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Dia nacional da leitura: quatro livros para começar e manter uma vida financeira saudável

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Especialista de fintech indica leituras recomendáveis para aqueles que querem aprender sobre dinheiro e manter o equilíbrio das contas

Apesar de muito discutida, são poucas as pessoas que conseguem organizar a vida financeira de forma que se mantenha equilibrada. Só em maio deste ano, mais de 67,30 milhões de brasileiros estavam negativados, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Acredita-se que o aumento dos juros e a instabilidade econômica como um todo tenham contribuído para a inadimplência da população. 

Thaíne Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech de crédito pessoal 100% online, acredita que ainda falta consciência sobre os gastos, e sobretudo, um aprendizado aprofundado de como lidar com as finanças. “Entender o universo financeiro realmente não é uma tarefa fácil, mas existem diversas formas de aprender sobre o assunto e pôr em prática hábitos saudáveis sem ter medo de ficar sem dinheiro ou acumular dívidas. Acompanhar tutoriais ou ler livros, por exemplo, podem ser o primeiro passo para se educar e aprender a equilibrar as contas”, explica.

Por isso, em comemoração ao Dia nacional da leitura, celebrado dia 12 de outubro, a executiva aponta quatro edições para brasileiros lerem e iniciarem uma vida financeira saudável.
Confira:

“Como Organizar sua Vida Financeira”, de Gustavo Cerbasi
Planejamento é um dos primeiros passos para ter uma saúde financeira e esse é o ponto central do livro de Gustavo Cerbasi. O autor aborda os temas-chave e ajuda o leitor a realizar um diagnóstico da sua situação atual e a aprender a analisar seu orçamento doméstico, identificando os pontos que podem ser aperfeiçoados. 

“Educação Financeira ao Alcance de Todos”, de José Pio Martins 
Neste livro, o autor se dedica a ensinar como resolver as principais questões do dia a dia envolvendo dinheiro. Com linguagem clara e agradável, Martins explica de forma democrática termos e temas complexos, como geração de renda, passivo circulante ou patrimônio líquido. 

“Saiba mais para gastar menos: Aprenda a desenvolver sua inteligência financeira”, de Elaine Toledo
“Você ganha pouco ou está gastando demais?” é a pergunta respondida por Elaine Toledo em seu livro. A partir de uma escrita clara e explicativa, a autora apresenta uma ferramenta que ajudará o leitor a melhorar o balanço das contas e a “sair do buraco” por meio de exemplos práticos que abordam a poupança e a sustentabilidade financeira.

“A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade”, de Morgan Housel
A autora apresenta casos de sucessos e fracassos de investidores que demonstram a importância do fator mental na condução das finanças. Ela ensina formas de administrar e fazer o dinheiro render, e aponta a percepção de que cuidar da vida financeira não se trata apenas de métodos matemáticos, mas sim da convivência com a família e reuniões com os colegas de trabalho.

Sobre a Simplic
Lançada em 2014 no Brasil, a Simplic é a primeira plataforma de crédito pessoal 100% online do País. Inovadora, a ferramenta utiliza inteligência artificial, machine learning e big data para analisar dados dos usuários advindos de mais de 200 variáveis e é capaz de gerar uma resposta em menos de 3 segundos. Oferece empréstimos entre R$500 e R$3.500, que podem ser pagos em 3, 6, 9 ou 12 vezes, tudo de forma prática, rápida, segura e digital. Hoje, analisa mais de 10 mil propostas por dia e já originou meio bilhão de reais desde o início das operações.

Governo quer estimular desenvolvimento de territórios

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Brasília - 23.05.2023 - Cenas da cidade de Brasília. Na foto a Esplanada dos MInistérios. Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Coordenação será feita pela Secretaria Nacional de Participação Social

Um grupo de trabalho (GT) interministerial foi criado com o objetivo de estimular o desenvolvimento territorial, por meio da participação social e educação popular na elaboração das políticas públicas do governo federal. A medida está publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (11). 

A proposta do GT Territórios e Participação Social nas Políticas Públicas do Governo Federal é elaborar diretrizes, orientações e estratégias para buscar soluções, força de trabalho e fortalecer as economias locais, por meio de ações construídas com as comunidades.

Para isso, será elaborado um relatório, em 90 dias, apontando caminhos para o aprimoramento das políticas públicas de desenvolvimento territorial, que será entregue ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo.

Composição

O GT será coordenado pela Secretaria Nacional de Participação Social e terá dois representantes titulares do Conselho de Participação Social e um da Secretaria-Executiva. Participam ainda representantes da Casa Civil e Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, além de representantes dos ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, do Desenvolvimento e Assistência Social, das Cidades e da Integração e Desenvolvimento Regional.

Servidores de outros órgãos da administração pública e especialistas de notório saber poderão ser convidados a participar dos debates e contribuir com assessoramento técnico nas reuniões que acontecerão a cada 15 dias.

Nos encontros, o grupo deverá realizar estudos técnicos e elaborar diretrizes para integrar as políticas públicas à participação social com educação popular, além de propor estratégias para territorialização das ações do governo federal. Também deverão ser apresentadas propostas para edições de atos e orientações sobre os temas em debate.

Edição: Kleber Sampaio 

Por Agência Brasil – Brasília 

Entenda como o novo ensino médio vai impactar o Enem

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Candidatos comparecem a local de prova para a primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022.

Agência Brasil conversou sobre o tema com estudantes e especialistas

Enem 2023

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deverá mudar nos próximos anos, acompanhando as alterações nos currículos do ensino médio em todo o país. Essa mudança, no entanto, ainda deve demorar. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, um novo modelo poderá começar a ser aplicado apenas a partir de 2025, depois de ser amplamente discutido. Conversamos com estudantes e especialistas sobre o que esperar do futuro do Enem. 

Atualmente, o Enem é composto por provas de linguagens, ciências humanas, matemática e ciências da natureza que, juntas, somam 180 questões objetivas de múltipla escolha, além de uma prova de redação. O exame é aplicado em dois domingos. Teoricamente, o Enem deveria cobrar o que os estudantes aprenderam ao longo da trajetória escolar. 

Em 2017, no entanto, o país aprovou o chamado novo ensino médio, que começou a ser implementado nas escolas públicas e particulares no ano passado. A previsão era que o Enem também mudasse, em 2024, para se adequar ao novo ensino. Pelo novo modelo, parte das aulas é comum a todos os estudantes do país, direcionada pela chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na outra parte da formação, os próprios estudantes podem escolher um itinerário para aprofundar o aprendizado. As opções permitem ênfase nas áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e ensino técnico. A oferta de itinerários depende da capacidade das redes de ensino e das escolas brasileiras. 

Um parecer aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2022 sugeria que o novo Enem tivesse duas etapas, uma tendo como referência a BNCC e, outra, que poderia ser escolhida pelo estudante de acordo com a área vinculada ao curso superior que pretende cursar. O governo anterior chegou a anunciar a nova proposta, mas ela não saiu do papel. 

Críticas 

O novo ensino médio sofreu uma série de críticas e, atualmente, está sendo rediscutido no âmbito do governo federal. Com isso, o cronograma de mudanças no Enem foi suspenso. As provas, que deveriam mudar já em 2024, agora terão também as mudanças adiadas

“De certa forma estão sendo feitos ajustes, não há como fazer um novo exame sem que o ensino médio esteja sendo implementado de forma clara”, diz o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais Chico Soares. Soares é ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é responsável pelo Enem e é também ex-membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), onde foi um dos relatores da BNCC.

Soares explica que as mudanças no Enem ainda devem demorar, porque, mesmo depois que o novo modelo para o ensino médio for definido, ainda será preciso readequar as provas. “Vamos mudar o tipo de expectativa de aprendizagem”, diz. O Inep precisará, então, elaborar e testar novas questões antes de aplicá-las.

Segundo o ministro da Educação, o Enem deverá começar a ser reformulado a partir do ano que vem, para que as mudanças passem a valer a partir de 2025. As discussões devem ocorrer dentro dos debates do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para a educação a cada dez anos. Para Soares, a previsão é otimista. Ele estima que uma nova prova deve ser aplicada ainda mais tarde, a partir de 2026. 

Preocupação 

Para os estudantes, a situação gera muita preocupação, segundo a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Jade Beatriz. “Nos preocupa muito, porque o modelo de ensino mudou. Objetivamente, o ensino médio teve uma mudança muito brusca, uma redução da carga horária básica, que é muito importante e é o que cai no Enem. Tivemos uma redução e a gente acaba não vendo tudo no ensino médio e é o que será cobrado no Enem. Isso nos prejudica muito”, diz.  

Segundo ela, o ensino médio anterior ao novo modelo não era o ideal, mas a redução da formação básica de forma abrupta acirrou a desigualdade entre escolas públicas e particulares, uma vez que cada rede de ensino oferta a formação de acordo com a própria capacidade. 

A estudante diz que, embora o cronograma do novo ensino médio preveja a implementação gradual ano a ano, todas as séries do ensino médio estão sendo impactadas, inclusive quem atualmente cursa o 3º ano e vai prestar o Enem para buscar uma vaga no ensino superior. “Não tem as matérias que serão cobradas, então, na visão do estudante da escola pública, vou fazer uma prova que sei que não vou passar”, diz e acrescenta: “Todas as séries estão sendo impactadas. E é surreal, porque serão três gerações, contando a partir de hoje, que serão atingidas por isso. O novo ensino médio nos aproxima do subemprego”. 

Enem 2023 

O Enem 2023 será nos dias 5 e 12 de novembro. De acordo com o Inep, mais de 3,9 milhões de pessoas estão inscritas. Desse total, 1,4 milhão, o equivalente a 35,6%, concluem o ensino médio este ano. Outros 1,8 milhão (48,2%) já concluíram o ensino médio em anos anteriores e os demais 16,2% dos inscritos ainda não concluíram o ensino médio e farão a prova apenas para testar os conhecimentos, os chamados treineiros.  

O Enem é a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil. É utilizado para o ingresso em instituições públicas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e para obtenção de bolsas de estudo em instituições privadas pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). Também é usado para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

Além disso, os resultados do Enem também podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições estrangeiras que possuem convênio com o Inep para aceitar as notas do exame. 

Edição: Aline Leal 

Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro 

Chega a Brasília primeiro avião trazendo brasileiros de Israel

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Brasília (DF) 11/10/2023 – O primeiro avião da FAB trazendo 211 brasileiros de Israel aterrissa às 4h da manhã, na Base Aérea de Brasília. A operação de resgate, denominada Voltando em Paz, começou no domingo (8) com a saída da aeronave do Brasil com destino à Itália e, de lá, para Tel Aviv (capital israelense), de onde os brasileiros embarcaram. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Aeronave KC-30 da FAB, com 211 passageiros, pousou às 4h10

O primeiro avião de resgate trazendo brasileiros de Israel pousou em Brasília por volta das 4h10 desta quarta-feira (11). A aeronave KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB), com 211 passageiros, decolou de Tel Aviv às 14h12 (horário de Brasília) de ontem (10) e fez voo de cerca de 14 horas direto para a capital federal.

Do total, 107 passageiros desembarcaram em Brasília e 104 seguiram para o Rio de Janeiro em dois aviões da FAB.

O governo federal mobilizou a repatriação dos brasileiros devido ao confronto iniciado no último fim de semana entre Israel e o grupo Hamas, no Oriente Médio. Estão previstos mais quatro voos até domingo (15) na chamada Operação Voltando em Paz, coordenada pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Neste primeiro momento, a estimativa é retirar 900 brasileiros que estão em Israel e na Palestina.

As próximas aeronaves com repatriados pousarão no Rio de Janeiro, no Recife, em São Paulo e as duas últimas no Rio de Janeiro. Para o deslocamento até o destino final de cada um as passagens serão custeadas pela empresa aérea Azul. A parceria é uma articulação da Presidência da República com a companhia.

Brasília (DF) 11/10/2023 – O primeiro avião da FAB trazendo 211 brasileiros de Israel aterrissa às 4h da manhã, na Base Aérea de Brasília. A operação de resgate, denominada Voltando em Paz, começou no domingo (8) com a saída da aeronave do Brasil com destino à Itália e, de lá, para Tel Aviv (capital israelense), de onde os brasileiros embarcaram.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – O primeiro avião da FAB trazendo 211 brasileiros de Israel aterrissa às 4h da manhã, na Base Aérea de Brasília. Foto Joédson Alves/Agência Brasil

O Itamaraty já colheu os dados de pelo menos 2,7 mil brasileiros interessados em deixar a região e voltar ao Brasil. A maioria é de turistas que visitavam Tel Aviv e Jerusalém quando, no último sábado (7), o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, deflagrou um ataque contra o território israelense. Seguiu-se, então, forte reação militar de Israel, que passou a bombardear a Faixa de Gaza.

A ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, disse hoje que o objetivo do governo é “trazer todos de volta”. Ela, o ministro da Defesa, José Múcio, e o comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, receberam os repatriados na Base Aérea de Brasília.

Neste primeiro momento, o Itamaraty priorizou o traslado de cidadãos que residem no Brasil e visitavam a região do conflito sem ter passagem de volta. Uma segunda etapa da operação está sendo planejada, após a conclusão desses primeiros cinco voos.

Ataque

No confronto no último fim de semana, os brasileiros Ranani Nidejelski Glazer e Bruna Valeanu, ambos de 24 anos, morreram. Os dois foram vítimas do ataque do Hamas a um festival de música eletrônica que ocorria no Sul de Israel, próximo à Faixa de Gaza. Segundo a imprensa israelense, só no local, já foram localizados 260 mortos.

Há ainda uma brasileira desaparecida. A carioca Karla Stelzer, de 41 anos, vive em Israel há mais de dez anos e, como Bruna e Glazer, também participava da rave Universo Paralello.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, em torno de 14 mil brasileiros vivem em Israel e 6 mil na Palestina. Além disso, muitos turistas visitam a região, seja para conhecer locais considerados sagrados, seja para participar de eventos. 

Brasília (DF) 11/10/2023 – Roberto Carvalho e sua companheira Cristina Balbi se ajoelham para agradecer a chegada no Brasil no primeiro avião da FAB trazendo 211 brasileiros de Israel aterrissa às 4h da manhã, na Base Aérea de Brasília. A operação de resgate, denominada Voltando em Paz, começou no domingo (8) com a saída da aeronave do Brasil com destino à Itália e, de lá, para Tel Aviv (capital israelense), de onde os brasileiros embarcaram.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Roberto Carvalho e sua companheira Cristina Balbi se ajoelham para agradecer a chegada ao Brasil no primeiro avião da FAB trazendo 211 brasileiros de Israel – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Segundo  o Ministério da Defesa, nos últimos anos as Forças Armadas realizaram quatro operações de repatriação, por ar e por terra, na Turquia, Ucrânia, China e Bolívia. Cerca de cinco aeronaves e 30 viaturas foram utilizadas nas missões, que resultaram no resgate de, aproximadamente, 6,6 mil pessoas, entre brasileiros e estrangeiros.

Orientações

A Embaixada do Brasil em Tel Aviv está recebendo, por meio de formulário em seu site, a inscrição de interessados em repatriação.

Os plantões consulares da embaixada em Tel Aviv (+972 (54) 803 5858) e do Escritório de Representação em Ramala (+972 (59) 205 5510), com whatsapp, permanecem em funcionamento para atender pessoas em situação de emergência. O plantão consular geral do Itamaraty, em Brasília, também pode ser contatado pelo telefone +55 (61) 98260-0610.

O Escritório de Representação em Ramala, na Cisjordânia, segue em contato com os cerca de 50 brasileiros que vivem na Faixa de Gaza e prepara a retirada daqueles que desejam deixar a região, em coordenação com a Embaixada do Brasil no Cairo, no Egito, país fronteiriço.

Segundo Damasceno, a FAB está mapeando os aeroportos no Norte e Nordeste para realizar a operação de resgate.

O Itamaraty reforça ainda a orientação de que todos os brasileiros que estão na região e que tenham passagens aéreas, ou condições de adquiri-las, embarquem em voos comerciais a partir do Aeroporto Internacional Ben Gurion, que continua a operar, ainda que com restrições.

Edição: Graça Adjuto 

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil – Brasília 

SP e Brasília têm manifestações em solidariedade a Israel e Palestina

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Brasília (DF) 10/10/2023 – Ato no museu da República em prol do povo Palestino. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No Brasil, descendentes e imigrantes reagem ao conflito

Por Bruno Bocchini e Carolina Pimentel – Repórteres da Agência Brasil – São Paulo e Brasília 

A capital federal e a capital paulista receberam, nesta terça-feira (10), manifestações em apoio tanto ao estado de Israel quanto à comunidade palestina, protagonistas de um conflito histórico, cujo novo capítulo teve início no último sábado (7), com o ataque do grupo palestino extremista Hamas contra centenas de civis em uma festa em Israel. O governo israelense, por sua vez, investiu em uma contraofensiva que atingiu violentamente centenas de civis palestinos.

No bairro paulistano de Higienópolis, organizado pela Federação Israelita do Estado de São Paulo, foi feito o ato “Com Israel contra o Terrorismo”, na Praça Centenário de Israel, na região da Consolação.

“A principal mensagem da nossa manifestação é a solidariedade a Israel. É um ato de basta ao terrorismo. Solidariedade aos irmãos que estão em Israel e o fim do terrorismo, o direito de Israel se defender”, destacou o presidente-executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Ricardo Berkiensztat.

São Paulo SP 10/10/2023  Federação Israelita do Estado de São Paulo, realiza ato na Praça Centenário de Israel,
Federação Israelita do Estado de São Paulo realiza ato na Praça Centenário de Israel “Com Israel contra o Terrorismo”. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

“A gente quer que Israel viva em paz. Agora, com o Hamas do outro lado é impossível isso acontecer, isso já está demonstrado há muito tempo. O que o Hamas fez agora mostra que ele não tem interesse em dois Estados, não tem interesse em diálogo. Então, com o Hamas não dá para sentar à mesa”, acrescentou.

De acordo com Berkiensztat, o estado de Israel deverá dar, nos próximos dias, uma resposta contundente ao ataque do grupo palestino, “para tentar eliminar o maior número possível de terroristas do Hamas”.

“A partir daí, eu acho que dá para você pensar numa negociação, uma negociação de dois Estados, os dois Estados seguros. Agora, realmente, que eles aceitem que Israel tem que existir, porque até agora só se pergunta a Israel se ele aceita dois Estados. Ninguém perguntou ao Irã ou ao Hamas se eles aceitam dois Estados, porque a resposta vai ser negativa”.

Solidariedade ao povo palestino

Em Brasília, um ato em apoio à Palestina ocorreu em frente à Biblioteca Nacional, próximo da Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes pediram o fim das ações violentas de Israel na Faixa de Gaza e liberdade aos territórios palestinos.

“A Palestina é uma causa da humanidade. É onde nasceram todas as religiões do mundo. Palestinos respeitam todas as religiões do mundo. A gente repudia os atos de sionismo [movimento político que impulsionou a criação do Estado de Israel] por parte de Israel”, disse Khaled Nasser, da Sociedade Árabe Palestina em Brasília.

Brasília (DF) 10/10/2023 – Ato no museu da República em prol do povo Palestino.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Brasília (DF) 10/10/2023 – Ato no museu da República em prol do povo Palestino. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O presidente do Instituto Brasil Palestina, Ahmed Shehada, agradeceu o apoio de brasileiros ao povo palestino. Ele contou que irmãos, filhos e netos estão na Faixa de Gaza, região mais afetada pelo conflito, e tem mantido contato com eles com dificuldade, pois estão sem água, energia e internet, estruturas que foram destruídas.

“Meus filhos, netos e irmãos estavam vivos até umas horas atrás. Agora, ninguém garante que estarão vivos daqui uma hora. Meus netos não tinham água desde ontem para beber”, relatou Shehada, que vive há 15 anos no Brasil.

Em São Paulo, a manifestação em solidariedade ao povo Palestino foi realizada em frente ao Centro Cultural e restaurante Palestino Al Janiah, no Bixiga. A jornalista palestino-brasileira, coordenadora da Frente em Defesa do Povo Palestino e diretora cultural do Instituto da Cultura Árabe, Soraya Misleh, destacou que os palestinos têm sido oprimidos pelo estado de Israel há décadas.

São Paulo (SP), 10/10/2023 - Ato em defesa da Palestina em frente ao restaurante Al Janiah, em Bela Vista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
São Paulo (SP), 10/10/2023 – Ato em defesa da Palestina em frente ao restaurante Al Janiah, em Bela Vista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Estamos sofrendo há mais de 75 anos [desde a criação do estado de Israel, em 1948] uma colonização brutal, uma limpeza étnica. Eu mesma sou filha de um sobrevivente da Nakba[catástrofe] de 1948. Meu pai tinha 13 anos, na época, foi um dos 800 mil expulsos naquele momento, violentamente. A aldeia dele é uma das mais de 500 destruídas [para dar lugar a Israel]”, disse.

“Mas a forma como nos retratam, parece que não há esse contexto histórico e que a violência não está nas mãos sujas de sangue de Israel”, acrescentou. De acordo com Misleh, o caminho para a paz passa pelo reconhecimento de que Israel pratica um apartheid – regime violento de segregação racial – contra os palestinos.

“Esperamos o reconhecimento do regime de apartheid e que se promova de imediato um embargo militar, que se rompam os acordos com Israel. Esse é o que nós estamos pedindo faz anos. Não há paz sem justiça. É preciso garantir a justiça e os direitos humanos fundamentais para os palestinos. Inclusive o direito de retorno”, ressaltou.

Edição: Marcelo Brandão 

Por Bruno Bocchini e Carolina Pimentel – Repórteres da Agência Brasil – São Paulo e Brasília 

Busca por Honestino Guimarães, morto pela ditadura, completa 50 anos

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Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Líder estudantil foi presos 6 vezes; da última, não voltou para casa

Na história de desaparecimento e morte do líder estudantil Honestino Guimarães, há 50 anos, mesclam-se violência e silêncio perturbadores. O estudante de geologia da Universidade de Brasília (UnB), nascido em Itaberaí (GO), foi preso, em razão de sua militância contra a ditadura,  seis vezes. Da última, em 10 de outubro de 1973, no Rio de Janeiro, nunca mais voltou para casa. Ele tinha apenas 26 anos de idade. Em seguida vieram pesadelos e sobras de esperança, conforme revelam familiares e amigos de Honestino.

Foi a esperança que moveu a peregrinação da família de Honestino por quartéis e prisões depois que a mãe do estudante, Maria Rosa, recebeu um telegrama que informava a detenção. De acordo com o relatório final da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade, constituída pela UnB, a mãe passou duas semanas em peregrinação pelos órgãos de segurança. Não encontrou o filho.  Havia somente uma informação de que ele havia sido preso pelo antigo Centro de Inteligência da Marinha (Cenimar). 

A família ouviu de militares que Honestino estava detido no Pelotão de Investigações Criminais (PIC) em Brasília, e que ela poderia visitá-lo no Natal daquele ano. No dia 25 de dezembro, Maria Rosa separou roupas e alimentos para o filho.  Ela esperou por seis horas. “Quando eles abriram a porta, levaram-na para uma cela que estava cheia de sangue. E disseram que ele não estava mais lá”, afirma o sobrinho de Honestino, Mateus Guimarães, de 37 anos, que não conheceu Honestino, mas pesquisa e se emociona com a história da família que se uniu para seguir adiante.

Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Brasília – 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto Acervo Familia

A filha de Honestino, Juliana Guimarães, tinha três anos de idade quando o pai foi “arrancado” da vida dela. “É não só da minha. Da minha avó, que passou a vida inteira procurando pelo meu pai. São 50 anos que a gente não tem resposta alguma. Nem o paradeiro sobre o corpo. A gente não tem notícia de nada que aconteceu desde que ele foi sequestrado no dia 10 de outubro”.

Conscientização

Juliana afirma que cresceu com medo de farda, mas também com as histórias do senso de humor de Honestino. “Minha mãe contou histórias como, por exemplo, que ele dormia no chão se preparando para o dia em que fosse preso. Ele andava com os olhos fechados porque sabia que tirariam os óculos dele”. Honestino tinha 10 graus de miopia.  A filha diz que não tem esperança de receber algum tipo de resposta sobre o que aconteceu ou a respeito do paradeiro de corpo. Mas espera que a visibilidade dessa história ajude a diminuir a ausência de informações de outras violências no período da ditadura.

O sobrinho, Mateus Guimarães, acredita que a história não diz respeito apenas à família dele. “A injustiça em um lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar. Essa lacuna diz respeito à democracia e ao povo brasileiro”. Entre as homenagens prestadas a Honestino Guimarães, uma ponte na cidade de Brasília, que se chamava Costa e Silva (que foi presidente de 1967 a 1969), ganhou o nome do líder estudantil no ano passado. “Foi um marco muito simbólico. Mas acho que seria muito relevante que a mudança do nome desse origem a um processo de educação e conscientização”.

História nebulosa

O historiador Daniel Faria, professor da Universidade de Brasília e que fez parte da Comissão da Verdade, lembra que Honestino passou a se destacar como liderança em 1968 em Brasília, época de grandes manifestações de rua contra a ditadura. Nesse ano, ele era presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub) e já ligado à União Nacional dos Estudantes (UNE). 

“Ele foi julgado e condenado por crimes contra a segurança nacional a 16 anos de prisão por causa de participação nas passeatas”. Ficou preso até as vésperas da decretação do AI-5 e conseguiu um habeas corpus. Depois entrou para a clandestinidade e saiu de Brasília em 1969. Foi para São Paulo, depois para o Rio de Janeiro até 1973, quando foi definitivamente preso. “Ele era presidente da UNE e ligado a um movimento de resistência chamado Ação Popular”. Em 1968, a poucos meses de se formar, foi expulso da UnB.

“O desaparecimento é algo extremamente nebuloso. Existem várias hipóteses sobre o que fizeram com ele depois que foi capturado”. O professor explica que, no final dos anos 1970, a história de Honestino volta à tona no contexto de uma discussão sobre anistia. Depois, durante as manifestações por Diretas Já, na década de 1980. 

“Em 1995, finalmente o Estado Brasileiro reconheceu que Honestino morreu”. No mesmo clima do país, com a formação da Comissão Nacional da Verdade, a UnB criou o próprio grupo para recolher documentos sobre violações de direitos humanos, como no caso de Honestino. Além dele, foram considerados desaparecidos os estudantes Paulo de Tarso e Ieda Delgado. São mais de 60 mil páginas de documentos. Para Faria, é necessário explicar mais nas aulas o que foi a ditadura e que não está ligada apenas a militantes. 

Gênio, sorridente e gigante

Mais que um militante, para o amigo Cláudio Almeida, hoje servidor público e economista aposentado, Honestino Guimarães, que ele chama pelo apelido de “Gui”, era uma pessoa genial. “Era uma pessoa muito alegre, comunicativa, brilhante e muito precoce. Quando fez o vestibular para a UnB, ele tinha 17 anos e foi o primeiro colocado. Eles se conheciam desde os tempos da escola de segundo grau, chamada Elefante Branco. 

Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Brasília – 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto Acervo Familia

“Tivemos uma relação mais próxima, inclusive politicamente, porque eu já fazia parte do grupo Ação Popular”. A partir do que via no amigo, foi Almeida que o levou para o movimento, que não era de luta armada.

Um dos momentos mais tensos, conforme Almeida, foi em 29 de agosto de 1968, quando havia um boato de invasão à UnB pelas forças policiais. Honestino perguntou ao amigo se sabia de algo. “Não percebia absolutamente nada. Fui assistir a uma aula de ciências políticas. Dentro de uns 10 ou 15 minutos, começamos a ouvir gritos avisando que haviam prendido Honestino”. Aí, conforme recorda, todos saíram da sala de aula. Almeida foi preso também em um cenário de ataques com gás lacrimogêneo e tiros. “Eles começaram a atirar mesmo para matar”. Tanto que atingiram o estudante de engenharia Waldemar Alves da Silva Filho, que sobreviveu. “Em seguida, fomos presos, colocados em fila indiana e levados para uma quadra de basquete”. Almeida lembra que prisões de alunos e professores se tornaram comuns e que também foi torturado com choques elétricos e outras agressões físicas. 

Depois de sair da prisão, o amigo recorda que Honestino chegou a se esconder no teto da universidade. Cláudio disse ao amigo que não tinha condições familiares e emocionais de seguir a luta de forma clandestina. Ele guarda as lembranças do Honestino, o baixinho loiro que era fanático pelo Vasco, por jogar futebol na praia e sorrir. “Ele era um amigo leal que se tornava gigante quando começava a falar”.

Conversa na igreja

Também da Ação Popular, o jornalista aposentado Pedro Oliveira, de 75 anos, lembra que entrou para o movimento depois de participar da Juventude Estudantil Católica, corrente progressista da igreja. Era estudante de ciências sociais quando entrou para o movimento estudantil. 

“Os nossos encontros eram rápidos naqueles anos de 1968 e 1969. Não era como hoje que podíamos sair normalmente. A última vez em que me encontrei com ele foi perto da igreja Santa Ifigênia, em São Paulo. Eu andava no sentido horário e ele no sentido anti-horário. E conversamos sobre questões políticas”. Foi traumático para o amigo saber do desaparecimento. “Ele era um cara muito carismático”. Pedro recorda que também foi torturado em uma das prisões em São Paulo. 

Outra companheira de luta de Honestino foi a então estudante de medicina Maria José Conceição. Ela tinha apenas 17 anos de idade quando foi recebida pelo veterano, já um líder estudantil.

 “Ele me apresentava às pessoas como uma irmãzinha, uma maninha. Era muito assim, sorridente, feliz, carinhoso”. Ele inseriu a amiga no movimento estudantil e mudou a vida dela. “Fui presa política também”, diz a hoje ex-deputada distrital e federal Maninha.

Sem ódio

Esse aspecto carinhoso, inclusive, é que o sobrinho Mateus Guimarães tenta levar para a vida. Ele encontrou um relato do tio que, aos 21 anos, dizia que não odiava o torturador, mas o sistema que criou a violência. “É muito linda essa percepção que tinha”. Ele defende que ainda há tempo de pedir a consciência de qualquer pessoa que tenha alguma informação. “Às vezes, essas pessoas podem saber algo, que tenham peso na consciência por terem participado daquele momento e não ter feito nada”.

Brasília (DF) - 10/10/2023- 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães.
Foto: Acervo Familia/Honestino Guimarães

Brasília – 50 anos do desaparecimento e morte de Honestino Guimarães. Foto Acervo Familia

A filha Juliana gosta de saber das histórias do bom humor do pai, que seria parecido com o do filho dela, adolescente. “Eu cresci sempre com a presença dele. Eu tenho poucas fotos dele. A mais linda é uma em que ele está deitado no meu colo. Eu tinha três anos. É a foto mais linda assim da minha vida. Ele está aqui comigo sempre”.

Edição: Graça Adjuto 

Por Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil – Brasília