e 20h15 aos sábados às 9h30.
Serviço:
Aulas de defesa pessoal para elas. Local:
– Unidade I – Asa Sul: SHCS 108 Sul Bloco A – Clube Vizinhanca (*desconto não válido para essa unidade)
– Unidade II – Setor de Clubes Sul – Clube Assefe
Inscrições e informações: 61 3202-0203 ou clique aqui.
Feiras de Ceilândia e a Casa do Cantador serão palco para representantes da cultura regionalA Associação dos Forrozeiros do Distrito Federal (Asforró-DF) anuncia o aguardado “Sabadão do Forró”, um festival que celebrará a rica e vibrante cultura nordestina na cidade de Ceilândia. Com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) o projeto tem início no neste sábado, dia 30/09 e vai até o último sábado do ano. Com mais de 50 trios de forró Pé de Serra raiz se apresentando, o evento é uma celebração cultural que exalta o ritmo que se consagrou como patrimônio cultural imaterial brasileiro.
Com as fortes raízes na vida da população de Ceilândia e do Distrito Federal como um todo, a cultura nordestina movimenta, assim como sua música, dança, culinária e tradições autênticas, o forró é uma parte intrínseca da identidade dessas comunidades. Nesse sentido, o “Sabadão do Forró” é uma oportunidade única para homenagear, fortalecer essa conexão cultural e formar novos públicos, com uma plateia de diferentes gerações e idades.
Marques Célio, presidente da Asforró-DF, compartilhou suas expectativas para o evento: “De volta às feiras do DF, o ‘Sabadão do Forró’ é um verdadeiro presente para nossa comunidade. É manter viva e pulsante a nossa identidade, a identidade alegre da cultura nordestina, em um momento de alegria e de preservação de nossas raízes culturais.”
Outros encontros emocionantes acontecerão também na Casa do Cantador, um dos locais mais icônicos da região, ao longo do festival. A Casa do Cantador será palco de inúmeras apresentações que irão ocupar o Palácio da Poesia com muito forró até dezembro. Uma programação variada e emocionante aguarda os amantes do forró, com trios renomados e talentosos subindo ao palco.
De acordo com o presidente da entidade representativa, a ideia é enaltecer um ritmo que faz parte da identidade brasileira e da capital. “O forró é um patrimônio cultural brasileiro e merece ser celebrado sempre. Esse evento é uma forma de mostrar a riqueza desse ritmo e proporcionar momentos de alegria e descontração para todos os presentes”, disse ele.
Entre as atrações confirmadas para este primeiro sábado, na Praça da Feira Central de Ceilândia estão: Trio Nêga Maluka, Trio Guaraciaba, Anastácio Oliveira & Trio Forró Pra Nóis, Trio Forró BjÚ e Trio Malucos por Forró.
Para mais informações e atualizações sobre o evento, acesse o perfil da Asforró – DF nas redes sociais, em @asforrodf.
Serviço: Sabadão do Forró Primeiro sábado (30/09/2023) Local: Praça Feira Central de Ceilândia
Mixologista Benício Calaça participa com cinco coquetéis ao lado dos melhores profissionais do mundo
O Zimbro Cocktails & Co participa do Cocktail Festival, que começa nesta quinta-feira, 28 de setembro. Com mais de 90 bares participantes, o Cocktail Festival é uma celebração da arte da coquetelaria, no qual o clássico se encontra com a inovação, e os drinks mais amados ganham um toque especial das mãos dos melhores bartenders do mundo. O mixologista Benício Calaça, do Zimbro, criou cinco coquetéis para o festival, uma grande oportunidade para as pessoas se reunirem e descobrirem as notas e sabores dos mais saborosos coquetéis. “São drinks preparados com os melhores destilados do mundo e com preço promocional por fazerem parte do festival”, conta Benício. No Brasil, o Cocktail Festival é realizado em bares parceiros em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e Goiânia.
Os coquetéis que serão feitos por Benício Calaça no Cocktail Festival são:
CAFEU Ketel One vodka, tequila Don Julio Blanco, café, balsâmico, arroz negro, tintura de goji berry
Entre as marcas já confirmadas estão Ylla, Annaka e Carlos Pena, de acessórios; Wasabi, Dani Bernardes, Olive You e Valônia Veras, com suas coleções femininas. O mix de 80 marcas vai além da moda. Terá também pequenos produtores de objetos de decoração e de itens ligados ao bem-estar. Será uma oportunidade única das goianas conhecerem propostas autorais com uma curadoria minuciosa, garimpadas em diferentes cidades brasileiras.
“Estamos muito felizes em juntar dois coletivos com o mesmo propósito e trazer para Goiânia marcas incríveis com muita gente criativa por trás e que pensa o consumo, a moda e o comportamento de uma maneira muito atual”, aponta Aloma.
Carandaí 25 + Fervo
3 a 5 de outubro das 9h às 19 horas Entrada: 1 kg de alimento não perecível para doação Local: Espaço Equatore – Av. T-3, 1494 – St. Bueno
Projeto segue agora para sanção do presidente da República
O Senado aprovou, nesta quarta-feira (27), o projeto de lei que estabelece que os povos indígenas só têm direito às terras que ocupavam ou reivindicavam até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da atual Constituição Federal, tese conhecida como marco temporal.
O projeto segue agora para a sanção presidencial. A matéria já tinha sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A proposta autoriza a exploração econômica das terras indígenas, inclusive com a contratação de não indígenas, desde que aprovada pela comunidade e com a garantia de promover benefícios à população local.
Para o relator, senador Marcos Rogério (PL-RO), o projeto traz segurança jurídica ao campo. Segundo ele, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de invalidar a tese do marco temporal não impede a decisão do Legislativo. “Esta é uma decisão política. Hoje, estamos reafirmando o papel desta Casa. Com esse projeto, o Parlamento tem a oportunidade de dar uma resposta para esses milhões de brasileiros que estão no campo trabalhando e produzindo”, disse.
Na última quinta-feira (21), a Suprema Corte decidiu, por 9 votos a 2, que é inconstitucional limitar o direito de comunidades indígenas ao usufruto exclusivo das terras ocupadas por seus povos em função da data em que a Constituição Federal passou a vigorar.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), negou que a aprovação do projeto seja para afrontar o STF.
“Não há sentimento revanchista com a Suprema Corte. Sempre defendi a autonomia do Judiciário e o valor do STF. Mas não podemos nos omitir do nosso dever: legislar”, disse.
Os senadores contrários à tese do marco temporal criticaram a legalidade da proposta aprovada. “Ele fere frontalmente os povos indígenas do Brasil, sobretudo aqueles que estão em situação de isolamento, ao permitir o acesso [a comunidades indígenas isoladas] sem critério de saúde pública, sem respeitar aquilo que está estabelecido hoje. Este projeto também premia a ocupação irregular [dos territórios tradicionais reivindicados por povos indígenas], estabelecendo uma garantia de permanência para quem está em situação irregular”, afirmou a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), durante a votação na CCJ.
Participantes do Festival Pela Vida das Mulheres caminham do Museu Nacional da República até o Supremo Tribunal Federal (STF). Em frente à Corte, as ativistas fizeram um ato em defesa da descriminalização do aborto.
Especialistas comentam tema; voto de ministros será presencial
A descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez, que começou a ser julgada virtualmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na madrugada do dia 22 de setembro, é tema polêmico tanto entre grupos mais conservadores que se opõem à legalização, como os evangélicos, quanto entre movimentos de esquerda e mais progressistas.
A presidente do STF, ministra Rosa Weber, é relatora do processo e registrou, na sexta-feira (22), o voto a favor de que a prática não seja considerada crime. O ministro Luís Roberto Barroso pediu que o julgamento fosse suspenso e levado ao plenário físico. A nova data ainda não foi marcada.
Nesta quinta-feira (28) é celebrado o Dia de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe. A Frente de São Paulo contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto convoca partidos, movimentos e coletivos para ato unificado a favor da pauta. A concentração começa às 17h no vão do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp).
Na América Latina, diversos países já legalizaram o procedimento. Em 2012, enquanto o Brasil ainda decidia se o aborto de anencéfalos era crime ou não – o STF decidiu que não -, o Uruguai já legalizava a prática, independentemente da situação da gestante e da concepção. Em 2020, 2021 e 2022, a Argentina, o México e a Colômbia, respectivamente, se juntaram ao Uruguai.
A descriminalização é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defende que seja um direito de todas, sem limite de idade gestacional, e que se opte preferencialmente pelo aborto medicamentoso, com misoprostol e mifepristona, proibido no Brasil.
Na região metropolitana de São Paulo, a pauta ganhou destaque neste mês. A Câmara Municipal de Santo André promulgou a Lei nº 10.702, proibindo que qualquer órgão da administração local, direta ou indireta ou autarquia “incentive ou promova a prática do aborto”. O Artigo 128 do Decreto-lei nº 2.848 diz que não se pune o médico que executa o procedimento para salvar a gestante e em caso de estupro da mulher. A Lei nº 10.702 foi uma proposta do vereador Márcio Colombo (PSDB). No Brasil, o aborto é considerado legal em casos de gestação decorrente de estupro, risco de vida à gestante e anencefalia fetal.
Julgamento moral
Para a médica ginecologista e obstetra Helena Paro, a postura de profissionais mais conservadores quanto ao direito ao aborto em qualquer circunstância é um elemento que gera negligência em consultórios e hospitais, estendendo-se até mesmo às pacientes que estão respaldadas pela lei. A médica trabalha há cerca de seis anos com aborto legal e afirma que a atividade devolveu a ela “o sentido da vida”, pois se sente bem ao ajudar jovens. Helena citou uma paciente atendida há poucos dias que engravidou após ser vítima de estupro. Ela conta que, se a jovem mantivesse a gestação que não queria e nem programou para ter, reduziria a quase zero as chances de realizar o sonho de cursar arquitetura.
“O sofrimento maior é o do estigma e o de morrer na clandestinidade”, resume a profissional, que é professora de Medicina e integrante do Nuavidas, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais.
Helena afirma que grupos contrários à descriminalização pressionam quem é a favor e, no seu caso, apresentam questionamentos a órgãos públicos. “A gente tem um Estado laico, mas também uma cruz nas paredes dos salões das sedes dos Poderes”, afirma, fazendo referência ao símbolo colocado nesses locais e à interferência do cristianismo na tomada de decisões e na proposição de leis. A ginecologista argumenta que “o aborto que mata é o clandestino”.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto 2021, estima-se que 5 milhões de mulheres tenham feito aborto em todo o país. A proporção é de que uma em cada sete já fez o procedimento até os 40 anos de idade, sendo que 81% delas têm religião, o que sugere que, mesmo com suas crenças, consideram ser mais urgente resolver a gravidez por não desejarem dar à luz a uma criança que não querem naquele momento. O estudo indica que muitas das mulheres têm religião de linha conservadora e, mesmo assim, fazem o aborto, ainda que não compartilhem a decisão com outras pessoas. Para movimentos a favor da legalização, a atitude revela hipocrisia.
Perigos e barreiras
Os movimentos feminista e mulherista chamam a atenção para o fato de que o aborto clandestino coloca as mulheres em situação de maior vulnerabilidade e, por essa razão, defendem que se trata de uma questão de saúde pública. Essa associação pode ser observada por meio de outro dado da pesquisa nacional: 43% delas precisam ser hospitalizadas após o procedimento.
O risco do aborto feito de modo improvisado, sem a proteção legal e, portanto, sem assistência adequada de profissionais de saúde, pode levar à morte e, nesse cenário, a maioria é negra. De acordo com o mais recente levantamento oficial do país, 64% das mulheres que perderam a vida após tentar fazer um aborto não especificado – termo mais usado para os abortos clandestinos – tinham esse perfil, tendo como base o intervalo de 2012 a 2021. De 2012 a 2019, mais de 192 mil mulheres foram internadas após abortos não especificados ou após a tentativa dar errado.
A advogada Letícia Vella, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, avalia que, se a mentalidade do país fosse outra, o acesso seria mais fácil até para quem tem, atualmente, direito a fazer um aborto. “As barreiras são inúmeras”, observa.
Ela citou, entre essas barreiras: poucos serviços que oferecem consultas para que se chegue à possibilidade de realização do procedimento; objeção de consciência por parte dos profissionais; limite de idade gestacional; autorização judicial, quando não é necessária; e desconfiança na palavra das mulheres. Citou ainda tentativas de verificar a compatibilidade da idade gestacional com a época da violência (estupro) e a desconsideração de doenças crônicas.
Relato
A designer Ísis* tinha 39 anos e saía há um mês com seu companheiro, apesar de o conhecer há anos, quando descobriu a gravidez indesejada. O relacionamento era tão recente quanto o emprego que conseguira. Pela lei que vigora hoje no Brasil, Ísis não poderia realizar um aborto. Ela chegou a tomar a pílula do dia seguinte para evitar a gravidez, mas não funcionou.
A ajuda chegou por meio de pessoas de sua confiança, em sua maioria mulheres que indicaram contatos para a compra de substâncias abortivas. Ísis também consultou um médico para saber como deveria tomar o medicamento, que adquiriu com dinheiro guardado na poupança, e para conhecer os riscos. Ela contou com o apoio do companheiro, que teve receio de que ela morresse ou ficasse com sequelas após o procedimento.
“Também conheço uma moça que, mesmo tendo dinheiro, quase não conseguiu abortar. Ela estava grávida de gêmeos. Só soube quando foi verificar no exame transvaginal”, conta Ísis, acrescentando que o aborto de um dos fetos não foi feito com sucesso e que ela precisou recorrer a doses de mifepristona, que obteve por meio de um coletivo feminista.
“Eu não estava preocupada em morrer, estava preocupada em parir sem ter planejado. Eu tinha pouquíssimo tempo no emprego. Imagina a confusão”, afirma.
*O nome da entrevistada foi trocado para preservar sua identidade.