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“Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo

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Trabalhadores relatam rotina de agressões e ofensas

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil* – Rio de Janeiro

Sofrer episódios de agressão, ofensa e humilhação são rotina no cotidiano de entregadores de aplicativo. A percepção foi relatada por trabalhadores das duas maiores cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo. O caso mais recente de repercussão foi o do entregador da plataforma iFood Nilton Ramon de Oliveira, de 24 anos, baleado por um cliente policial militar (PM) na segunda-feira (4), em Vila Valqueire, zona oeste do Rio de Janeiro.O motivo do desentendimento entre Nilton e o cabo Roy Martins Cavalcanti foi a exigência do cliente para que o pedido fosse entregue na porta da casa do PM. Nilton foi baleado na perna e está internado no Hospital Municipal Salgado Filho. O quadro dele é grave. O cabo da PM se apresentou a uma delegacia, prestou depoimento e foi liberado. A Polícia Civil investiga o caso, e a Corregedoria da PM abriu um procedimento interno.

O iFood reforça que os entregadores não têm obrigação de levar os pedidos até a porta dos apartamentos. “A entrega tem que ser realizada no primeiro ponto de contato, ou seja, no portão da residência ou na portaria do condomínio. O que aconteceu com o Nilton é inaceitável e condenável”, diz a gerente de Impacto Social do iFood, Tatiane Alves.

Segundo ela, a empresa entrou em contato com a família do entregador e se colocou à disposição para todo tipo de apoio. “Espero que o caso não fique impune e que o Nilton se recupere muito em breve. Vamos acompanhar de perto esse caso”, afirma.

Passado escravocrata

O entregador Bruno França trabalha no centro do Rio de Janeiro. Ele contou que todos os dias acontecem casos de ofensas e desentendimentos entre clientes e entregadores. Para ele, a raiz do problema tem relação com o passado escravocrata do país.

“Eu acho que a história de como foi construído o Brasil permeia até hoje. As reverberações do que aconteceu no passado influenciam a nossa vida. Não tenho dúvida de que isso tem ligação com o racismo. Muitos clientes, dentro de uma visão histórica escravocrata brasileira, acreditam que a gente tem que subir até o apartamento, colocar um babador e colocar comida na boca deles”, diz o entregador.

Rio de Janeiro (RJ) 06/03/2024 - Personagem Bruno França - Amigos, seguem fotos para a matéria “Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.
Foto: Vinícius Ribeiro/Divulgação
Bruno França conta que os desentendimentos com clientes são frequentes – Vinícius Ribeiro/Divulgação

Outra queixa de Bruno é que a plataforma, na avaliação dele, não deixa claro para o cliente que os entregadores não são obrigados a fazer a entrega na porta do apartamento.

“Todo dia acontece isso [desentendimento] porque muitos clientes entendem que a gente é obrigado a subir”. Ele cita ainda que, eventualmente, há um descumprimento da lei em vigor na cidade do Rio que proíbe a distinção no uso de elevadores entre social e de serviço.

O entregador também aponta a falta de direitos trabalhistas como um dos motivos para a categoria ser alvo de agressões e ofensas.

“Marginalização em relação ao mundo do trabalho. Não temos direito algum. A gente vive em uma sociedade violenta. Dentro dessa perspectiva desses agressores, eles nos veem como alguém sem direitos e que pode ser agredido, pode ser violado.”

Garçons

Rafael Simões faz entregas na cidade de Niterói, região metropolitana do Rio. Pouco antes do meio-dia, ele avisou: “Vamos rapidinho porque está chegando o horário de pico, sabe como é, né?”

Ele compartilha da opinião de que o passado do país tem a ver com a forma atual como entregadores são tratados por alguns clientes.

Rio de Janeiro (RJ) 06/03/2024 - Personagem Entregador de APP, Rafael Simões - Amigos, seguem fotos para a matéria “Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.
Foto: Rafael Simões/Arquivo Pessoal
“O cliente acha que é obrigação [entregar no andar]”, reclama Rafael Simões, que trabalha em Niterói – Rafael Simões/Arquivo Pessoal

“A gente vive nessa sociedade assim. O pessoal está realmente pensando que a gente é escravo”, diz.

“O cliente acha que é obrigação [entregar no andar]. O cliente está confundindo entregador com garçom. Nós não somos garçons”, reclama Rafael.

Rafael Simões conta que muitas vezes o entregador opta por deixar o pedido na porta do cliente para evitar problemas e também não perder tempo esperando a pessoa descer – muitas vezes com pressa nenhuma. “Às vezes, para evitar o problema, a gente sobe. Mas não é obrigação.”

Agressões

A comparação de Bruno e Rafael com o tempo de escravidão ganha mais significância ao se lembrar o caso de Max Ângelo dos Santos. Em abril de 2023, o entregador negro foi “chicoteado” com uma coleira de cachorro por uma mulher branca que se sentiu incomodada com a presença de entregadores em uma calçada, em São Conrado, bairro nobre na zona sul do Rio de Janeiro.

Em outro caso de repercussão, também em São Conrado, um entregador compartilhou nas redes sociais a abordagem de uma mulher que desceu até a portaria do prédio com um cutelo, depois de ele ter se recusado a subir para fazer a entrega.

Produtividade

Fora do Rio de Janeiro, desentendimentos e ofensas também são frequentes, afirma o presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativo e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar Franscisco da Silva, conhecido como Gringo. Outro ponto de atrito recorrente, segundo ele, é quando há demora para a chegada do pedido.

Gringo atribui a recusa da entrega na porta do apartamento a uma busca por produtividade, uma vez que, pelos aplicativos de delivery, os trabalhadores ganham por quantidade de entregas.

“Se a pessoa já está na portaria na hora que o entregador chega, ele entrega, e o aplicativo já toca imediatamente para ele pegar outra corrida. Quando ele tem que subir até o apartamento, ele perde uma ou duas entregas, que vão fazer falta na casa deles”, explica. Gringo lembra que há prédios em que a pessoa anda centenas de metros até chegar ao cliente.

Exército de reserva

O presidente da AMABR contextualiza que a mudança de comportamento dos entregadores, que antes faziam a entrega na porta do domicílio, sofreu alterações mais profundamente durante a pandemia, quando muita gente foi forçada a trabalhar como meio de sustento. Além de mais gente fazendo delivery, os aplicativos acirravam a concorrência por cliente baixando valores da taxa de entrega.

Rio de Janeiro (RJ) 06/03/2024 - Personagem presidente da assciação dos motofretistas de aplicativos e autônomos do Brasil, Edgar Francisco da Silva - Amigos, seguem fotos para a matéria “Clientes nos confundem com garçons”, reclama entregador de aplicativo.
Foto: Edgar Francisco da Silva/Arquivo Pessoal
Conhecido com Gringo, Edgar Francisco da Silva diz que os aplicativos de entrega têm à sua disposição um “exército de reserva” – Edgar Francisco da Silva/Arquivo

“Eles baixaram o preço para ter mais clientes, mas quem sentiu isso foi o entregador”, observa.

“Devido à baixíssima remuneração, os entregadores estão tendo outro comportamento que é ‘não vou subir, porque eu corro risco de ser multado, de a minha moto ser roubada, e não estou ganhando para isso, não vale a pena.”

Gringo nota ainda que algumas pessoas se veem superiores aos trabalhadores de delivery.

“Eu não sei explicar esse comportamento, mas tem pessoas que se sentem superiores e, em qualquer situação que não for do jeito que elas gostariam, já partem para esse lado da humilhação e da agressão”, lamenta o presidente da associação.

Ele conta que já vivenciou situações em que teve que ser transportado em elevador que carregava lixo. “Aquele fedor insuportável”. Além disso, já levou um empurrão de uma cliente.

“Isso impacta, você fica com aquilo na cabeça. A chance de você depois sofrer um acidente de moto porque estava com a cabeça naquilo é gigante”, relata.

Gringo complementa que o fato de ter muita gente buscando trabalho como entregador faz com que empresas e plataformas não deem a devida atenção a reclamações dos trabalhadores.

“O entregador fica muito submisso ao cliente, e o cliente aproveita disso. O cliente sabe que é só ele falar ‘o entregador foi mal-educado’. O aplicativo não quer nem escutar o entregador, ele não quer perder o cliente, então bloqueia o entregador porque ele tem um exército de reserva para fazer as entregas”, diz Gringo.

Campanha

A iFood faz campanhas e parcerias, inclusive com o Secovi (sindicato que reúne administradoras de imóveis), para conscientizar a população e diminuir as chances de desentendimentos entre clientes e entregadores. No carnaval, houve a campanha #BoraDescer, sobre a necessidade de o cliente ir até o entregador no ponto de contato (portaria ou portão da residência).

A plataforma, que tem 250 mil entregadores ativos, oferece, desde junho 2023, uma central de apoio jurídico e psicológico, que fornece assistência para entregadores vítimas de discriminação, agressão física, ameaça, assédio, abuso e/ou violência sexual. A central é uma parceria com o grupo Black Sisters in Law, formado por advogadas negras.

Apenas em 2024, a central recebeu 13.576 denúncias de ameaça e agressão física. Desde 2023, dos casos que resultaram em processos e atendimentos pela central de apoio, 26% se referem a casos de agressão física, 23%, de ameaça e 22%, de discriminação. De todos os casos atendidos, 16% estão relacionados a subir ou não nos apartamentos.

Legislação

Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, especializado na coleta de informações relacionadas à violência armada, aponta que ao menos 26 entregadores motoboys foram baleados em serviço na região metropolitana do Rio desde 2017. Desses, 21 morreram. Os dados não apontam se eram especificamente ligados a plataformas e incluem vítimas de operações policiais.

“Precisamos continuar falando dessa profissão que é tão desprezada, que coloca muita gente em risco e sustenta tantas famílias no Brasil”, observa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.

“Esses trabalhadores precisam de proteção que assegurem os direitos ao emprego e os direitos da vida também. É preciso criar políticas que assegurem o vínculo empregatício mais seguro, além de punir agentes de segurança que usem da violência para impor as suas vontades. É inadmissível que um policial militar armado ameace cidadãos dessa forma e fique por isso mesmo”, critica o coordenador.

Nhanga lembra que o país discute formas de regulamentação do trabalho por meio de plataformas. Na segunda-feira (4), o governo enviou ao Congresso um projeto de leique regula a atividade de motorista de aplicativos.

*Colaborou Vinicius Lisboa.

Edição: Juliana Andrade

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil* – Rio de Janeiro

 

O CERCO ESTÁ SE FECHANDO

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Muito se fala dos “Patriotas” que foram presos no dia 08 de janeiro, alguns acham injusto, outros acreditam necessário ser mandado o recado de que a democracia não aceita esse tipo de ataque, mas a pergunta que ultimamente não quer calar é: Bolsonaro também será condenado e preso pelo crime de Golpe de Estado?

Mas o que é crime de golpe de estado? O artigo 359-M do Código Penal brasileiro traz o seguinte teor: tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído. O crime de golpe de Estado visa a punir o agente que tenta destituir do poder quem lá chegou legitimamente, muitas vezes relacionado com uma ação militar, que derruba por meio do poder das armas de fogo um governo legalmente constituído, para estabelecer um governo controlado pelos militares ou um governo civil aliado a eles, e no caso em tela, o ex-presidente Jair Bolsonaro seria preso por não aceitar a derrota nas urnas eletrônicas da eleição de 2022 e tentar destituir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com os militares de seu governo.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que ao fim das investigações que estão sendo conduzidas pela Polícia Federal, será comprovado que foi de fato tentado ser dado um golpe de Estado, e os depoimentos dos investigados, entre eles generais do alto comando das forças armadas, corroboram com esse fato.

A Polícia Federal inclusive já identificou diversos movimentos suspeitos de Bolsonaro e seus principais aliados relacionados a invasão na praça dos Três Poderes. Alguns invasores de 8 de janeiro, por exemplo, estivaram junto aos generais Augusto Heleno e Braga Netto, que são ex-ministro e muito próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

É consenso entre os aliados do ex-presidente Bolsonaro que o tom será de condenação, calculam que ocorrerá a prisão, para além de tornar o ex-presidente inelegível na próxima eleição de 2026, também o deixar literalmente de fora das ruas, já que hoje ele é tido como o principal cabo eleitoral da Direita brasileira.

 

 

 

 

 

Adjânyo Costa

Desvendando o Divino: como a ciência nos reconecta com Deus

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Em uma era marcada pelo avanço tecnológico e científico, muitos argumentam que a ciência e a fé vivem em campos opostos. Porém, essa visão é apenas superficial. Ao aprofundarmos nosso entendimento científico, descobrimos uma conexão mais profunda com o divino, uma jornada que começa com a curiosidade e culmina na admiração.
Louis Pasteur, um renomado cientista, disse certa vez: “Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima.” Esta frase encapsula a ideia de que, enquanto um conhecimento superficial pode nos levar ao ceticismo, uma compreensão mais aprofundada da complexidade e da beleza do universo pode nos levar de volta à admiração e ao respeito pelo criador.

A ciência, em sua essência, busca entender o mundo ao nosso redor. Desde a vastidão do universo, com galáxias que dançam em um balé cósmico, até a intrincada dança das partículas subatômicas, há uma ordem e uma harmonia que desafiam a simples casualidade. Albert Einstein refletiu sobre isso, dizendo: “Quanto mais a ciência avança, mais eu acredito em Deus.” Isso nos leva a perceber que, nas leis da física e na elegância da matemática, há uma assinatura divina que nos convida a explorar e, ao mesmo tempo, a contemplar.

No âmago dessa discussão, encontra-se a maravilha da criação. A complexidade do DNA, a precisão das leis físicas que governam o universo, e a capacidade do ser humano para o amor e a compaixão, são elementos que apontam para uma inteligência superior. A Bíblia, em Provérbios 25:2, nos lembra: “É a glória de Deus ocultar as coisas, mas a glória dos reis é pesquisá-las.” Isso sugere que a busca pelo conhecimento, longe de nos afastar do divino, é na verdade um caminho para a descoberta espiritual.

Os exemplos da natureza também nos inspiram e nos reconectam com a ideia de um criador. A perfeição de uma teia de aranha, a eficiência de uma colônia de formigas, e a grandiosidade de uma montanha refletem um planejamento e uma execução que vão além do acidental. São manifestações do divino que nos cercam, esperando serem descobertas.

A sabedoria, portanto, não reside em afastar-se de Deus ao primeiro sinal de conhecimento, mas em reconhecer que, quanto mais aprendemos sobre o universo, mais próximos ficamos de compreender a mente do criador. Sócrates, o filósofo grego, sabiamente afirmou: “Só sei que nada sei.” Essa humildade diante do vasto conhecimento é o que nos aproxima verdadeiramente da essência divina.

A ciência e a fé não são inimigas, mas sim duas faces da mesma moeda, buscando responder às grandes questões da existência. À medida que expandimos nossa compreensão do universo através da ciência, abrimos nossos corações para uma conexão mais profunda com o divino. Portanto, embarquemos nesta jornada de descoberta, permitindo que a ciência nos guie de volta aos braços acolhedores da fé.

José Adenauer Lima
Formado em economia, com pós-graduação em Estratégia pela ADESG. Especialização em filosofia clássica.Trabalha no Poder Legislativo do DF há 32 anos nas áreas de orçamento público e processo legislativo.

Zé Torresmo: a junção dos prazeres da carne com a culinária caipira

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A revista 61 Brasília participou do “soft opening” no sábado (2), do restaurante “Zé Torresmo”, localizado na CLN 115 Norte, que tem como carro chefe a culinária caipira de alguns pontos do país como Minas Gerais, Goiânia e o interior de São Paulo. O lugar traz essa pegada de uma forma diferente, saborosa e gostosa para os seus frequentadores.

Conversei com os sócios Guilherme de Souza (administrativo) e André Batista (chef, especialista em carne de porco e charcuteiro artesanal) e eles me contaram um pouco sobre como surgiu a ideia de abrir um restaurante, o nome e como tem sido a recepção do público desde que a casa foi aberta, lembrando que a inauguração acontece no sábado (9), a partir das 11 horas, mas isso eu conto algo longo do nosso bate-papo.

Que tal abrir um restaurante?

O Chef André Batista disse que nunca pensou em abrir um restaurante, mas desenhava algumas coisas “Eu vinha pensando em abrir um em Goiás Velho, futuramente, quem sabe, mas esse rolou como um sonho, acordei 4 horas da manhã, rascunhei sobre ele e no dia seguinte apresentei pro Gui e automaticamente achei um ponto por sorte e por volta de 30, 40 dias abrimos o bar, pra ser sincero foi tudo muito rápido”.

O conceito do espaço já estava formado, trilha sonora é música, visando apenas no básico que um restaurante tem que oferecer, cerveja gelada, boa comida e um bom atendimento, esses são os diferenciais do Zé Torresmo.

Um momento importante na criação de qualquer estabelecimento é nome que o local vai carregar, é a identidade do espaço, certo? No caso do Zé Torresmo, essa parte ficou por conta de uma memória do chef André Batista.

Quando adolescente, ele residia no Setor Alvorada, em Anápolis, e lá existia um cabaré chamado “Zé Torresmo”. “Eu adorava passar lá na frente com a minha tia, era doido pra entrar, mas nunca consegui. Ele já fechou há muito tempo, mais de 20 anos já, eu o achava maravilhoso e quando chegou o momento, veio a ideia de usar Zé Torresmo”.

Comida Interiorana

A culinária do Zé é uma exposição a parte, pratos maravilhosos como o “Virado do Zé”, “Galinha Caipira”, Arroz de Porco”, fora os petiscos da estufa como “Disco de Carne”, “Bolinho de Chambaril com Requeijão” indicação do garçom Alencar, gente finíssima e com um atendimento excepcional (fica a dica da Revista) e claro, a estrela da casa o Torremos em barra e pururucado, entre outras iguarias deliciosas, visando sempre a comida interiorana.

O sócio Guilherme de Souza contou como foi o primeiro dia de funcionamento da casa, que abriu no dia 25 de janeiro, “A ideia era que viesse apenas os amigos e familiares, apenas para testar, mas rolou uma movimentação, que não sabíamos, nossa página do Instagram (@zetorresmobsb), sem conteúdo, mas para nossa surpresa e felicidade foi caótico e um sucesso, nem foi “soft opening”, foi “soft hard” (risos).

 

A comida do Zé faz tanto sucesso por um único motivo, todo mundo em algum lugar, tem uma memória afetiva com os pratos que são servidos, por isso esse sucesso estrondoso no cenário gastronômico da capital.

Todos aqueles amam uma comida boa e qualidade estão convidados para comparecerem ao Zé Torresmo, no dia 9 de março, às 11 horas, para a inauguração oficial do espaço. Além desses pratos que mencionamos na matéria, eles têm outras delícias que valem a pena conferir, como a Cachaça da Casa que combina muito bem com o Torresmo Pururuca. Vai ter também música ao vivo com violeiros e sanfoneiros e espaço para a criançada.

Chegue cedo e garanta o seu lugar.

Serviço:

*Zé Torremo

*CLN 115 Norte BL C Loja 41 – Asa Norte

*Terça a Domingo – 11:00 às 00:00 (terça a sábado) e 11:00 às 23:00 (domingo)

UDF oferece serviços jurídicos gratuitos para população

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Docentes e alunos do curso de Direito fornecem atendimento das áreas cível, trabalhista e penal

 O Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), instituição pertencente ao Grupo Cruzeiro do Sul Educacional, promove de forma gratuita serviços jurídicos para a sociedade, de segunda a sexta-feira, no Núcleo de Práticas Jurídicas do curso de Direito da Instituição.

O Núcleo oferece atendimentos nas áreas cível, trabalhista e penal, atuando diretamente em prol dos cidadãos mais necessitados, além de proporcionar aos alunos o aprendizado na prática.

Podem realizar a inscrição gratuita para o serviço jurídico as pessoas que recebam até dois salários-mínimos. Além disso, o público deve estar em posse dos documentos necessários para propositura da ação ou para juntar nas peças processuais cabíveis.

Os interessados nos atendimentos devem procurar uma das Unidades de Prática Jurídica.

Orientados por professores mestres com experiencia na área da advocacia, os alunos do curso de Direito prestam consultoria jurídica, esclarecendo dúvidas, participam de audiências, analisam processos e peticionam, incluindo o ajuizamento de novas ações judiciais.

O objetivo é fazer com que os alunos desenvolvam a dinâmica de atendimento e a diversidade de casos que chegam para resolução de conflitos no NPJ. Além de, aprenderem sobre habilidades profissionais, responsabilidade com a comunidade, advocacia colaborativa, técnicas de negociação, mediação e conciliação nos casos cíveis e de família.

 

Confira abaixo os serviços do Núcleo de Práticas Jurídicas:

COORDENAÇÃO DO NPJ

Endereço: 704/904 Seps Eq 702/902, Brasília – DF, 70390-045

Telefone: 3704-8834

Horário de funcionamento:

– Segunda à sexta das 11h às 19h30

 

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE TRABALHISTA – TRAB

Local: Edifício Sede do UDF, Bloco B, ao lado da sala T-25 SEP/SUL EQ

704/904 – Conjunto A, CEP: 70390-045, 3704-8825/ 9 9982-3166

Horário de funcionamento:

– Segunda à sexta das 8h às 12h;

-Segunda a sexta das 13h30 às 17h30;

-Segunda; terça; quinta e sexta das18h às 20h.

 

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE ED. SEDE DO UDF- PENAL

Local: Edifício Sede do UDF, Bloco B, ao lado da sala T-25 SEP/SUL EQ

704/904 – Conjunto A, CEP: 70390-045, 3704-8825/ 9 9982-3166

Horário de funcionamento:

-Quarta das 18h às 20h (apenas penal)

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE DE BRASÍLIA – BSB

Vagas reduzidas a fim de atender apenas as demandas provenientes do convênio com o Ministério Público do Distrito Federal e dos

Territórios.

No direito criminal, o estágio é realizado junto a quarta e quinta varas criminais, e quarta vara de entorpecentes.

Local: Fórum Desembargador Milton Sebastião Barbosa, Praça Municipal, Lote

1, Bloco “B” Ala B, Anexo II do Fórum 2º andar Sala 215. CEP: 70.094-900

3103-6922 / 9 9982-6241

Horário de funcionamento:

-Segunda à sexta das 8h às 12h (apenas penal)

-Segunda à sexta das 13h30h às 17h30 (apenas penal)

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE DO JUIZADO ESPECIAL DE

BRASÍLIA – JEB

Atuação apenas nos juizados especiais criminais de Brasília e Vara de Execuções

Criminais.

Local: Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes, localizado no SMAS

Trecho 3, lotes 4/6, Bloco 3, próximo ao Setor Policial Sul. 9 9981-5671

Horário de funcionamento:

-Segunda a quinta das 13h30 às 17h30 (civil e penal)

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE DO JUIZADO ESPECIAL

FEDERAL CÍVEL – JEF

Atuação apenas nos juizados especiais federais cíveis.

Local: SEPN 510, Bloco C, lote 8, Ed. Cidade de Cabo Frio – Asa Norte.

CEP: 70759-900 (apenas civil) – 3521-3468 ou 3521-3469 /9 9983-2665

Horário de funcionamento:

-Segunda e quarta das 8h às 12h (apenas civil)

– Segunda; quarta e quinta das 13h30 às 17h30 (apenas civil)

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE DE MEDIAÇÃO CONCILIAÇÃO

E ARBITRAGEM – MED

Local: SGAN 909 Modulo. “C”, SGAN 909 – Asa Norte Brasília – DF. CEP:

70.790-090 – 61 9 9983-6202

Horário de funcionamento:

-Segunda a quinta das 13h30 às 17h30 (apenas civil)

UNIDADE DE PRÁTICA FORENSE DO PARANOÁ – PAR

Atuação irrestrita nas varas cível, família e criminal, com atuação na vara do

Tribunal do júri.

Local: Fórum do Paranoá – Quadra 03 – área especial Nº 02

CEP: 71570-030- 3103-2216/9 9981-6386

Horário de funcionamento: Segunda à sexta das 13h30 às 17h30.

 

Sobre o UDFCriado em 1967, o Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) é a primeira instituição particular de ensino superior da capital do Brasil. Instituição tradicional no ensino de Direito, o UDF conta também com cursos respeitados na área de negócios, da saúde e de tecnologia, além de oferecer cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, e programas de extensão voltados à comunidade externa. Pertence ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional, um dos mais representativos do País, que reúne instituições academicamente relevantes e marcas reconhecidas em seus respectivos mercados.Visite: www.udf.edu.br e conheça o Nosso Jeito de Ensinar.  

 

Ilustradoras negras lançam versão em quadrinhos de Quarto de Despejo

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Lançamento marcará passagem dos 110 anos da escritora

Escrito a partir das memórias da catadora de papel Carolina Maria de Jesus, o livro Quarto de Despejo vai ganhar nova versão neste ano, como história em quadrinhos (HQ). O lançamento, liderado por ilustradoras negras, comemora os 110 anos da autora, que se tornou referência na literatura brasileira, que serão completados no dia 14 de março.

A coordenadora editorial de literatura e informativos da SOMOS Educação, grupo do qual faz parte a editora Ática, que publicou o livro no Brasil, em 1960, Laura Vecchioli do Prado, teve a ideia quando, em 2020, saiu a edição comemorativa dos 60 anos do Quarto de Despejo. Foi então lançada a adaptação da obra para teatro.

“Queríamos continuar fazendo algum trabalho em cima do Quarto de Despejo. Como é um gênero literário que gera bastante interesse do público, a ideia foi adaptá-lo para HQ, com o propósito também de incentivar a leitura já a partir do sexto ou sétimo ano do ensino fundamental”, disse Laura. A obra é lida pelo público juvenil do ensino médio em diante e, com a versão em quadrinhos, seria possível atingir um público mais novo, acrescentou Laura.

O livro já está disponível para venda na internet e em algumas livrarias. A data dos eventos de lançamento, entretanto, ainda não foram alinhadas com as herdeiras de Carolina Maria de Jesus, mas deverão acontecer nos próximos meses.

Artistas negras

A versão HQ da obra foi feita por quatro artistas negras: a roteirista Triscila Oliveira (@afemme1), a ilustradora Vanessa Ferreira (@pretailustra) e as arte-finalistas Hely de Brito (@ilustralyly) e Emanuelly Araujo (@vulgoafronauta).

“Pelo próprio histórico do livro e da Carolina, a ideia inicial, quando eu pensei na HQ, era trazer para esse livro mulheres pretas e, de preferência, periféricas. Foi aí que começamos a pesquisar. Todas elas são mulheres pretas e somente uma não é periférica. A gente queria dar um espaço para novatas, mas como era um livro de grande importância, uma responsabilidade muito grande, pegamos mulheres já experientes com HQ, caso da Triscila Oliveira, que já escreve roteiros”.

Nas orelhas e também dentro do livro, as quatro artistas relataram como foi fazer o livro e a relação delas com o Quarto de Despejo.

Experiência

Para a ilustradora Vanessa Ferreira, ilustrar o livro de Carolina Maria de Jesus “foi uma loucura. É um projeto que a gente soltou em tempo recorde. Foi muita correria, principalmente na etapa final, além do fato de a gente ter que trazer do imaginário, ter que construir visualmente uma vivência que muita gente não tem”, disse Vanessa . “Foi uma experiência incrível.”

Com 90 páginas ilustradas, o livro de HQ demandaria, normalmente, em torno de um ano e meio para ficar pronto, cumprindo todo o processo clássico, mas as quatro artistas conseguiram finalizá-lo em sete meses.

Quando iniciou as ilustrações para o livro, Vanessa verificou que a infância de Carolina e a dela própria tinham semelhanças. Ambas cresceram dentro de favelas. “Era, visualmente, uma história que a gente já conhecia, mas adaptar os relatos de Carolina foi muito complicado e em tempo recorde também”.

Vanessa Ferreira ressaltou que a diferença entre ela e a escritora é que Carolina foi uma catadora que veio de Minas, e todo o conhecimento que teve veio do lixo. “Eu, apesar de crescer em um barraco e vir de uma situação muito pobre, tive uma mãe que falava que era muito importante estudar. Minha mãe zelou por isso na minha vida”. No local, não havia pessoas que trabalhassem com ilustração. “Não havia nem essa palavra, na verdade.”

Nascida em 1986, na zona sul de São Paulo, Vanessa ouvia que tinha que terminar o colégio, arrumar um emprego na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e ficar naquilo pelo resto da vida. “Nem à faculdade a gente tinha acesso. Ainda mais uma pessoa preta. Ganhar dinheiro com arte? Nunca”. Dali para cá, o cenário mudou. “Mudou muito, porque a gama que a gente tem de artistas é grande. Juntou muito essa galera e a gente faz muito essa troca”. Gente que tinha carreira em outras áreas, como a própria Vanessa, formada em publicidade, foi para a ilustração, que era uma coisa que ela sempre quis executar. “Eu nunca parei de desenhar, na verdade.”

História

A escritora Carolina Maria de Jesus – Divulgação/Mostra CMJ

 

Nascida em 14 de março de 1914, em Sacramento, Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus mudou-se para a cidade de São Paulo em 1937, onde trabalhou como empregada doméstica. Em 1948, foi viver na favela do Canindé, onde nasceram seus três filhos. Enquanto viveu ali, a forma de subsistência dela e dos filhos era catar papéis e outros materiais para reciclar.

O livro Quarto de Despejoreproduz o diário em que Carolina narra seu dia a dia em uma comunidade pobre da cidade de São Paulo, desocupada para construção da Marginal Tietê, em 1961, por influência da repercussão de sua obra. O texto é considerado um dos marcos da literatura feminina no Brasil.

Carolina descreve suas vivências no período de 1955 a 1960 e relata o sofrimento e as angústias dos habitantes da favela, sobretudo a rotina da fome. Ela se sustentava recolhendo papel nas ruas. Quando não conseguia papel, ela e seus filhos não comiam. Sua linguagem é objetiva, ao mesmo tempo culta e inculta, oscilando entre um registro popular e o discurso literário.

A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em apenas uma semana. Desde o lançamento, a obra já foi traduzida para mais de 13 idiomas. A publicação é uma edição feita pelo repórter Audálio Dantas e pela equipe de editoração da Livraria Francisco Alves, que recebeu 20 cadernos escritos por Carolina. Dantas selecionou os trechos do diário a serem publicados e escreveu o prefácio do livro. Foi ainda responsável pela estratégia de divulgação da obra na imprensa.

Os dois textos escritos por Audálio Dantas na imprensa são anteriores à publicação do livro e tornaram sua autora conhecida do grande público. A primeira matéria do jornalista sobre o livro foi a reportagem de página inteira no jornal Folha da Noite, de 9 de maio de 1958, intitulada O drama da favela escrito pela favelada: Carolina Maria de Jesus faz um retrato sem retoque do mundo sórdido em que vive. Depois, ele publicou matéria na revista O Cruzeiro, da qual era editor-chefe, com o título Retrato da favela no diário de Carolina: a fome fabrica uma escritora.

Edição: Nádia Franco

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro